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Acidentes fatais com bicicletas elétricas aumentam entre jovens nos Estados Unidos

Estudos mostram um crescimento de lesões graves e mortes envolvendo crianças e adolescentes em bicicletas elétricas. Especialistas apontam alta velocidade, falta de capacete, brechas na legislação e modelos potentes vendidos como simples e-bikes.
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Tempo de leitura: 4 minutos

O aumento das bicicletas elétricas trouxe uma nova preocupação para autoridades e médicos nos Estados Unidos. Crianças e adolescentes estão sofrendo acidentes cada vez mais graves com esses veículos, incluindo traumatismos cranianos, hemorragias e até mortes.

Pesquisas recentes indicam que o problema envolve uma combinação de fatores. Além do comportamento dos jovens, especialistas citam a responsabilidade dos pais, a falta de regras uniformes e um mercado no qual veículos extremamente potentes podem ser comercializados como bicicletas elétricas.

Diante desse cenário, algumas autoridades começaram a adotar medidas mais duras. Na Califórnia, promotores chegaram a abrir investigações contra pais de menores envolvidos em acidentes graves.

Médicos alertam para lesões mais graves

Como a bicicleta elétrica está mudando a mobilidade no Brasil
© Pexels

O crescimento dos acidentes não aparece apenas nas estatísticas policiais. Estudos publicados em revistas científicas como Neurosurgery e Trauma Surgery & Acute Care Open apontam mudanças importantes no tipo de trauma atendido pelos hospitais.

A velocidade das bicicletas elétricas é uma das principais preocupações.

Dados da Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos (AAOS) mostram que a combinação entre maior velocidade e peso do veículo pode produzir impactos muito mais violentos do que aqueles normalmente associados às bicicletas tradicionais.

Hospitais passaram a registrar casos de traumatismo cranioencefálico grave, hemorragias intracranianas e lesões em órgãos internos que exigem cirurgias de emergência.

Segundo John Austin, da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego, as vítimas geralmente apresentam ferimentos mais graves do que ciclistas envolvidos em acidentes com bicicletas convencionais.

Outro problema é o perfil das vítimas. Muitos pacientes são jovens e não utilizavam capacete no momento do acidente, aumentando o risco de consequências graves.

Algumas e-bikes são praticamente motocicletas elétricas

A classificação dos veículos também está no centro da discussão.

Organizações ligadas ao ciclismo, como a PeopleForBikes, alertam que alguns modelos envolvidos nos acidentes possuem características mais próximas de motocicletas elétricas do que de bicicletas.

Eles podem apresentar chassis pesados, pneus robustos e motores potentes, embora sejam comercializados como bicicletas elétricas.

Isso pode permitir que determinados produtos escapem de regras mais rígidas aplicadas a veículos motorizados.

Nos Estados Unidos, muitas e-bikes são classificadas de maneira semelhante às bicicletas tradicionais. Dependendo do estado e da categoria do veículo, menores podem conduzi-las sem carteira de motorista, seguro ou registro.

O problema aumenta quando esses veículos são modificados. Alguns modelos conseguem ultrapassar os 40 km/h, velocidade capaz de transformar uma queda ou colisão em um acidente muito mais perigoso.

Mortes aumentam pressão por regras mais rígidas

Em Nova York, a morte recente de um jovem de 17 anos que conduzia um veículo não autorizado reacendeu o debate sobre a fiscalização.

O prefeito Zohran Mamdani alertou mais de 40 varejistas online sobre a comercialização de veículos fora das normas. Empresas que venderem modelos não regulamentados podem enfrentar multas de até US$ 2 mil por unidade.

A discussão também chegou à Califórnia.

No condado de Orange, mais de 40 investigações envolvendo pais estavam abertas. Entre os casos está o de uma mãe cujo filho de 14 anos foi acusado de matar uma idosa enquanto conduzia uma moto elétrica.

Em outro episódio, um pai foi acusado de comprar um veículo elétrico para o filho de 12 anos e tentar ajudá-lo a modificá-lo ilegalmente para aumentar sua velocidade.

Responsabilidade dos pais entra no debate

Crianças Que Andam De Bicicleta Antes Dos 6 Anos Podem Desenvolver Melhor Uma Habilidade Importante
© Getty Images – Unsplash

As investigações mostram uma mudança importante na forma como as autoridades estão enfrentando o problema.

Além de responsabilizar fabricantes e comerciantes, promotores passaram a analisar se adultos permitiram deliberadamente que crianças utilizassem veículos inadequados para sua idade.

No entanto, as regras variam bastante pelo país.

Estados como Nova Jersey e Illinois adotaram exigências relacionadas à idade mínima, habilitação e limites de velocidade. Em outras regiões, porém, ainda não existe um padrão claro para controlar esses veículos.

Essa fragmentação cria dificuldades tanto para consumidores quanto para autoridades.

Educação e fiscalização podem reduzir acidentes

Especialistas não defendem necessariamente a proibição das bicicletas elétricas. Esses veículos podem oferecer uma alternativa eficiente e menos poluente para deslocamentos urbanos.

O desafio está em separar bicicletas elétricas convencionais de modelos de alta potência e garantir que crianças e adolescentes utilizem equipamentos adequados à idade.

Além de regras mais claras para fabricantes e comerciantes, especialistas destacam a importância do capacete, da educação no trânsito e da supervisão dos responsáveis.

Sem uma classificação fácil de entender, famílias podem acabar comprando veículos muito mais rápidos e pesados do que imaginavam.

E uma e-bike capaz de atingir velocidades próximas às de uma motocicleta exige cuidados muito diferentes daqueles necessários para uma bicicleta tradicional.

 

[ Fonte: DW ]

 

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