Se você sente cansaço constante, mudanças inexplicáveis de peso ou alterações no humor, pode ser que sua tireoide esteja tentando mandar um recado. Essa glândula, que fica na base do pescoço e tem formato de borboleta, regula o metabolismo — e quando ela falha, o corpo inteiro sente o impacto.
Tireoide: o motor do corpo humano
A tireoide produz dois hormônios essenciais: T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Eles funcionam como o “combustível” que faz o corpo operar. Quando há desequilíbrio nessa produção, surgem duas condições opostas: hipotireoidismo, quando a glândula trabalha devagar, e hipertireoidismo, quando ela entra em modo turbo.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), qualquer variação na atividade da tireoide afeta diretamente o metabolismo, a energia, o humor, o peso e até a fertilidade.
O que é o hipotireoidismo?
No hipotireoidismo, a tireoide fica “preguiçosa”, produzindo menos hormônios do que o corpo precisa. Isso faz o metabolismo desacelerar e o organismo entrar em modo de economia.
Principais causas:
- Doença de Hashimoto, uma reação autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria glândula;
- Cirurgias ou tratamentos com iodo radioativo, que reduzem a produção hormonal;
- Deficiência de iodo, rara em países que usam sal iodado;
- Falha na hipófise, que deixa de estimular a tireoide corretamente.
Sintomas mais comuns:
- Cansaço e desânimo persistentes;
- Ganho de peso, mesmo sem comer mais;
- Sensação de frio constante;
- Pele seca, queda de cabelo e unhas fracas;
- Prisão de ventre;
- Dificuldade de concentração e humor deprimido;
- Inchaço no rosto e voz rouca.
Em idosos, o hipotireoidismo pode passar despercebido, já que seus sintomas se confundem com o envelhecimento natural.
O que é o hipertireoidismo?
Já no hipertireoidismo, a tireoide resolve “acelerar demais” e libera hormônios em excesso. O resultado é um corpo em modo turbo — o coração dispara, o metabolismo vai às alturas e a perda de peso vem mesmo sem dieta.
Principais causas:
- Doença de Graves, a forma autoimune mais comum;
- Nódulos na tireoide, que produzem hormônios por conta própria;
- Tireoidite, inflamação que libera hormônios armazenados;
- Excesso de iodo em suplementos ou exames com contraste.
Sintomas mais comuns:
- Perda de peso rápida com apetite aumentado;
- Ansiedade, irritabilidade e tremores;
- Taquicardia e palpitações;
- Suor excessivo e intolerância ao calor;
- Queda de cabelo e insônia;
- Fraqueza muscular e evacuações frequentes.
Em pessoas idosas, o chamado “hipertireoidismo apático” é mais sutil: o cansaço e a fraqueza aparecem sem os sinais clássicos de agitação. Casos graves e não tratados podem evoluir para tempestade tireoidiana, uma emergência médica com febre alta e risco cardíaco.
Por que o hipotireoidismo engorda e o hipertireoidismo emagrece?
Tudo gira em torno do metabolismo — o conjunto de reações químicas que transformam o que comemos em energia.
No hipertireoidismo, os hormônios em excesso aceleram o metabolismo, fazendo o corpo queimar mais calorias e até degradar músculos e gordura.
No hipotireoidismo, o ritmo desacelera e o corpo começa a poupar energia, armazenando gordura e retendo líquidos.
A American Thyroid Association (ATA) explica que o controle do gasto energético é uma das funções mais importantes dos hormônios da tireoide — e é justamente isso que faz as duas doenças terem efeitos tão opostos.
Diagnóstico simples, tratamento eficaz
O diagnóstico é feito com um exame de sangue que mede os níveis de TSH, T3 e T4.
No hipotireoidismo, o TSH está alto e o T4 baixo.
No hipertireoidismo, o TSH está baixo e os hormônios estão elevados.
O endocrinologista pode solicitar exames complementares, como dosagem de anticorpos (para detectar causas autoimunes) ou ultrassonografia da tireoide (para avaliar nódulos e inflamações).
Tratamento:
- Hipotireoidismo: reposição com levotiroxina, um hormônio sintético que substitui o T4. As doses variam conforme idade, peso e exames de controle.
- Hipertireoidismo: pode incluir medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia. Enquanto o tratamento não faz efeito total, betabloqueadores ajudam a controlar sintomas como taquicardia e tremores.
Ouça seu corpo — e sua tireoide
A boa notícia é que, com o diagnóstico e o tratamento corretos, é possível levar uma vida totalmente normal. O segredo está em reconhecer os sinais e buscar acompanhamento médico.
Seja o metabolismo lento do hipotireoidismo ou o ritmo acelerado do hipertireoidismo, o importante é entender que o corpo fala — e a tireoide é uma das vozes mais poderosas dessa conversa.
[Fonte: Olhar digital]