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Ciência

Hipotireoidismo ou hipertireoidismo? Entenda as diferenças e sintomas

A tireoide é uma pequena glândula, mas com um poder enorme sobre o nosso corpo. Quando ela trabalha demais ou de menos, tudo sai do eixo — do peso ao humor. Entenda as diferenças entre hipotireoidismo e hipertireoidismo, suas causas, sintomas e tratamentos, e veja como identificar quando o seu corpo pede ajuda.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Se você sente cansaço constante, mudanças inexplicáveis de peso ou alterações no humor, pode ser que sua tireoide esteja tentando mandar um recado. Essa glândula, que fica na base do pescoço e tem formato de borboleta, regula o metabolismo — e quando ela falha, o corpo inteiro sente o impacto.

Tireoide: o motor do corpo humano

A tireoide produz dois hormônios essenciais: T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Eles funcionam como o “combustível” que faz o corpo operar. Quando há desequilíbrio nessa produção, surgem duas condições opostas: hipotireoidismo, quando a glândula trabalha devagar, e hipertireoidismo, quando ela entra em modo turbo.

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), qualquer variação na atividade da tireoide afeta diretamente o metabolismo, a energia, o humor, o peso e até a fertilidade.

O que é o hipotireoidismo?

No hipotireoidismo, a tireoide fica “preguiçosa”, produzindo menos hormônios do que o corpo precisa. Isso faz o metabolismo desacelerar e o organismo entrar em modo de economia.

Principais causas:

  • Doença de Hashimoto, uma reação autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria glândula;
  • Cirurgias ou tratamentos com iodo radioativo, que reduzem a produção hormonal;
  • Deficiência de iodo, rara em países que usam sal iodado;
  • Falha na hipófise, que deixa de estimular a tireoide corretamente.

Sintomas mais comuns:

  • Cansaço e desânimo persistentes;
  • Ganho de peso, mesmo sem comer mais;
  • Sensação de frio constante;
  • Pele seca, queda de cabelo e unhas fracas;
  • Prisão de ventre;
  • Dificuldade de concentração e humor deprimido;
  • Inchaço no rosto e voz rouca.

Em idosos, o hipotireoidismo pode passar despercebido, já que seus sintomas se confundem com o envelhecimento natural.

O que é o hipertireoidismo?

Já no hipertireoidismo, a tireoide resolve “acelerar demais” e libera hormônios em excesso. O resultado é um corpo em modo turbo — o coração dispara, o metabolismo vai às alturas e a perda de peso vem mesmo sem dieta.

Principais causas:

  • Doença de Graves, a forma autoimune mais comum;
  • Nódulos na tireoide, que produzem hormônios por conta própria;
  • Tireoidite, inflamação que libera hormônios armazenados;
  • Excesso de iodo em suplementos ou exames com contraste.

Sintomas mais comuns:

  • Perda de peso rápida com apetite aumentado;
  • Ansiedade, irritabilidade e tremores;
  • Taquicardia e palpitações;
  • Suor excessivo e intolerância ao calor;
  • Queda de cabelo e insônia;
  • Fraqueza muscular e evacuações frequentes.

Em pessoas idosas, o chamado “hipertireoidismo apático” é mais sutil: o cansaço e a fraqueza aparecem sem os sinais clássicos de agitação. Casos graves e não tratados podem evoluir para tempestade tireoidiana, uma emergência médica com febre alta e risco cardíaco.

Por que o hipotireoidismo engorda e o hipertireoidismo emagrece?

Tudo gira em torno do metabolismo — o conjunto de reações químicas que transformam o que comemos em energia.

No hipertireoidismo, os hormônios em excesso aceleram o metabolismo, fazendo o corpo queimar mais calorias e até degradar músculos e gordura.

No hipotireoidismo, o ritmo desacelera e o corpo começa a poupar energia, armazenando gordura e retendo líquidos.

A American Thyroid Association (ATA) explica que o controle do gasto energético é uma das funções mais importantes dos hormônios da tireoide — e é justamente isso que faz as duas doenças terem efeitos tão opostos.

Diagnóstico simples, tratamento eficaz

O diagnóstico é feito com um exame de sangue que mede os níveis de TSH, T3 e T4.

No hipotireoidismo, o TSH está alto e o T4 baixo.

No hipertireoidismo, o TSH está baixo e os hormônios estão elevados.

O endocrinologista pode solicitar exames complementares, como dosagem de anticorpos (para detectar causas autoimunes) ou ultrassonografia da tireoide (para avaliar nódulos e inflamações).

Tratamento:

  • Hipotireoidismo: reposição com levotiroxina, um hormônio sintético que substitui o T4. As doses variam conforme idade, peso e exames de controle.
  • Hipertireoidismo: pode incluir medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou cirurgia. Enquanto o tratamento não faz efeito total, betabloqueadores ajudam a controlar sintomas como taquicardia e tremores.

Ouça seu corpo — e sua tireoide

A boa notícia é que, com o diagnóstico e o tratamento corretos, é possível levar uma vida totalmente normal. O segredo está em reconhecer os sinais e buscar acompanhamento médico.

Seja o metabolismo lento do hipotireoidismo ou o ritmo acelerado do hipertireoidismo, o importante é entender que o corpo fala — e a tireoide é uma das vozes mais poderosas dessa conversa.

[Fonte: Olhar digital]

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