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Tecnologia

Mesmo no espaço, o leão não dorme: como os astronautas pagam impostos em órbita

Nem mesmo a gravidade zero livra os astronautas de suas obrigações fiscais. Saiba como eles lidam com o Fisco enquanto estão a milhares de quilômetros da Terra — e por que até os turistas espaciais entram na mira da Receita.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Ser astronauta parece algo digno apenas de ciência, coragem e aventura. Mas existe uma realidade menos glamourosa que acompanha esses profissionais: o pagamento de impostos. De acordo com o portal Space.com, nem mesmo estar na Estação Espacial Internacional (ISS) exime um cidadão norte-americano de cumprir com o dever fiscal.

O curioso caso do astronauta do Apolo 13

Em 1970, durante a missão Apolo 13, o astronauta Jack Swigert percebeu — já no espaço — que havia esquecido de declarar seu imposto de renda. Ele havia sido convocado para a missão apenas três dias antes do lançamento e não teve tempo de resolver seus assuntos pessoais.

Em uma comunicação com o controle da missão, Swigert fez uma piada perguntando se havia como pedir prorrogação diretamente do espaço. A resposta foi sim: ele poderia contar com uma extensão de 60 dias por estar “fora do país”. Uma situação insólita, mas real.

Regras fiscais para astronautas da NASA

Astronauta 1
© Freepik

De acordo com Space.com, os astronautas da NASA são obrigados a cumprir as mesmas normas fiscais que qualquer cidadão americano. Isso inclui o pagamento de impostos federais e, dependendo do estado de residência, também os estaduais. Além disso, rendimentos de propriedades e investimentos também entram na conta.

Os astronautas civis da NASA são pagos conforme a escala GS (General Schedule) do governo federal, geralmente entre os níveis GS11 e GS14. Em 2024, isso representa salários entre US$ 62.000 e US$ 135.000 por ano. Já os astronautas de origem militar mantêm sua remuneração com base em seu posto e tempo de serviço ativo.

Impostos fora da Terra: uma missão delicada

Apresentar declarações fiscais do espaço não é exatamente prático. Apesar de a ISS possuir acesso à internet, ele é limitado, instável e prioriza comunicações científicas. Além disso, transmitir dados sensíveis como informações fiscais pode representar um risco de segurança.

Por isso, a recomendação é que os astronautas enviem suas declarações antes do lançamento. Caso a missão seja longa ou haja imprevistos, é possível solicitar uma extensão — como no caso de Swigert.

E os astronautas estrangeiros?

Astronautas de outras nacionalidades seguem as leis fiscais de seus respectivos países. Parceiros da ISS como a Agência Espacial Europeia, o Japão e o Canadá possuem sistemas próprios, e alguns astronautas com dupla cidadania podem ter que pagar impostos em mais de um país.

Um exemplo curioso envolve o bilionário canadense Guy Laliberté, que em 2009 passou 12 dias na ISS como turista espacial. Ele tentou deduzir a viagem como despesa promocional da sua empresa, mas o Tribunal Fiscal do Canadá não aceitou a justificativa e exigiu o pagamento de tributos atrasados.

Propostas para tributar o turismo espacial

Em 2021, o deputado americano Earl Blumenauer propôs o “SPACE Tax Act”, uma lei que buscava tributar as viagens turísticas ao espaço. A ideia era criar um imposto voltado para proteger o meio ambiente e regular esse novo setor de luxo crescente. A proposta, porém, não foi aprovada.

A discussão mostra que o espaço já não é apenas domínio da ciência: é também uma nova fronteira econômica, que precisa de regras claras — inclusive fiscais.

 

Fonte: Infobae

 

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