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Grupo Afirma que The Washington Post Recusou Publicar Anúncio Pedindo a Demissão de Elon Musk

Uma polêmica envolvendo liberdade de expressão e poder corporativo tomou conta dos bastidores do jornal The Washington Post. Segundo o grupo Common Cause, especializado em fiscalização e transparência política, o veículo de comunicação teria se recusado a veicular um anúncio de página inteira com a frase: “Demita Elon Musk”.
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A campanha publicitária foi organizada por Common Cause em parceria com o Southern Poverty Law Center Action Fund. Juntas, as entidades afirmam ter fechado um contrato de 115 mil dólares com o jornal, visando a publicação do anúncio na edição de terça-feira do Post. A ideia era cobrir a capa e a contracapa do jornal com a mensagem contra Musk, além de incluir uma página completa no interior da edição. O alvo principal seriam leitores influentes que atuam no Congresso, no Pentágono e na Casa Branca.

Contudo, após a apresentação do conteúdo final do anúncio, a equipe de publicidade do The Washington Post informou que não aceitaria veicular as imagens na capa e contracapa. A página interna foi mantida, mas as organizações não receberam justificativa clara para o veto das partes externas do jornal.

Se a ação tivesse prosseguido como planejado, a capa traria uma imagem de Elon Musk rindo, sobreposta à Casa Branca, acompanhada da pergunta: “Quem está governando este país: Donald Trump ou Elon Musk?”. A contracapa exibiria outra foto de Musk, com a frase: “Ninguém elegeu Elon Musk para cargo algum”.

Essa campanha é parte do movimento “Fire Elon Musk”, promovido pelas entidades Common Cause, Southern Poverty Law Center Action Fund e End Citizens United. O grupo também criou o site FireMusk.org, que incentiva os cidadãos a pressionarem pela saída de Musk de sua influente posição informal no governo Trump. A petição online já acumulou mais de 60 mil assinaturas.

Embora não haja evidências concretas de influência externa na decisão do Post, as relações entre o dono do jornal, Jeff Bezos, e Elon Musk têm chamado atenção. Os bilionários, conhecidos por disputas em setores como espaço e tecnologia, recentemente deram sinais de aproximação. Ambos compareceram à posse de Donald Trump e trocaram mensagens amistosas após o sucesso do foguete reutilizável da Blue Origin, empresa espacial de Bezos.

Bezos também tem buscado melhorar sua relação com Trump. Após a vitória de Trump nas eleições de 2024, o executivo jantou com o presidente em Mar-a-Lago e fez uma doação de um milhão de dólares para a posse. A Amazon, empresa fundada por Bezos, também teria fechado um acordo de quase 30 milhões de dólares pelos direitos de um documentário sobre Melania Trump para o Amazon Prime Video.

Esse contexto levou a questionamentos sobre a neutralidade editorial do The Washington Post. Recentemente, um cartum político que retratava bilionários, incluindo Bezos, financiando Trump teria sido cortado da publicação. Ainda assim, as partes envolvidas negam qualquer relação entre esses eventos e a recusa do anúncio contra Musk.

Curiosamente, o próprio slogan do jornal é “A democracia morre na escuridão”. Mas, como ironizam alguns críticos, Bezos nunca especificou se considerava isso algo bom ou ruim.

 

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