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Tecnologia

Gemini 3 colocou o Google de volta ao jogo da IA — e trouxe mais de 100 milhões de novos usuários em poucas semanas

O lançamento do Gemini 3 virou a mesa da corrida pela inteligência artificial. Em menos de um trimestre, o assistente do Google somou mais de 100 milhões de usuários ativos mensais, reacendeu o entusiasmo do mercado e acendeu alertas na concorrência. Agora, a empresa aposta alto para transformar esse impulso em liderança.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A virada veio rápido. Depois de um começo turbulento na geração de imagens em 2024, o Google encontrou seu segundo fôlego com o Gemini 3. O novo modelo não só conquistou desenvolvedores e entusiastas como também levou o aplicativo Gemini a um patamar inédito de adoção — e colocou pressão direta sobre a OpenAI e seu principal produto, o ChatGPT.

Um salto de 100 milhões — e contando

Durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre da Alphabet, o CEO Sundar Pichai revelou que o Gemini já soma mais de 750 milhões de usuários ativos mensais. Isso representa cerca de 100 milhões a mais do que os 650 milhões informados apenas três semanas antes, no balanço do terceiro trimestre.

Segundo Pichai, além do crescimento bruto, o engajamento por usuário aumentou de forma significativa após o Gemini 3 — o que, nas palavras dele, marca “a adoção mais rápida de qualquer modelo na história da empresa”.

O entusiasmo não ficou restrito aos números. Comunidades de IA nas redes sociais elogiaram as capacidades do modelo, e até executivos historicamente ligados ao ecossistema rival passaram a reconhecer a virada. O CEO da Salesforce, Marc Benioff, chegou a dizer publicamente que havia migrado para o Gemini. Já Wei-Lin Chiang, cofundador da LMArena, descreveu o lançamento como “mais do que uma simples troca no ranking”.

A reação em cadeia na concorrência

O impacto foi tão imediato que, poucas semanas depois, a liderança da OpenAI teria declarado “código vermelho” internamente. Até Jensen Huang, CEO da Nvidia — empresa com negócios relevantes com a OpenAI — teria demonstrado preocupação com a nova força competitiva do Google.

Ainda assim, o topo do mercado segue disputado. A OpenAI não divulga métricas regulares de usuários do ChatGPT, mas um relatório do The Information indicava em dezembro que o chatbot se aproximava de 900 milhões de usuários semanais. Ou seja: o Gemini avançou rápido, mas a liderança absoluta ainda não está garantida.

De reputação abalada a ritmo acelerado de inovação

Para o Google, o momento tem sabor de recuperação. Após tropeçar no início de 2024, a empresa conseguiu reconstruir sua narrativa com lançamentos de alto perfil, como o Gemini 3 e o Nano Banana Pro. Pichai afirmou que a companhia entrou em um ciclo de inovação “implacável” e que pretende dobrar os investimentos de capital em 2026, com a maior parte direcionada à IA.

Essa estratégia já começa a se refletir em parcerias. A Apple escolheu o Gemini para impulsionar a reformulação com IA da Siri, prevista para este ano. A Samsung anunciou planos para dobrar a quantidade de dispositivos móveis integrados ao Gemini. E o Google trabalha para tornar o assistente mais “comprável”, com experiências de checkout dentro do próprio app.

O futuro: mais recursos — e talvez anúncios

Com a expansão acelerada, vem também a monetização. O diretor comercial do Google, Philipp Schindler, deixou claro que anúncios fazem parte da estratégia de escalar produtos para bilhões de pessoas — embora a empresa diga não estar com pressa para introduzi-los nas conversas do Gemini.

Seja como for, a mensagem é clara: o Google não quer apenas participar da corrida da IA generativa — quer vencê-la. Com centenas de milhões de usuários recém-chegados, alianças estratégicas e investimentos pesados no horizonte, o Gemini 3 marca uma mudança de fase. A disputa pelo “cetro” dos chatbots entrou em um novo capítulo, e desta vez o Google aparece como protagonista.

 

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