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Ciência

Caldo de algas viralizou nas redes, mas será que ele faz mesmo tudo o que prometem?

O caldo de algas virou o novo queridinho do TikTok e do Instagram, cercado por promessas de benefícios à saúde. A ciência confirma algumas vantagens, mas também faz alertas importantes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Depois da febre do caldo de ossos, um novo preparo tradicional da culinária asiática conquistou espaço nas redes sociais. O caldo de algas passou a ser apresentado como uma bebida capaz de reduzir inflamações, fortalecer o intestino e até ajudar no emagrecimento. Mas será que essas promessas resistem às evidências científicas? Especialistas explicam o que realmente se sabe sobre seus benefícios, os possíveis riscos e como consumi-lo de forma segura.

O caldo de algas saiu da culinária asiática para conquistar as redes sociais

Caldo de algas viralizou nas redes, mas será que ele faz mesmo tudo o que prometem?
© Pexels

Embora tenha se tornado tendência recentemente no Ocidente, o caldo de algas está longe de ser uma novidade. Há séculos ele faz parte da alimentação de países como Japão, Coreia e China, especialmente na forma do tradicional dashi, preparado principalmente com a alga kombu e utilizado como base para sopas, molhos e diversos pratos.

O interesse mundial por essa bebida cresceu junto com a popularização da gastronomia asiática, das dietas à base de vegetais e dos chamados alimentos funcionais. Após a pandemia de Covid-19, a busca por alimentos associados à prevenção de doenças e ao fortalecimento da saúde impulsionou ainda mais sua fama.

Nas redes sociais, porém, o caldo ganhou uma reputação muito mais ambiciosa. Vídeos afirmam que ele combate inflamações, recupera a microbiota intestinal, acelera o metabolismo e favorece o emagrecimento.

Segundo nutricionistas, existe uma diferença importante entre essas promessas e aquilo que a ciência realmente conseguiu comprovar até agora.

O que existe dentro do caldo de algas e por que cada tipo é diferente

Caldo de algas viralizou nas redes, mas será que ele faz mesmo tudo o que prometem?
© Pexels

O caldo é preparado aquecendo lentamente as algas em água, evitando que ela entre em ebulição. Esse método ajuda a preservar parte dos compostos sensíveis ao calor e intensifica o sabor umami, característico desse ingrediente.

Ao contrário do caldo de ossos, rico em proteínas e colágeno, o caldo de algas praticamente não contém proteínas nem gorduras. Seu destaque está na concentração de minerais como iodo, magnésio, cálcio e potássio, além de pequenas quantidades de antioxidantes, fibras solúveis e compostos bioativos.

Entretanto, nem todas as algas apresentam a mesma composição nutricional.

A kombu, por exemplo, concentra grandes quantidades de iodo e alginatos. A wakame se destaca pela presença de carotenoides, como a fucoxantina. Já a nori oferece uma proporção relativamente maior de proteínas.

Existem ainda espécies locais utilizadas em diferentes países, que também podem servir para preparar esse tipo de caldo, ampliando as possibilidades sem depender exclusivamente de ingredientes importados.

O que a ciência realmente comprovou sobre seus benefícios

Grande parte da popularidade do caldo de algas surgiu antes que existissem estudos específicos sobre ele.

Segundo especialistas, a maioria das pesquisas disponíveis foi realizada com as algas inteiras ou com extratos altamente concentrados, e não com o caldo preparado em casa.

Mesmo assim, algumas conclusões já podem ser tiradas.

Durante o preparo, diversos compostos passam da alga para o líquido, entre eles minerais, antioxidantes, glutamato natural e polissacarídeos bioativos. Outros nutrientes importantes permanecem nas próprias algas, como boa parte da fibra insolúvel, proteínas estruturais e vitaminas lipossolúveis.

Por isso, nutricionistas recomendam consumir não apenas o caldo, mas também as algas utilizadas no preparo, sempre que forem próprias para alimentação.

Quanto às promessas mais populares das redes sociais, as evidências ainda são limitadas.

Não há comprovação de que beber caldo de algas reduza a inflamação do organismo em seres humanos. Alguns compostos apresentaram efeito anti-inflamatório em estudos laboratoriais e com animais, mas isso não significa que o mesmo aconteça após o consumo da bebida.

O mesmo vale para o emagrecimento. Como possui poucas calorias, o caldo pode aumentar a sensação de saciedade ou substituir refeições mais pesadas, mas não existe evidência de que ele acelere a queima de gordura.

A área mais promissora envolve a saúde intestinal. As algas contêm fibras que atuam como prebióticos, alimentando bactérias benéficas da microbiota. No entanto, boa parte dessas fibras permanece na própria alga, reduzindo esse benefício quando apenas o líquido é consumido.

O excesso de iodo pode transformar um alimento saudável em um problema

Apesar dos benefícios nutricionais, o caldo de algas exige alguns cuidados.

O principal deles envolve o alto teor de iodo presente em algumas variedades, especialmente a kombu.

O iodo é essencial para o funcionamento da tireoide, mas seu excesso pode provocar alterações hormonais, favorecer quadros de hipotireoidismo ou hipertireoidismo e agravar doenças autoimunes em pessoas predispostas.

Especialistas recomendam atenção redobrada para gestantes, lactantes, pessoas com doenças da tireoide, pacientes em uso de medicamentos como levotiroxina ou amiodarona e indivíduos com insuficiência renal.

Outro aspecto importante é a origem das algas.

Como atuam como bioacumuladoras, elas absorvem não apenas minerais benéficos, mas também contaminantes presentes na água, incluindo metais pesados como arsênio, cádmio e chumbo.

Por isso, a recomendação é adquirir produtos de fabricantes confiáveis, com origem certificada e controle sanitário.

Na prática, o caldo de algas pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, especialmente para quem segue dietas à base de vegetais ou procura preparações leves e nutritivas.

No entanto, especialistas reforçam que ele não deve ser encarado como um alimento milagroso nem substituir uma dieta variada. Para adultos saudáveis, um consumo moderado de uma ou duas porções semanais costuma ser suficiente, sempre dentro de uma alimentação equilibrada.

[Fonte: El Comerio]

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