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Ciência

Imagens inéditas revelam comportamento de chimpanzés com frutas alcoólicas fermentadas – Veja o vídeo!

Pesquisadores captaram, pela primeira vez, chimpanzés selvagens consumindo e compartilhando frutas naturalmente fermentadas. O comportamento pode estar ligado à construção de laços sociais e levanta questões intrigantes sobre as origens evolutivas dos hábitos humanos relacionados ao consumo de álcool.
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Tempo de leitura: 2 minutos

No coração da floresta da Guiné-Bissau, uma descoberta curiosa está chamando a atenção do mundo científico. Pela primeira vez, câmeras registraram chimpanzés selvagens comendo frutas naturalmente fermentadas e, mais surpreendente ainda, compartilhando-as entre si. A pesquisa, liderada pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, pode lançar luz sobre as origens evolutivas de comportamentos sociais ligados ao consumo de álcool entre humanos.

Frutas fermentadas e laços sociais

As câmeras instaladas no Parque Nacional de Cantanhez foram acionadas por movimento e registraram, em 10 ocasiões diferentes, chimpanzés consumindo fruta-pão africana com sinais de fermentação. Os testes revelaram que os frutos tinham até 0,61% de teor alcoólico. Embora esse índice seja considerado baixo, o fato de esses animais terem uma dieta composta em grande parte por frutas levanta a hipótese de um consumo relativamente relevante.

Mais do que a ingestão em si, o que surpreendeu os pesquisadores foi o ato de compartilhar as frutas. “Chimpanzés nem sempre compartilham comida. Isso pode indicar que há algo socialmente significativo nesse comportamento”, explicou Kimberley Hockings, uma das autoras do estudo. A hipótese é que, assim como os humanos, os chimpanzés estejam utilizando o ato de partilhar o alimento como forma de reforçar vínculos sociais.

Consumo intencional ou coincidência?

Apesar da fermentação natural, os cientistas ainda não sabem se os chimpanzés buscam deliberadamente esse tipo de fruta ou se o consumo é apenas circunstancial. Anna Bowland, do Centro de Ecologia e Conservação da Universidade de Exeter, sugere que os benefícios associados ao álcool em humanos — como liberação de dopamina e sensação de prazer — poderiam também desempenhar um papel semelhante entre os animais.

No entanto, os pesquisadores ponderam que, caso os chimpanzés realmente tivessem o hábito de se intoxicar, isso afetaria suas habilidades de sobrevivência. Portanto, a ideia de que os animais ficam “bêbados” é considerada improvável.

Possíveis origens de um costume humano

A descoberta abre espaço para reflexões mais amplas. Será que a prática de consumir e compartilhar bebidas fermentadas, tão comum em celebrações humanas, pode ter raízes evolutivas profundas? “Se esse comportamento representa uma forma primitiva de banquete, isso sugere que a tradição humana de festejar talvez tenha começado muito antes do que imaginávamos”, conclui Hockings.

Essa observação rara e fascinante marca um novo capítulo nos estudos sobre comportamento animal e contribui para compreender como os vínculos sociais evoluíram entre nossos ancestrais e parentes mais próximos.

[Fonte: Um só planeta]

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