Depois de apostar bilhões de dólares no metaverso e enfrentar anos de prejuízos em sua divisão de hardware, a Meta parece ter encontrado um novo caminho. A empresa de Mark Zuckerberg estaria acelerando seus investimentos em dispositivos vestíveis alimentados por inteligência artificial, apostando que a próxima grande revolução tecnológica não estará no smartphone, mas nos acessórios que usamos diariamente.
Documentos internos obtidos pelo site The Information revelam uma estratégia ampla que combina novos produtos, assinaturas premium e uma plataforma aberta para desenvolvedores.
Um dispositivo discreto que pode mudar tudo
Entre os projetos mais curiosos está um colar inteligente equipado com IA.
Segundo o memorando assinado por Alex Himel, vice-presidente da divisão de dispositivos vestíveis da Meta, a empresa pretende iniciar testes internos do produto durante a primavera de 2027 no hemisfério norte.
Pouco foi revelado sobre suas características técnicas, mas a expectativa é que o dispositivo incorpore câmera, sensores e recursos de registro contínuo das atividades do usuário.
A ideia lembra uma tendência crescente no setor: dispositivos capazes de acompanhar o cotidiano em tempo real, registrando informações que podem ser utilizadas posteriormente por assistentes de inteligência artificial.
O colar faria parte de uma estratégia maior composta por três frentes principais: o novo acessório com IA, uma linha ampliada de óculos inteligentes e dispositivos especializados para uso profissional.
Quando os óculos passam a observar o mundo ao seu redor

Os óculos inteligentes continuam sendo uma das apostas mais importantes da Meta.
Atualmente, a empresa comercializa modelos desenvolvidos em parceria com Ray-Ban e Oakley, marcas pertencentes ao grupo EssilorLuxottica. Agora, o plano é expandir esse portfólio para outras marcas e atingir novos públicos.
Mas o diferencial não estaria apenas no design.
Os futuros modelos deverão incorporar uma tecnologia descrita internamente como “superdetecção”. O sistema manteria câmeras e sensores ativos por períodos prolongados, permitindo que a inteligência artificial acompanhe eventos do dia e ofereça assistência contextual.
Na prática, isso significa que os óculos poderiam lembrar onde o usuário deixou determinados objetos, sugerir compras necessárias ou até alertar sobre compromissos esquecidos.
A Meta pretende que esses dispositivos funcionem com o modelo de IA Muse Spark e um novo assistente virtual chamado Hatch, ainda não apresentado oficialmente.
O mercado já mostrou que existe apetite por essa tecnologia
Os números ajudam a explicar o entusiasmo da companhia.
De acordo com dados divulgados pela EssilorLuxottica, mais de sete milhões de óculos inteligentes com tecnologia Meta foram vendidos ao longo de 2025.
Mark Zuckerberg afirmou recentemente que o número de usuários que utilizam óculos inteligentes com IA diariamente triplicou em relação ao ano anterior.
Para a empresa, isso é um sinal de que a categoria está deixando de ser uma curiosidade tecnológica para se tornar um produto de massa.
Alex Himel estabeleceu uma meta ambiciosa: alcançar a marca de dez milhões de dispositivos vestíveis vendidos durante a segunda metade de 2026.
A próxima fronteira pode estar dentro das empresas
Além do consumidor comum, a Meta quer conquistar outro mercado altamente lucrativo: o corporativo.
O projeto chamado internamente de “Wearables for Work” prevê dispositivos desenvolvidos para funções específicas em ambientes profissionais.
Embora os detalhes ainda sejam limitados, a proposta envolve oferecer ferramentas adaptadas para setores que dependem de informações em tempo real, comunicação rápida e suporte contextual fornecido por IA.
A expectativa é atingir cerca de 6,8 milhões de usuários mensais nessa categoria até o final do ano.
Uma disputa que está apenas começando

A movimentação da Meta acontece em um momento de intensa competição no setor de hardware baseado em inteligência artificial.
A OpenAI, por exemplo, reforçou sua presença ao adquirir a startup io Products, criada pelo lendário designer Jony Ive, ex-Apple. A empresa trabalha em dispositivos próprios que podem incluir alto-falantes inteligentes e até novos formatos de aparelhos pessoais.
Já o Google prepara o lançamento de seus novos óculos inteligentes desenvolvidos em parceria com Samsung e Qualcomm.
Nesse cenário, a Meta parece acreditar que o futuro da IA será cada vez mais portátil, discreto e integrado ao cotidiano.
A aquisição da startup Limitless, especializada justamente em colares inteligentes com inteligência artificial, reforça essa visão. Para a companhia, o próximo grande passo não será apenas conversar com uma IA, mas carregá-la o tempo todo consigo.
[ Fonte: Infobae ]