Parece absurdo, mas é verdade: galinhas vivas estão aparecendo em sessões de “Minecraft: O Filme” nos cinemas. A febre do jogo chegou a um novo patamar, misturando cosplay, desafios virais e comportamentos irresponsáveis. O que era para ser uma experiência divertida em família está se transformando em uma dor de cabeça para funcionários de cinema, ativistas pelos direitos dos animais e, claro, os demais espectadores que só querem assistir ao filme em paz.
Um meme que virou problema real
Someone brought an actual chicken to a ‘MINECRAFT’ movie screening.
Read our review: https://t.co/uuggEo3o94 pic.twitter.com/gGb5jOkgWk
— DiscussingFilm (@DiscussingFilm) April 10, 2025
Tudo começou com um vídeo viral: um jovem entrou numa sala de cinema carregando uma galinha nos braços, imitando o personagem “Chicken Jockey”, um dos mobs mais famosos do jogo Minecraft. A cena foi compartilhada nas redes sociais, ganhou força no X (antigo Twitter) e deu início a uma nova tendência bizarra.
Desde então, surgiram diversos relatos de pessoas tentando repetir a “façanha”, levando aves reais para dentro dos cinemas como se fosse parte da experiência. A intenção? Viralizar nas redes e se destacar no meio da multidão de fãs do jogo. Mas a brincadeira está passando dos limites.
Não é uma fazenda: o impacto real no cinema
Levar animais vivos a um ambiente fechado, escuro e barulhento como um cinema não é apenas imprudente — é cruel. Galinhas são sensíveis ao som e à luz, e se estressam facilmente em ambientes desconhecidos. A prática configura, em muitos casos, maus-tratos aos animais.
Além disso, a presença dessas aves representa um risco à segurança, à higiene e ao bem-estar do público. Salas de cinema não estão preparadas para lidar com galinhas ciscando entre as poltronas ou cacarejando durante cenas importantes. Os funcionários, que já enfrentam a tarefa diária de limpar pipocas e refrigerantes derramados, agora têm que lidar também com penas e possíveis excrementos.
Entre homenagem e sabotagem
Eventos interativos em cinemas não são novidade. Filmes como “The Rocky Horror Picture Show” ou “The Room” são famosos por encorajar a participação do público, seja com fantasias, músicas ou brincadeiras. No entanto, há uma diferença enorme entre participar de forma criativa e colocar outros em risco.
Segundo a jornalista Sabina Graves, talvez esteja na hora de Jack Black —que interpreta o personagem Steve no filme— gravar um anúncio nos moldes dos vídeos de Nicole Kidman para lembrar aos fãs: “Galinha de verdade não pertence a esse lugar”.
Medidas mais rígidas e reforço na segurança
Diante da repetição dos casos, diversas redes de cinema começaram a aumentar a fiscalização nas sessões de “Minecraft: O Filme”. As regras de entrada foram reforçadas, e agora há olhares atentos não apenas para celulares ou pipocas extras, mas também para caixas estranhas ou bolsas suspeitas.
Se o comportamento continuar, os controles de acesso poderão se assemelhar aos de aeroportos. Afinal, ninguém esperava ter que fazer revista para impedir que uma ave entrasse escondida no colo de alguém.
Quando a criatividade vira exagero
“Minecraft: O Filme” continua sendo um sucesso de bilheteria, mas os desdobramentos do seu fandom estão levantando questões importantes. É saudável se empolgar, usar fantasias e celebrar o universo do jogo. Mas essa celebração não pode ultrapassar os limites do bom senso, muito menos colocar em risco animais ou perturbar a experiência dos outros.
Criatividade é sempre bem-vinda, mas talvez esteja na hora de deixarmos as galinhas do lado de fora — junto com os desafios que deveriam continuar só no mundo digital.