O Mercosul deu um passo importante em sua estratégia de ampliar relações comerciais com a Ásia. Durante a LXVIII Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do bloco, realizada em Assunção, no Paraguai, os países-membros anunciaram o início formal das negociações para um Acordo de Associação Econômica com o Japão. A iniciativa abre caminho para a criação de uma ampla zona de livre comércio entre a América do Sul e uma das maiores economias do planeta.
O acordo ainda está em fase inicial, mas representa um avanço significativo na política externa do bloco, que busca diversificar mercados, aumentar o fluxo de investimentos e reduzir barreiras comerciais em um cenário global marcado por mudanças econômicas e geopolíticas.
Negociações começaram oficialmente em Assunção
O anúncio foi feito durante a reunião que reuniu os presidentes de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de representantes da Bolívia, que está na etapa final do processo de adesão ao Mercosul.
Segundo a declaração conjunta divulgada após a cúpula, o objetivo das negociações é construir um acordo abrangente que facilite o acesso de produtos agrícolas e industriais aos mercados das duas regiões, além de incentivar investimentos, cooperação tecnológica e integração econômica.
A proposta também pretende fortalecer cadeias globais de valor e ampliar os vínculos comerciais e humanos entre o Mercosul e o Japão, país que abriga uma das maiores comunidades de descendentes de sul-americanos e mantém uma relação histórica com diversos países do bloco.
Aproximação começou em 2025
Embora o anúncio oficial tenha ocorrido agora, as bases para esse entendimento começaram a ser construídas em dezembro de 2025, quando Mercosul e Japão assinaram o Marco de Associação Estratégica entre as duas partes.
Desde então, equipes técnicas realizaram duas rodadas de negociações: a primeira em Assunção, em janeiro, e a segunda em Yaoundé, nos Camarões, em março. Nessas reuniões, os negociadores identificaram áreas prioritárias de cooperação e destacaram a necessidade de aprofundar a parceria diante de desafios como a instabilidade econômica internacional e a busca por maior segurança alimentar e das cadeias de abastecimento.
Agora, as conversas entram em uma fase mais ampla, na qual serão discutidos temas relacionados ao comércio, investimentos, regras de origem, tarifas e outros mecanismos necessários para a implementação de um acordo de livre comércio.
Um mercado de 400 milhões de pessoas

Se as negociações forem concluídas com sucesso, a futura área de livre comércio reunirá aproximadamente 400 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado estimado em cerca de US$ 7 trilhões.
O Japão já figura entre os dez maiores parceiros comerciais do Mercosul. Em 2025, o intercâmbio entre as duas partes alcançou US$ 13,7 bilhões, envolvendo principalmente produtos agrícolas, alimentos, matérias-primas, máquinas, equipamentos e veículos.
Os governos envolvidos afirmam que o tratado deverá contemplar todos os temas relacionados ao comércio e aos investimentos, respeitando as particularidades econômicas de cada país para alcançar um resultado equilibrado e mutuamente vantajoso.
Mercosul amplia estratégia de aproximação com a Ásia
Durante a cúpula, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o fortalecimento das relações com a Ásia continuará sendo uma das prioridades do Mercosul. Segundo ele, o bloco também pretende iniciar negociações comerciais com a China em um futuro próximo.
Além do Japão, o Mercosul mantém negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Reino Unido, Indonésia e Malásia, enquanto trabalha para ampliar seu acordo de preferências tarifárias com a Índia.
Na declaração conjunta, Mercosul e Japão ressaltaram que compartilham valores ligados à democracia, ao multilateralismo e à cooperação internacional. Para os negociadores, esses princípios ajudam a criar um ambiente favorável para ampliar a integração econômica, diversificar cadeias globais de suprimentos e fortalecer parcerias estratégicas em setores considerados essenciais para o crescimento sustentável das duas regiões.
[ Fonte: Infobae ]