Pular para o conteúdo
Ciência

Hubble Atinge o ‘Alvo Perfeito’: Uma Galáxia Com um Recorde de 9 Anéis

Uma galáxia no universo distante apresenta nove anéis ao seu redor, e, graças ao telescópio Hubble, os cientistas agora sabem o motivo.
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

O Telescópio Espacial Hubble capturou uma imagem impressionante no espaço: a LEDA 1313424, conhecida como Galáxia Alvo, que é aproximadamente 2,5 vezes maior que a Via Láctea.

Apesar de seu tamanho expressivo, fotografar essa galáxia foi um verdadeiro desafio. A Galáxia Alvo está situada a 567 milhões de anos-luz da Terra, o que a torna um objeto distante e difícil de registrar em detalhes. No entanto, o Hubble, veterano na captura de imagens de galáxias, revelou mais anéis ao redor da Galáxia Alvo do que se conhecia anteriormente.

Agora, sabe-se que essa galáxia possui nove anéis, dos quais oito são visíveis pelo Hubble. A existência do nono anel foi confirmada com dados do Observatório W. M. Keck. Isso significa que a Galáxia Alvo tem seis anéis a mais do que qualquer outra galáxia conhecida.

Como os anéis se formaram?

Mais impressionante do que a quantidade de anéis é a forma como eles se formaram. Os pesquisadores acreditam que uma pequena galáxia anã azul atravessou a Galáxia Alvo há cerca de 50 milhões de anos, criando os anéis da mesma forma que uma pedra jogada em um lago produz ondas concéntricas.

“O Hubble consegue ver mais anéis do que observações anteriores por causa de sua alta resolução espacial, permitindo distinguir separações entre anéis que, em observações terrestres, aparecem como um único anel”, explicou Pieter G. van Dokkum, astrônomo da Universidade de Yale e coautor do estudo publicado na The Astrophysical Journal Letters.

A colisão galáctica causou a dispersão de gases, poeira e estrelas, formando uma rara estrutura concéntrica. No entanto, a pequena galáxia anã azul não foi destruída no impacto; ela ainda pode ser vista como uma mancha próxima à esquerda da Galáxia Alvo na imagem. Curiosamente, a própria galáxia só adquiriu esse formato após a colisão, que desencadeou a formação de novas estrelas. Atualmente, as duas galáxias estão separadas por cerca de 130 mil anos-luz.

De acordo com um comunicado do Observatório Keck, os cientistas suspeitam que um décimo anel tenha existido, mas que desapareceu ao longo do tempo e poderia estar localizado três vezes mais distante do que o anel mais externo visível atualmente.

O formato real da Galáxia Alvo

“Se olhássemos diretamente para a galáxia, os anéis pareceriam circulares, com os mais próximos ao centro mais compactados e os mais distantes espaçados progressivamente”, afirmou Imad Pasha, doutorando da Universidade de Yale e autor principal do estudo, em um comunicado da NASA.

Assim, a Galáxia Alvo não possui um padrão perfeito de círculos concéntricos, mas continua sendo um espetáculo impressionante e uma janela para eventos galácticos passados.

O futuro das observações galácticas

Com o lançamento do Telescópio Espacial Roman previsto para maio de 2027, novas colisões galácticas podem ser reveladas. “Acredito que alguns dos resultados mais surpreendentes do Roman virão simplesmente da análise de imagens. Quando soubermos o que procurar, a inteligência artificial e outras técnicas automatizadas poderão identificar objetos incríveis com velocidade e eficiência impressionantes”, acrescentou van Dokkum. “Mas, antes de sabermos o que existe lá fora, são frequentemente os olhos humanos que detectam coisas totalmente novas.”

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados