Um incêndio de grandes proporções atingiu um complexo de arranha-céus residenciais em Hong Kong e se tornou o pior desastre do tipo na cidade em quase três décadas. O fogo, que começou na tarde de quarta-feira, se espalhou com extrema rapidez por blocos em obras de renovação. Enquanto autoridades tentam concluir as buscas, centenas de familiares se concentram em hospitais e centros de acolhimento, na esperança de localizar os desaparecidos. A tragédia mobiliza governo, bombeiros e empresas.
Avanço das chamas e a dimensão da tragédia
Incêndio em conjunto de arranha-céus deixa quase 300 pessoas desaparecidas em Hong Kong; número de mortos ultrapassa 40.
Região semiautônoma da China, Hong Kong não via um incêndio de nível cinco, o mais grave, há quase 20 anos.
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— Jornal Nacional (@jornalnacional) November 27, 2025
Segundo os serviços de emergência, o número de mortos chegou a 65, com pelo menos 70 feridos internados em condições variadas e mais de 279 moradores ainda sem contato. As sete torres atingidas fazem parte do conjunto Wang Fuk Court, que possui quase 2.000 apartamentos e abriga cerca de 4.000 pessoas. O chefe do Executivo, John Lee, afirmou que o incêndio já está “totalmente sob controle”, embora equipes sigam atuando em escombros e áreas de risco.
A propagação foi descrita como anormalmente veloz. O fogo atingiu sete dos oito blocos de 31 andares e se tornou o maior desastre urbano desde o incêndio do edifício comercial Garley, em 1996, que deixou 41 mortos. A velocidade das chamas surpreendeu até mesmo equipes experientes do Corpo de Bombeiros, que apontam que o material utilizado nas reformas externas influenciou diretamente no agravamento da situação.
Materiais inflamáveis e obras em andamento
As investigações preliminares indicam que a obra de renovação, iniciada em julho de 2024, teria utilizado andames de bambu revestidos com lonas, redes de segurança e placas de poliestireno expandido — material leve, mas altamente inflamável. Isso teria criado um cenário ideal para o avanço das chamas verticalmente, conectando pavimentos em poucos minutos.
O custo do projeto de renovação estava estimado em 330 milhões de dólares hongkongueses (cerca de R$ 211 milhões), e já havia gerado críticas entre moradores antes do acidente. Agora, autoridades classificam o comportamento do fogo como “incomum” e afirmam ter encontrado extensas quantidades de poliestireno nos blocos destruídos. A retirada segura dos escombros é um desafio adicional devido ao risco de colapso parcial das estruturas.
Operação de resgate em centenas de frentes
Até a manhã de quinta-feira, após quase dez horas consecutivas de trabalho, o fogo havia sido controlado na maior parte do complexo. Mais de 1.250 bombeiros, 304 veículos, 26 unidades especializadas e quatro drones fazem parte das equipes que seguem vasculhando apartamentos, escadas e áreas comuns.
A queda de partes do andaime forçou a operação a avançar com cautela. A prioridade é localizar sobreviventes, remover áreas instáveis e resfriar pontos ainda ativos. O esforço de busca ocorre andar por andar, com voluntários auxiliando na triagem e no acolhimento de famílias que aguardam notícias.
Prisões e investigação sobre responsabilidades
Três profissionais da empresa responsável pelas obras — dois diretores e um consultor de engenharia — foram detidos sob acusação de homicídio culposo. A polícia também realizou buscas nas sedes administrativas do condomínio e na casa de um dos suspeitos, investigando possíveis irregularidades no projeto e na certificação dos materiais usados.
O governo suspendeu toda a agenda eleitoral relacionada ao Conselho Legislativo, previsto para 7 de dezembro, e avalia adiar a votação. John Lee classificou o incêndio como uma “catástrofe massiva” e ordenou inspeções imediatas em todos os edifícios em obras em Hong Kong, com foco na segurança de andaimes e revestimentos.
Solidariedade e alerta para o futuro
Empresas e fundações anunciaram doações milionárias para apoio às vítimas. A Fundação Jack Ma, Alibaba e Ant Group destinaram 60 milhões de dólares hongkongueses, enquanto gigantes como BYD, NetEase, ByteDance, Trip.com e Didi contribuiram com 10 milhões cada. O movimento expressa a comoção diante de uma tragédia que expõe a vulnerabilidade de uma das cidades mais densas do planeta, com 7,5 milhões de habitantes concentrados majoritariamente em prédios altos.
O desastre amplia o debate sobre segurança em arranha-céus e reforça a necessidade de normas mais rígidas para reformas externas. Em uma metrópole onde milhares vivem dezenas de andares acima do solo, qualquer falha pode transformar um incêndio em uma tragédia de proporções imensuráveis.
[ Fonte: DW ]