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Ciência

Magnésio realmente ajuda a dormir melhor? Entenda o que a ciência diz

Promessas de sono profundo, relaxamento instantâneo e fim da ansiedade tomaram conta das redes sociais. Em vídeos e posts virais, o magnésio aparece como a solução simples e acessível para quem sofre com insônia. Mas será que esse mineral entrega tudo isso mesmo? Ou estamos diante de mais um hype do bem-estar?
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Tempo de leitura: 3 minutos

Por que o magnésio virou o queridinho da internet

O magnésio não é novidade para a ciência. Ele é um mineral essencial para o funcionamento do corpo humano, participando de centenas de reações bioquímicas. Atua na saúde neurológica, no ritmo cardíaco, na contração muscular e no equilíbrio do sistema nervoso.

Essa ligação com o relaxamento abriu espaço para que o magnésio fosse associado diretamente ao sono. Em um cenário em que milhões de pessoas lidam com insônia, ansiedade e cansaço crônico, a promessa de um suplemento “natural” soa tentadora.

Segundo a psicóloga do sono Nathalia Padilla, do Instituto Johns Hopkins, essa narrativa encontra terreno fértil. Pessoas passam anos tentando dormir melhor e acabam atraídas por soluções simples, baratas e amplamente divulgadas. O problema começa quando estudos isolados são vendidos como milagres.

Magnésio ajuda a dormir ou não?

Magnésio realmente ajuda a dormir melhor? Entenda o que a ciência diz
© Pexels

Aqui entra o alerta. Até o momento, não há comprovação científica sólida de que o magnésio, por si só, trate a insônia em pessoas saudáveis. A literatura científica ainda é limitada e os resultados não permitem afirmar que o suplemento melhora o sono de forma consistente.

Isso não significa que o magnésio não tenha relação alguma com o descanso. Ele participa do sistema GABA, um neurotransmissor responsável por acalmar o cérebro, e pode ajudar a reduzir o cortisol, hormônio ligado ao estresse. Em pessoas com deficiência do mineral, a reposição pode gerar sensação de relaxamento e melhora indireta do sono.

Mas, como explica o nutricionista Ricardo Calle, isso depende do ponto de partida. Se os níveis de magnésio já estão adequados, o corpo simplesmente elimina o excesso. Não existe “bônus” de sono garantido.

Tipos de magnésio: qual faz diferença?

Quem vai a uma farmácia encontra uma prateleira confusa: citrato, bisglicinato, óxido de magnésio. A principal diferença entre eles está na absorção e na tolerância intestinal.

O citrato costuma ser melhor absorvido, enquanto o bisglicinato pode causar menos desconforto gastrointestinal em algumas pessoas. Já o óxido tem absorção menor. Mas especialistas reforçam: o mais importante é olhar no rótulo a quantidade de magnésio elementar, não apenas o nome do composto.

Um suplemento que anuncia “1.000 mg de citrato de magnésio” não contém 1.000 mg de magnésio puro. Esse detalhe costuma confundir consumidores e pode levar a doses inadequadas.

Quando o suplemento faz sentido — e quando evitar

A recomendação geral é clara: não usar magnésio “às cegas”. Antes de suplementar, é importante avaliar os níveis do mineral no organismo e verificar a função renal. Embora os rins eliminem o excesso, doses altas podem causar problemas, especialmente em pessoas com doenças renais ou cardiovasculares.

A ingestão diária de referência gira em torno de 400 mg de magnésio elementar, somando alimentação e suplementos. Acima disso, podem surgir efeitos como náusea, diarreia, queda da pressão e alterações no ritmo cardíaco.

Para Nathalia Padilla, o suplemento não deve ser visto como tratamento para insônia. Há casos específicos em que ele pode ajudar indiretamente, como em pessoas com cãibras ou espasmos noturnos, mas isso está longe de ser uma solução universal.

Magnésio na alimentação: o caminho mais seguro

A boa notícia é que a maioria das pessoas consegue níveis adequados de magnésio apenas com a alimentação. Dietas equilibradas costumam fornecer o mineral em quantidades suficientes ao longo do dia.

Folhas verdes como espinafre, legumes, frutas, oleaginosas, sementes, peixes como salmão e até alguns laticínios contribuem para essa ingestão. Não existe um “superalimento” mágico — o segredo está na variedade.

Padrões alimentares como a dieta mediterrânea são frequentemente citados por especialistas por combinarem exatamente esses grupos de alimentos.

No fim das contas, o alerta é simples: desconfie de soluções rápidas para problemas complexos como a insônia. O magnésio tem seu papel no corpo, mas não substitui hábitos de sono saudáveis, acompanhamento médico e, quando necessário, tratamento adequado. Antes de seguir a moda das redes sociais, vale perguntar: isso faz sentido para o meu corpo?

[Fonte: Correio Braziliense]

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