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Ciência

Famosa orca mãe é vista carregando filhote morto pela segunda vez

Em 2018, cientistas registraram a mesma orca mãe carregando seu filhote morto por 17 dias, percorrendo mais de 1.600 quilômetros.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os seres humanos não são os únicos a sentir luto pela perda de entes queridos. Pesquisadores de baleias documentaram uma orca mãe carregando seu filhote morto — um comportamento que muitos especialistas interpretam como uma manifestação de luto entre os cetáceos.

Cientistas do Center for Whale Research (CWR) relataram a observação nesta quarta-feira em uma publicação no Facebook. A orca, identificada como J35, conhecida como Tahlequah, foi vista carregando sua filhote fêmea morta, chamada J61. É a segunda vez em sete anos que Tahlequah é observada carregando um filhote falecido. Embora a natureza exata desse comportamento seja incerta, muitos biólogos marinhos acreditam que se trata de uma demonstração genuína de luto.

“Acho justo dizer que ela está sofrendo ou lamentando,” afirmou Joe Gaydos, diretor científico do programa SeaDoc na Universidade da Califórnia, Davis, em entrevista à Associated Press.

Um caso conhecido de luto animal

Tahlequah não é a única baleia registrada demonstrando comportamento semelhante ao luto, mas é, sem dúvida, a mais famosa. Em 2018, ela foi observada carregando seu filhote morto por 17 dias, atravessando mais de 1.600 quilômetros de oceano. O ato de Tahlequah foi notável não só pela sua duração, mas também porque, em certos momentos, outros membros do seu grupo (ou pod) se revezaram carregando o corpo do filhote, evidenciando a forte ligação social entre as orcas.

O luto em outras espécies sociais

Comportamentos associados ao luto também são comuns em outros animais sociais, especialmente diante da perda de filhotes.

  • Elefantes: Já foram observados enterrando seus filhotes mortos.
  • Primatas: Fêmeas de várias espécies foram registradas carregando seus filhotes falecidos, assim como Tahlequah.

A ameaça à sobrevivência das orcas residentes do sul

A morte de J61 é especialmente trágica devido à situação crítica das orcas residentes do sul, que vivem ao largo da costa do Pacífico Noroeste. Embora as orcas sejam encontradas em todo o mundo, essa população em particular está ameaçada de extinção. A perda de J61 representa mais um golpe para a sobrevivência a longo prazo do grupo de Tahlequah.

Filhotes de orca enfrentam grandes desafios nos primeiros meses de vida. De acordo com o Center for Whale Research, apenas 50% dos filhotes sobrevivem ao primeiro ano.

Um pequeno sinal de esperança

Apesar da perda de J61, os pesquisadores relataram uma notícia positiva: a chegada de um novo filhote no grupo J-pod, identificado como J62. Embora ainda não se saiba o sexo, J62 parece estar saudável física e comportamentalmente.

“Pesquisadores do CWR, da NOAA e de outros grupos de pesquisa realizarão observações de acompanhamento de J35, assim como do novo filhote J62, quando as condições e os movimentos das baleias permitirem,” informou o Center for Whale Research.

Luto no reino animal: um campo em expansão

O comportamento de orcas como Tahlequah sugere que os seres humanos não são os únicos a reconhecer e reagir à morte. Esse é o foco da tanatologia comparada, um campo emergente da ciência que estuda como diferentes espécies não humanas lidam com a morte.

Embora as orcas possam parecer particularmente “humanas” em sua expressão de luto, muitos outros animais também têm maneiras únicas de enfrentar a perda. A dor de Tahlequah é, sem dúvida, um poderoso lembrete de como o vínculo entre mães e filhotes transcende espécies.

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