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Ciência

Iceberg de gordura de 100 toneladas entope esgoto de Londres

Imagine caminhar pelas ruas de Londres enquanto, logo abaixo dos seus pés, um verdadeiro monstro se forma dentro dos túneis de esgoto. Foi exatamente isso que as autoridades britânicas encontraram na zona leste da capital: um gigantesco “iceberg de gordura” com cerca de 100 toneladas, capaz de bloquear parcialmente o sistema subterrâneo da cidade.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A descoberta aconteceu sob o distrito de Whitechapel e reacendeu um alerta antigo — e nojento — sobre o que realmente acontece quando restos de comida, óleo e gordura vão parar no ralo.

Um bloco do tamanho de um prédio

Iceberg de gordura de 100 toneladas entope esgoto de Londres
© https://x.com/standardnews/

Segundo a Thames Water, empresa responsável pelo saneamento de Londres, o fatberg — termo usado para essas formações — tem aproximadamente 100 metros de comprimento. Ele é composto por gordura, óleo, graxa e resíduos sólidos que se solidificam ao longo do tempo dentro dos canos.

A remoção completa do bloco pode levar semanas. E o aviso da empresa é direto: o que desce pelo cano não desaparece magicamente. Pelo contrário, se acumula — e vira um problema caro.

Por que esses “fatbergs” surgem?

O fenômeno acontece quando gordura quente, despejada na pia, esfria dentro do encanamento. Ela se solidifica e age como uma cola, prendendo papel, restos de comida e outros resíduos. Com o tempo, isso cresce até virar um verdadeiro iceberg subterrâneo.

De acordo com a Thames Water, os meses de dezembro e janeiro concentram o maior número de casos. Coincidência? Não. Festas de fim de ano, mais comida, mais óleo descartado de forma errada.

“Ele não desaparece, só cresce”

Tim Davies, chefe de operações do norte de Londres, foi direto ao comentar o caso. Segundo ele, o novo fatberg mostra exatamente o que acontece quando gordura, óleo e papel descem pelo encanamento: eles não somem, apenas se acumulam.

O impacto financeiro também é pesado. O custo anual para limpar bloqueios e reparar danos no sistema de esgoto chega a dezenas de milhões de libras — dinheiro que, no fim das contas, sai do bolso dos consumidores.

Um velho conhecido de Whitechapel

O bloco recém-descoberto ganhou o apelido de “neto” de um famoso iceberg de gordura encontrado na mesma região em 2017. Na época, o fatberg tinha 130 toneladas e mais de 250 metros de comprimento, sendo um dos maiores já registrados em Londres.

A repercussão foi tão grande que uma amostra chegou a ser exibida no Museum of London, atraindo milhares de visitantes curiosos — e corajosos.

O que dá para fazer em casa?

A Thames Water reforça algumas medidas simples que ajudam a evitar novos monstros no esgoto: raspar restos de comida dos pratos antes de lavar, usar protetores de ralo e nunca despejar óleo, gordura, molhos ou caldos na pia.

Pode parecer detalhe, mas faz toda a diferença.

No fim das contas, o iceberg de gordura de Londres funciona como um alerta subterrâneo. Aquilo que a gente não vê continua ali — crescendo, endurecendo e esperando o momento certo para virar um problemão. Entender isso agora pode evitar um caos (e um cheiro terrível) depois.

[Fonte: G1 – Globo]

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