Poucas novelas conseguem deixar uma marca tão duradoura quanto Fina Estampa — mas nem sempre pelos motivos certos. Lançada em 2011, a trama de Aguinaldo Silva virou sucesso de audiência e, ao mesmo tempo, motivo de constrangimento entre parte do elenco e de crítica intensa por parte do público. Agora, após cinco anos de sua última reapresentação, a novela volta à grade da Globo, e com ela, retornam também as polêmicas.
O retorno de uma história que nunca sai dos holofotes

A partir de 18 de agosto, Fina Estampa será reprisada no canal Globoplay Novelas, na faixa das 22h40, substituindo Guerreiros do Sol. Essa será a terceira vez que a obra ganha espaço na programação da emissora — a anterior foi em 2020, em plena pandemia, quando ocupou o horário nobre no lugar da inédita Amor de Mãe.
Apesar das críticas, o desempenho da novela em audiência foi expressivo: em sua primeira exibição, alcançou média de 39 pontos em São Paulo, e sua reprise obteve 33,7 pontos — números que poucas tramas conseguem atingir atualmente.
O sucesso popular se explica por personagens cativantes, como Griselda (Lilia Cabral), a “Pereirão”, uma mulher batalhadora que faz de tudo para sustentar os filhos; Celeste (Dira Paes), a esposa submissa que gera empatia; e Renê (Dalton Vigh), o galã compreensivo. A mistura de humor e drama conquistou muitos telespectadores, mas nem todos engoliram a forma como alguns temas foram tratados.
Quando sucesso e controvérsia andam lado a lado
Embora tenha conquistado o público em massa, Fina Estampa também se tornou alvo de críticas severas, inclusive por parte de integrantes do elenco. Marco Pigossi, por exemplo, declarou em entrevista que a novela deveria ser “proibida de reprisar”, classificando algumas cenas como absurdas e admitindo vergonha de sua própria atuação.
Entre os pontos mais criticados está o personagem Crô (Marcelo Serrado), mordomo gay constantemente ridicularizado e tratado de maneira estereotipada. Outro núcleo polêmico foi o do casal Baltazar (Alexandre Nero) e Celeste: ele, um homem agressivo, acaba retratado como objeto de desejo do mordomo — com direito até a trilha sonora romântica. Essas escolhas dramatúrgicas geraram desconforto pela forma como temas delicados foram representados de maneira superficial ou até ofensiva.
A vilã Tereza Cristina (Christiane Torloni), com planos mirabolantes que sempre davam errado, também frustrou muitos espectadores por sua falta de consistência como antagonista. E o desfecho do romance entre Griselda e Renê gerou surpresa negativa: após toda a trajetória juntos, a protagonista termina ao lado de Guaracy (Paulo Rocha), por uma razão considerada banal por muitos — Renê não aceitou o fato de ela ter investido em seu restaurante sem contar.
Defesa apaixonada de alguns e críticas afiadas de outros
Apesar de tudo, nomes como Marcelo Serrado, Carolina Dieckmann e o próprio Aguinaldo Silva saíram em defesa da obra. O autor, ao rebater as declarações de Marco Pigossi, afirmou que novelas são feitas para agradar ao público, não ao elenco. “Se a interpretação não alcançou os níveis desejados, aconselharia o ator a frequentar minha casa de arte”, declarou em entrevista.
A nova reprise de Fina Estampa promete reacender velhos debates. E talvez essa seja justamente sua maior força: mesmo com tantos anos de distância, ela ainda é capaz de mobilizar opiniões apaixonadas — sejam elas a favor ou contra. Afinal, poucas novelas conseguem provocar tanto barulho quanto essa.
[Fonte: Adorocinema]