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Ciência

Mastigar chiclete pode não ser tão inofensivo quanto parece, diz estudo

Um estudo da Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), mostrou que cada pedaço de chiclete libera milhares de microplásticos durante a mastigação. Esses fragmentos, invisíveis a olho nu, podem se acumular silenciosamente no organismo e trazer riscos ainda pouco compreendidos para a saúde a longo prazo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Mastigar chiclete sempre foi visto como um gesto inofensivo, associado à sensação de frescor, sabor e até higiene bucal. Mas uma nova pesquisa trouxe um alerta inesperado: longe de ser apenas um hábito leve e trivial, o chiclete pode estar nos expondo a níveis preocupantes de microplásticos — partículas que entram no corpo sem que percebamos e que podem permanecer por muito mais tempo do que imaginamos.

Microplásticos a cada mordida

O estudo da UCLA analisou dez marcas diferentes de chicletes, incluindo os de base sintética e aqueles produzidos com resinas naturais. Em todos os casos, os resultados foram claros: ao entrar em contato com a saliva, os chicletes liberavam partículas plásticas.

Em média, foram identificados 100 microplásticos por grama, mas algumas amostras chegaram a 600. Considerando que um chiclete pode pesar entre dois e seis gramas, uma única peça pode liberar até 3.000 partículas em apenas alguns minutos. Cerca de 94% desse total é liberado nos primeiros oito minutos de mastigação — ou seja, quem troca de chiclete com frequência acaba ingerindo ainda mais fragmentos.

Até os “naturais” estão contaminados

Um dos pontos mais preocupantes revelados pela pesquisa é que nem mesmo os chicletes chamados “naturais” escapam desse problema. Isso porque a contaminação pode não estar apenas na base do produto, mas também em processos de fabricação, embalagem e armazenamento.

Isso coloca o chiclete na mesma categoria de outras fontes de ingestão invisível de plásticos, como a água engarrafada, os frutos do mar ou até o ar que respiramos. São pequenas quantidades que, isoladamente, parecem insignificantes, mas que ao longo do tempo podem se acumular nos tecidos humanos.

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© Unsplash – [email protected] Tu

Riscos ainda pouco conhecidos

Embora os efeitos exatos dos microplásticos no corpo humano ainda estejam sendo investigados, estudos já os relacionam a inflamações, estresse oxidativo e possíveis alterações celulares. O maior problema está no caráter cumulativo: não é apenas o chiclete, mas a soma de diferentes fontes de exposição cotidiana que aumenta o risco silenciosamente.

O chiclete, portanto, não é a principal via de ingestão, mas contribui para um cenário em que estamos cada vez mais cercados por plásticos microscópicos infiltrados em nossa alimentação.

O que podemos fazer?

Isso não significa que precisamos abandonar o chiclete de vez, mas sim repensar o consumo. Entre as alternativas sugeridas pelos pesquisadores estão prolongar o tempo de mastigação da mesma unidade em vez de trocá-la várias vezes ao dia, reduzir a quantidade ingerida e optar por marcas que adotem processos mais controlados e transparentes.

O estudo da UCLA não apenas lança luz sobre um hábito cotidiano aparentemente inofensivo, mas também reforça a urgência de entender como os microplásticos estão se infiltrando em nossa rotina alimentar. A questão que permanece é: quanto do que ingerimos permanece dentro de nós — e com quais consequências futuras?

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