O presidente Lula desembarca esta semana em Buenos Aires para participar da Cúpula do Mercosul, marcada para os dias 2 e 3 de julho. Esta é sua primeira visita à Argentina desde que Javier Milei assumiu a presidência. Com a liderança do bloco passando ao Brasil, Lula chega com uma agenda ambiciosa, voltada à integração econômica, segurança regional e ação climática coordenada.
Brasil assume a presidência do Mercosul

A Cúpula marca a transição da presidência rotativa do Mercosul da Argentina para o Brasil, que ficará à frente do bloco até o fim de 2025. Criado em 1991, o Mercosul busca promover a livre circulação de bens, serviços e pessoas, mas enfrenta obstáculos como burocracia, entraves comerciais e diferenças econômicas entre os países membros.
Com a nova liderança, o governo brasileiro quer reforçar a cooperação regional e acelerar medidas estratégicas em temas como segurança pública, integração comercial e sustentabilidade.
Segurança regional como prioridade
Um dos focos centrais do encontro será o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. A embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, destacou que a cooperação em segurança será tratada como prioridade estratégica. A ideia é reforçar a integração entre agências de inteligência e fortalecer o enfrentamento conjunto a ameaças transnacionais.
Comércio regional e acordos estratégicos
A integração econômica também estará em pauta. O Brasil defenderá avanços no acordo Mercosul-União Europeia e medidas para facilitar o comércio interno no bloco. Uma das propostas envolve a ampliação da Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (LETEC), que permite alíquotas diferenciadas para certos produtos, com o objetivo de dinamizar setores estratégicos e reduzir barreiras entre os países.
Recentemente, os membros do bloco aprovaram a inclusão de 50 novos códigos tarifários na LETEC, sinalizando abertura para maior flexibilidade comercial.
Setores automotivo e açucareiro no radar
O governo brasileiro também pretende impulsionar uma política industrial integrada no setor automotivo. Hoje, as regras são definidas por acordos bilaterais, principalmente com a Argentina. A meta é criar um marco regional, o que pode favorecer a expansão da indústria e aumentar a competitividade do bloco.
No setor açucareiro, o Brasil propõe integrar produtos de maior valor agregado nas cadeias produtivas regionais — como biscoitos e bolos — ampliando o comércio sem prejudicar a produção dos demais países. O Brasil responde por mais de 90% da produção de açúcar no Mercosul, enquanto Argentina, Paraguai e Bolívia produzem volumes menores voltados ao consumo interno.
Clima e agricultura sustentável
Ministros do Meio Ambiente dos países-membros devem se reunir paralelamente para lançar o programa “Mercosul Verde”. A iniciativa busca promover a agricultura de baixo carbono e impulsionar exportações sustentáveis do agronegócio regional.
Além disso, está prevista a elaboração de uma declaração conjunta para ser apresentada na COP30, reforçando o compromisso do Mercosul com o enfrentamento da crise climática global.
Consolidação da entrada da Bolívia
A Bolívia, incorporada ao Mercosul em 2023, ainda está em processo de adaptação às normas do bloco. O país tem quatro anos para implementar as regras internas e adotar a Tarifa Externa Comum (TEC). O Brasil, que apoiou a adesão boliviana, deve defender a conclusão desse processo como um passo importante para fortalecer a integração regional.
[ Fonte: G1.Globo ]