A inteligência artificial já não é mais uma promessa futura — ela se tornou parte essencial das estratégias de negócios em toda a América Latina. Segundo o estudo CEO Study da IBM, divulgado em 2025, metade dos CEOs da região já está contratando profissionais especializados em IA para ocupar funções que sequer existiam no ano anterior. O desafio agora vai além da inovação: trata-se de adaptar estruturas internas e preparar as equipes para um novo paradigma de trabalho.
Os perfis mais procurados na nova era da IA

De acordo com Patricio Espinosa, gerente geral da IBM para o norte da América do Sul, os cargos mais demandados no momento são os de cientista de dados, programador e, principalmente, engenheiro de prompts — uma função emergente que se tornou essencial na era dos modelos de linguagem generativa, como o ChatGPT.
A engenharia de prompts se baseia na arte de formular perguntas eficazes para extrair respostas mais úteis e precisas dos sistemas de IA. “Talvez hoje esse seja o perfil mais buscado. No novo mundo, o diferencial não estará mais em quem detém a informação, mas em quem sabe fazer as melhores perguntas”, destaca Espinosa.
Embora cargos como cientista de dados e programador já fossem comuns, suas atribuições estão sendo profundamente modificadas para acompanhar a evolução das ferramentas de inteligência artificial.
Falta de preparo interno preocupa os líderes
O avanço da IA nas empresas não está isento de desafios. O mesmo estudo da IBM revela que mais da metade dos CEOs latino-americanos acredita que seus colaboradores ainda não estão prontos para acompanhar essa mudança tecnológica. Essa lacuna de conhecimento interno pode representar um dos principais obstáculos à adoção bem-sucedida da IA em larga escala.
Para lidar com isso, a IBM recomenda que os líderes empresariais comecem pelo básico: entender os fundamentos da tecnologia, conectar os dados certos às pessoas certas no momento certo e promover uma cultura organizacional de aprendizado contínuo.
Ou seja, não basta contratar novos talentos — é preciso transformar a mentalidade e a estrutura de toda a empresa para extrair valor real das inovações.
Investimentos dobrando e retorno garantido
A corrida pela adoção da inteligência artificial vem acompanhada de pesados investimentos. Espinosa revelou que a maioria das empresas da região planeja dobrar sua alocação de recursos em IA nos próximos dois anos. E o objetivo não é mais apenas testar possibilidades, mas gerar valor de forma concreta e em escala.
De fato, a expectativa é otimista: segundo a IBM, 83% dos CEOs entrevistados na Colômbia esperam obter retorno positivo dessas iniciativas até 2026, tanto em termos de produtividade quanto de economia.
Para os líderes que ainda estão em dúvida, Espinosa deixa um recado direto: “Os benefícios reais só virão para aqueles que enxergarem o risco como uma porta, e não como uma barreira. É preciso focar naquilo que está sob controle.”
O que faz e o que precisa saber um engenheiro de prompts

A função do engenheiro de prompts exige um conjunto específico de habilidades técnicas e criativas. Segundo a IBM, esse profissional precisa dominar modelos de linguagem de larga escala, ter conhecimentos sólidos em Python, algoritmos, estruturas de dados e, principalmente, saber se comunicar com clareza.
O inglês é considerado essencial, já que é o idioma base da maioria dos modelos. Compreender os nuances, vocabulários e construções do idioma é fundamental para formular instruções eficazes e obter respostas relevantes.
Além disso, dependendo da aplicação, os engenheiros de prompts devem ter noções de codificação, história da arte, fotografia ou teoria literária — especialmente ao gerar imagens ou textos com IA.
Mas não é só técnica: pensamento criativo, senso crítico e familiaridade com ferramentas de IA generativa e frameworks de deep learning são diferenciais importantes. Em empresas de atendimento ao cliente, por exemplo, esse profissional é o responsável por criar e refinar as mensagens usadas por chatbots para que elas reflitam o tom da marca e solucionem dúvidas com precisão.
Segundo a IBM, 50% dos CEOs da América Latina já contratam profissionais especializados em inteligência artificial. Os cargos mais procurados são engenheiro de prompts, cientista de dados e programador. Mas o maior desafio ainda está dentro das empresas: preparar os times internos para lidar com essa nova era tecnológica e extrair valor real da transformação.
[ Fonte: Infobae ]