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Tecnologia

Golpe da Tarefa dispara no Brasil: boom de grupos criminosos transforma fraude de “renda extra” em ameaça digital de 2025

Um levantamento da Redbelt Security revelou que o Golpe da Tarefa — também chamado de Golpe da Renda Extra — se tornou uma das fraudes que mais crescem no Brasil. Adaptada de esquemas asiáticos, a prática combina engenharia social, apps maliciosos e Pix para enganar vítimas e movimentar milhões em redes clandestinas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Promessas de “dinheiro fácil”, convites para microtarefas e mensagens sedutoras no WhatsApp e Telegram escondem, cada vez mais, uma operação criminosa estruturada. O Golpe da Tarefa se espalha rapidamente pelo país e já mobiliza mais de uma centena de grupos ativos. Inspirado em esquemas do sudeste asiático, o golpe foi tropicalizado para o cotidiano brasileiro, explorando Pix, aplicativos falsos e marcas populares para enganar usuários — e preocupando especialistas em cibersegurança.

Como o Golpe da Tarefa se tornou uma das principais fraudes de 2025

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© Monkey Business Images

A Redbelt Security, consultoria especializada em cibersegurança, identificou 128 grupos ativos envolvidos com o Golpe da Tarefa no Brasil. Em setembro de 2024, eram apenas 73 — um crescimento de 75% em menos de um ano.

A fraude é uma adaptação do esquema asiático Sha Zhu Pan, que combina manipulação psicológica, promessas de lucro rápido e sistemas de pagamento instantâneo. No Brasil, a operação encontrou terreno fértil graças à popularização do Pix e à alta confiança do público em redes de mensagens.

Criminosos usam WhatsApp e Telegram para abordar vítimas com ofertas de renda extra, tarefas simples ou empregos temporários. No início, pagam pequenas quantias — entre R$ 5 e R$ 20 — para transmitir credibilidade. Depois, começam a exigir depósitos progressivos para liberar supostas “tarefas premium”, levando o usuário a perdas financeiras crescentes.

A evolução perigosa: de curtidas falsas a aplicativos maliciosos

Se antes o golpe consistia apenas em pedir curtidas em postagens ou avaliações de produtos, hoje ele segue um modelo muito mais sofisticado. Grupos passaram a distribuir aplicativos falsos que solicitam permissões excessivas, capturam dados sensíveis e permitem o roubo de senhas, tokens de autenticação e informações bancárias.

A operação também conta com uma rede de contas de passagem — os famosos laranjas — recrutadas no próprio território brasileiro. Isso dificulta investigações, já que os valores desviados circulam dentro da economia local.

“O golpe evoluiu para uma fraude híbrida que mistura engenharia social, phishing e apps maliciosos”, afirma Eduardo Lopes, CEO da Redbelt Security. Segundo ele, o esquema já possui uma infraestrutura consolidada no país, com brasileiros atuando como intermediários financeiros.

Marcas populares viram isca em campanhas de spoofing

A fraude explora a confiança do público em grandes varejistas online. Campanhas enganadoras usam logos e identidades visuais de Shopee, Shein, AliExpress, Magazine Luiza e Mercado Livre para parecerem legítimas — uma tática conhecida como brand spoofing.

Não há envolvimento dessas empresas, mas o prejuízo reputacional é grande. Seus SACs ficam sobrecarregados com reclamações de consumidores enganados, e a relação de confiança é temporariamente abalada.

O impacto sobre bancos, Pix e o sistema antifraude

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O Golpe da Tarefa também pressiona instituições financeiras. O uso massivo de contas Pix pessoais cria desafios para mecanismos de detecção de transações suspeitas.

Para reagir, bancos e fintechs vêm reforçando algoritmos, estreitando cooperação via MED (Mecanismo Especial de Devolução) e investindo em monitoramento de atividades anômalas. No entanto, a velocidade de evolução do golpe exige respostas cada vez mais sofisticadas.

Variantes mais complexas começam a surgir no país

O relatório da Redbelt alerta ainda para novas versões do golpe que simulam processos de recrutamento profissional, oferecendo vagas de emprego ou oportunidades de trabalho remoto. Apesar de formatos diferentes, todas as variações seguem a lógica de extorsão financeira e roubo de dados.

Além disso, há indícios do uso crescente de banker trojans, malwares especializados em aplicativos bancários brasileiros, capazes de capturar credenciais diretamente do dispositivo da vítima — um avanço técnico particularmente preocupante.

Educação digital e vigilância: as únicas defesas eficazes

Para os especialistas, o sucesso do Golpe da Tarefa depende, acima de tudo, de vulnerabilidades humanas: pressa, necessidade financeira e confiança em nomes conhecidos. Por isso, a prevenção não se limita à tecnologia.

“Combater esse golpe é uma questão de segurança digital, mas também de educação social”, conclui a Redbelt Security.

Com o aumento acelerado do número de grupos criminosos e a sofisticação crescente das ferramentas usadas, especialistas defendem campanhas de conscientização, fortalecimento dos mecanismos antifraude e maior colaboração entre plataformas, bancos e autoridades para conter uma das fraudes mais perigosas de 2025.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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