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Ciência

Menopausa em destaque: quando o discurso do bem-estar esconde mais marketing do que cuidado real

A menopausa ganhou visibilidade, mas junto com informação surgiram promessas fáceis e soluções milagrosas. Um novo alerta de especialistas mostra como diferenciar ciência de marketing, o que realmente funciona nessa fase e quais cuidados ajudam a atravessar esse processo com saúde — e não ilusões.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante muito tempo, a menopausa foi tratada como tabu. Hoje, ela ocupa espaço em conversas públicas, redes sociais e campanhas publicitárias. Esse avanço é positivo, mas trouxe um efeito colateral importante: a transformação de um processo natural da vida feminina em oportunidade comercial. Entender o que é informação confiável e o que é apenas estratégia de venda se tornou essencial para o bem-estar real das mulheres.

O que é menowashing e por que ele preocupa

O termo menowashing descreve o uso de uma linguagem de empoderamento feminino para vender produtos e serviços supostamente voltados à menopausa, sem base científica sólida. Suplementos, cremes e dispositivos prometem “equilibrar hormônios”, “eliminar sintomas” ou até “reverter o envelhecimento”, muitas vezes sem estudos clínicos que sustentem essas afirmações.

Esse fenômeno cresce em um mercado bilionário. Estimativas indicam que o setor movimentou cerca de 17 bilhões de dólares em 2023 e pode ultrapassar 24 bilhões até o final da década. Especialistas alertam que o problema não é falar de menopausa, mas transformar vulnerabilidade em consumo, estimulando automedicação e expectativas irreais.

Como a menopausa é vivida hoje no Brasil

No Brasil, aproximadamente três em cada quatro mulheres relatam sintomas físicos ou emocionais ao se aproximar do climatério. Ondas de calor, alterações no sono, dificuldade de concentração e mudanças na vida sexual estão entre as queixas mais frequentes.

Segundo médicas que acompanham essa fase, a experiência varia muito: algumas mulheres passam pelo período com poucos sintomas, enquanto outras enfrentam desconfortos importantes. O lado positivo é que hoje há mais informação, maior procura por orientação médica e tratamentos baseados em evidência, algo que não existia da mesma forma décadas atrás.

Menopausa real x menopausa vendida

Identificar o menowashing é fundamental. Entre os principais sinais de alerta estão promessas rápidas e universais, produtos que alegam “regular hormônios” sem prescrição médica, suplementos vendidos como totalmente inofensivos por serem “naturais” e campanhas emocionais sem explicações técnicas claras.

A psicologia também entra nesse debate. Especialistas destacam que a maior visibilidade da menopausa é positiva apenas quando vem acompanhada de educação em saúde, e não de slogans vazios que simplificam uma etapa complexa da vida feminina.

Menowashing1
© FreePik

O que a ciência mostra que realmente ajuda

A menopausa não é uma doença, mas um processo fisiológico que pode — e deve — ser acompanhado. Há estratégias eficazes para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Entre os hábitos com respaldo científico estão a prática regular de atividade física, uma alimentação equilibrada, sono adequado, manejo do estresse e a redução do consumo de álcool e tabaco. Evitar alimentos muito quentes ou estimulantes também pode ajudar nos fogachos.

Em termos de tratamento, a terapia hormonal é considerada a abordagem mais eficaz para sintomas moderados a intensos, quando bem indicada e acompanhada por profissional de saúde. Existem ainda alternativas não hormonais, além do uso de lubrificantes e hidratantes vaginais para sintomas geniturinários. O cuidado ideal, reforçam os especialistas, é individualizado e interdisciplinar.

Informação como ferramenta de autonomia

A menopausa pode ser vivida como um período de ajustes, mas também de expansão e autoconhecimento. Para isso, é essencial substituir promessas comerciais por informação confiável. Frente ao menowashing, a melhor estratégia é simples: menos marketing, mais ciência, acompanhamento médico e escuta atenta do próprio corpo.

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