Enquanto os investidores se preparavam para mais um início de semana volátil, um evento político nos Estados Unidos provocou um verdadeiro terremoto nos mercados globais. A expectativa em torno de medidas comerciais anunciadas por Donald Trump causou perdas acentuadas em várias bolsas internacionais — e uma montanha-russa nos principais índices de Nova York.
Uma montanha-russa em Wall Street
O índice S&P 500, referência do mercado americano, conseguiu encerrar o dia em alta de 0,6%, depois de ter caído até 1,7% pela manhã. Com isso, reduziu parcialmente as perdas acumuladas no primeiro trimestre, que ainda somam 4,6% — o pior resultado trimestral em dois anos e meio.
O Dow Jones também reverteu uma forte queda inicial e subiu 417 pontos, equivalente a 1%. Já o índice Nasdaq, pressionado por baixas em gigantes como Tesla e Nvidia, recuou 0,1%.
Essa volatilidade tem sido frequente nos últimos tempos, impulsionada pela incerteza sobre os planos de Trump em relação aos novos arancelos comerciais. O temor é que essas medidas piorem a inflação e afetem negativamente o crescimento econômico dos Estados Unidos e de seus parceiros comerciais.
Reação global: quedas na Ásia e Europa
A apreensão não ficou restrita a Wall Street. As bolsas da Ásia e da Europa também sofreram:
- O Nikkei 225 do Japão caiu 4%
- O Kospi da Coreia do Sul recuou 3%
- O CAC 40 da França teve queda de 1,6%
A fuga dos ativos de risco fez crescer a demanda por refúgios mais seguros. O ouro, por exemplo, subiu novamente, chegando momentaneamente a US$ 3.160 a onça. Os títulos do Tesouro americano também foram procurados, o que elevou seus preços e reduziu os rendimentos: o título de 10 anos caiu de 4,27% para 4,21%, muito abaixo dos 4,80% de janeiro.
O temido “Dia da Libertação”
As atenções agora se voltam para o dia 2 de abril, quando está previsto o início dos arancelos “recíprocos” anunciados por Trump. A proposta é ajustar tarifas com base na carga fiscal que outros países impõem aos produtos americanos — incluindo impostos sobre valor agregado.
Embora ainda não esteja claro quais medidas serão implementadas, economistas do Goldman Sachs projetam um arancel médio de 15%. O banco elevou sua estimativa de inflação e reduziu a de crescimento para o final do ano. A previsão de recessão nos próximos 12 meses subiu para 35%, contra 20% anteriormente, refletindo queda na confiança e sinais de que o governo estaria disposto a suportar impactos econômicos em nome da política comercial.
O que esperar: alívio ou mais turbulência?
Se as medidas de Trump forem mais brandas do que o temido — por exemplo, sem novos aumentos tarifários sobre a China — os mercados podem reagir positivamente. Porém, se os arancelos forem mais severos, as empresas podem começar a cortar custos e demitir, o que ampliaria ainda mais as perdas nas bolsas.
Há ainda a possibilidade de o “Dia da Libertação” não trazer clareza alguma. Analistas do Morgan Stanley alertam que ele pode se transformar apenas em um “ponto de partida para novas negociações”, mantendo a incerteza no ar.
O impacto da incerteza
Mesmo que os arancelos sejam menos agressivos, o simples fato de existirem dúvidas sobre os rumos da política econômica americana já é suficiente para afetar o comportamento de consumidores e empresários. O risco é que, temendo o futuro, ambos passem a gastar menos — o que comprometeria o ritmo sólido da economia registrado no fim do ano passado.
Na sessão de segunda-feira, o S&P 500 encerrou aos 5.611,85 pontos (alta de 30,91), o Dow Jones a 42.001,76 pontos (alta de 417,86), enquanto o Nasdaq recuou 23,70 pontos, fechando em 17.299,29. O mercado segue em compasso de espera, com os olhos voltados para Washington.
Fonte: Infobae