Pular para o conteúdo
Ciência

Indústria de alimentos da América Latina questiona critérios usados para classificar ultraprocessados

Entidade defende que nível de processamento não seja usado isoladamente para determinar a qualidade nutricional dos alimentos
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A indústria de alimentos e bebidas da América Latina quer mudar a forma como produtos ultraprocessados são classificados. A Aliança Latino-Americana de Associações da Indústria de Alimentos e Bebidas (ALAIAB) afirma que considerar apenas o grau de processamento pode levar a avaliações incompletas sobre a qualidade nutricional.

A discussão acontece enquanto diferentes países da região adotam medidas para reduzir ingredientes associados a problemas de saúde. O Panamá iniciou, em 2022, um plano para diminuir o sódio e eliminar gorduras trans. Entre 2000 e 2020, a indústria de bebidas também retirou 144 mil toneladas de açúcar de produtos comercializados no Brasil.

Indústria questiona definição de ultraprocessados

Ultraprocesados
© Vincent L – Unsplash

Segundo a ALAIAB, classificar alimentos exclusivamente pelo nível de processamento físico apresenta limitações metodológicas.

Juliana Cortez, diretora de Assuntos Públicos, Comunicação e Sustentabilidade da organização, argumenta que o processamento, por si só, não determina a qualidade nutricional de um produto.

A entidade defende que políticas públicas e regulamentações considerem evidências científicas e critérios objetivos na avaliação dos alimentos.

O posicionamento ocorre em um cenário no qual o consumo excessivo de sódio e gorduras trans está associado a uma maior carga de doenças não transmissíveis.

Em muitos países, uma parcela significativa do sódio consumido pela população vem de alimentos processados e ultraprocessados, incluindo carnes processadas, pães embalados, molhos, condimentos e queijos.

Cinco critérios para avaliar os alimentos

Como alternativa, a ALAIAB propõe um modelo baseado em cinco dimensões mensuráveis.

A primeira seria o perfil nutricional de cada alimento, considerando quantidades de açúcar, sódio, gorduras, fibras e proteínas. A segunda analisaria a densidade de nutrientes, enquanto a terceira levaria em consideração o tamanho recomendado das porções.

Os outros dois critérios são mais técnicos.

Um deles é a segurança dos alimentos, verificada por padrões e sistemas como HACCP e ISO 22000. O outro é a biodisponibilidade dos nutrientes, ou seja, quanto desses componentes pode efetivamente ser absorvido e utilizado pelo organismo.

A organização também destaca o papel da tecnologia e de ingredientes avaliados por instituições independentes, como o Comitê Conjunto FAO/OMS de Especialistas em Aditivos Alimentares (JECFA).

Na avaliação da entidade, considerar esses fatores permitiria criar regras mais claras para consumidores e empresas, além de reduzir possíveis barreiras técnicas ao comércio entre países latino-americanos.

Açúcar e sódio já foram reduzidos em alguns produtos

Ultraprocessados1
© Freepik

A ALAIAB também aponta iniciativas de reformulação realizadas pela indústria nos últimos anos.

Entre 2000 e 2020, segundo dados apresentados pela organização, houve uma redução de 18,6% no açúcar e de 15,4% nas calorias presentes em bebidas não alcoólicas na região.

No Brasil, esse processo teria resultado na retirada de aproximadamente 144 mil toneladas de açúcar. Na Costa Rica, a indústria afirma ter alcançado 87% das metas estabelecidas para redução de sódio.

Esses números são apresentados pela ALAIAB como exemplos de mudanças que podem ser realizadas por meio da reformulação dos produtos.

Desperdício de alimentos também entra na discussão

Outro desafio para a indústria alimentícia latino-americana é reduzir o desperdício.

Quando um alimento é perdido antes de chegar ao consumidor ou descartado sem ser consumido, também são desperdiçados os recursos utilizados em sua produção. Isso inclui água, terra, energia, mão de obra e capital.

O impacto continua depois do descarte. Alimentos enviados para aterros sanitários podem gerar gases de efeito estufa durante sua decomposição, contribuindo para as mudanças climáticas.

A perda e o desperdício também afetam a segurança alimentar, diminuem a disponibilidade de comida e podem pressionar os custos ao longo da cadeia.

Por isso, organismos internacionais defendem estratégias integradas para reduzir essas perdas desde a produção até o consumo.

A discussão sobre ultraprocessados, portanto, acontece dentro de um desafio mais amplo: encontrar maneiras de tornar o sistema alimentar mais saudável e, ao mesmo tempo, acessível, eficiente e sustentável.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados