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Tecnologia

IA proibida! O que a China está tentando controlar — e por quê

Com mais de 13 milhões de candidatos tentando entrar na universidade, a China decidiu cortar pela raiz o risco de trapaças tecnológicas. Um bloqueio nacional de chatbots de IA mostra até onde um governo pode ir para preservar a “justiça” nos exames — mesmo que isso gere revolta.
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Tempo de leitura: 2 minutos

O exame nacional chinês, conhecido como gaokao, é uma das provas mais desafiadoras do mundo. Em uma sociedade que valoriza intensamente o desempenho acadêmico, o risco de trapaça por meio da inteligência artificial levou o governo e empresas de tecnologia a uma decisão inédita: desativar temporariamente funcionalidades dos principais chatbots em todo o país. A medida levanta questões sobre privacidade, vigilância e o uso desigual da tecnologia.

Um corte nacional para frear a IA

De acordo com a Bloomberg, empresas como Alibaba (Qwen), ByteDance (Doubao), Tencent (Yuanbao), Moonshot (Kimi) e DeepSeek bloquearam temporariamente funções de reconhecimento de imagem e assistência textual. O motivo? Impedir que os alunos usem IA para resolver questões do gaokao, o exame que define o acesso às universidades chinesas.

Durante os horários de prova, os usuários que tentam enviar imagens ou solicitar ajuda para questões são alertados de que estão violando as regras. Em alguns casos, os próprios chatbots respondem: “Esta função está desativada para garantir a justiça nos exames de ingresso”.

Reações online e frustração estudantil

Embora as empresas não tenham anunciado publicamente a restrição, estudantes relataram nas redes sociais que as funções foram bloqueadas sem aviso. Muitos demonstraram nervosismo e frustração por não poderem acessar os recursos a que estavam acostumados. Um comentário no Weibo, rede social chinesa, expressa bem o clima: “Tenho que reinstalar o ChatGPT agora. Espero que todos entrem na pior universidade possível”.

O gaokao é extremamente rigoroso: dura cerca de nove horas, distribuídas em três dias, e os candidatos não podem usar celulares ou computadores. Ainda assim, o governo chinês preferiu não arriscar — e cortou o acesso à IA de forma preventiva.

Monitoramento com IA: só para quem aplica a prova

Enquanto os alunos estão proibidos de usar IA, as autoridades educacionais não só podem como estão utilizando esses sistemas. O China Daily informou que centros de aplicação de exames estão equipados com tecnologia de vigilância baseada em inteligência artificial para detectar comportamentos suspeitos.

Sistemas avançados identificam gestos discretos, olhares trocados e até sussurros entre candidatos — sinais que um fiscal humano talvez não notasse. A IA, nesse contexto, não é apenas uma ameaça à integridade do exame, mas também sua guardiã.

Com milhões de jovens disputando vagas limitadas, a China deixa claro: na guerra contra a cola digital, vale tudo — até silenciar a própria inteligência artificial.

Fonte: Gizmodo ES

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