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Gatos podem ajudar a desvendar novos tratamentos para a demência? Cientistas acreditam que sim

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo descobriram que gatos desenvolvem demência de forma muito semelhante aos humanos. O achado pode abrir caminho para novos tratamentos contra o Alzheimer e melhorar o bem-estar tanto dos felinos quanto das pessoas afetadas pela doença.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A busca por respostas sobre a demência, uma das doenças mais desafiadoras do século, pode ganhar um aliado inesperado: os gatos. Um estudo recente revelou que esses animais apresentam alterações cerebrais semelhantes às observadas em humanos com Alzheimer. Para a ciência, essa descoberta representa não apenas uma oportunidade de compreender melhor a doença, mas também de desenvolver tratamentos mais eficazes.

O estudo pioneiro

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© Lina Kivaka

Pesquisadores da Universidade de Edimburgo examinaram post-mortem os cérebros de 25 gatos que apresentavam sintomas de demência felina. Entre os sinais mais comuns estavam confusão, mudanças nos ciclos de sono, vocalização excessiva e abandono da caixa de areia.

A análise revelou a presença de placas beta-amiloides, proteínas tóxicas que prejudicam a comunicação entre neurônios e estão diretamente associadas ao Alzheimer em humanos. Essas placas são consideradas um dos principais marcadores da doença, tornando a descoberta em felinos ainda mais significativa.

“O que encontramos foram semelhanças surpreendentes entre a demência felina e a doença de Alzheimer nas pessoas”, destacou Robert McGeachan, professor da Faculdade de Veterinária da Universidade de Edimburgo e autor principal do estudo, publicado no European Journal of Neuroscience.

Gatos como modelo natural para a ciência

Tradicionalmente, os cientistas investigam a demência utilizando roedores geneticamente modificados, que não desenvolvem a doença de forma espontânea. Os gatos, no entanto, manifestam os sintomas naturalmente à medida que envelhecem.

Segundo Danièlle Gunn-Moore, professora de medicina felina e coautora da pesquisa, isso faz dos felinos “o modelo natural perfeito para o Alzheimer”. Essa característica oferece aos cientistas uma janela mais precisa para estudar a progressão da doença em condições próximas às humanas.

Além de contribuir para a ciência, o avanço também pode melhorar a qualidade de vida dos animais de estimação, uma vez que a demência felina é profundamente angustiante tanto para o gato quanto para seus donos.

Impacto para humanos e felinos

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© Artem Makarov

A semelhança biológica entre humanos e gatos significa que avanços em um lado podem beneficiar o outro. Se os pesquisadores conseguirem mapear como a doença evolui nos felinos, poderão identificar novas abordagens terapêuticas que, futuramente, também sejam aplicadas em humanos.

“Como os gatos desenvolvem essas mudanças cerebrais de forma natural, eles oferecem um modelo mais realista do que os animais de laboratório tradicionais, beneficiando ambas as espécies”, reforçou McGeachan.

Para os donos, isso pode significar diagnósticos mais rápidos e tratamentos que aliviem sintomas como agitação noturna, perda de memória espacial e comportamentos repetitivos, típicos da demência felina.

A dimensão global do Alzheimer

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Alzheimer é a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 70% dos casos em todo o mundo. Estima-se que milhões de pessoas sejam afetadas atualmente, e a ausência de cura conhecida faz da doença uma prioridade de saúde pública global.

Embora medicamentos existentes possam ajudar a controlar sintomas em alguns pacientes, não há ainda terapias que interrompam ou revertam o avanço da doença. O estudo com gatos, portanto, pode ser um ponto de virada para novas estratégias de tratamento.

O que vem pela frente

Os pesquisadores ressaltam que ainda há muito trabalho pela frente. Amostras maiores e estudos clínicos mais aprofundados são necessários para confirmar os resultados e traduzir as descobertas em terapias concretas.

Ainda assim, o estudo acende uma esperança: de que o miado de um gato não apenas revele afeto, mas também traga respostas para um dos maiores desafios da medicina moderna.

 

[ Fonte: Euronews ]

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