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Tecnologia

Microaposentadoria: a nova pausa profissional que os jovens estão adotando antes dos 35

Ela não tem crachá, nem plano de previdência, mas está conquistando cada vez mais adeptos. A microaposentadoria é a escolha de jovens que preferem parar antes de colapsar, redescobrir seus propósitos e depois, com mais clareza, voltar ao mercado — ou seguir novos caminhos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Trabalhar sem parar até os 65 anos? Essa ideia já não seduz muitos jovens adultos. Cada vez mais pessoas com menos de 35 anos estão fazendo pausas voluntárias no trabalho — chamadas de microaposentadorias — para priorizar o bem-estar, viajar, se reconectar com seus interesses ou simplesmente respirar fora da rotina profissional.

Uma pausa para recomeçar

Foi o caso de Marina Kausar, de 30 anos, que pediu demissão em dezembro de 2023 após anos em cargos de finanças e tecnologia. Sem outro emprego em vista, usou suas economias para descansar por três meses. “Comia melhor, dormia melhor, fazia exercícios… Foi como recomeçar do zero”, contou. Ela apelidou esse período de “microaposentadoria” — uma forma de romper com o trabalho sem cortar laços com o mercado.

Nos Estados Unidos, onde a aposentadoria integral parece cada vez mais distante para muitos, essas pausas aparecem como resposta à exaustão. Enquanto alguns recorrem à “demissão silenciosa” ou às férias acumuladas, outros preferem sair completamente por um tempo e redefinir o rumo de suas vidas.

Não é um sabático tradicional

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© Unsplash

Segundo Kira Schabram, professora da Universidade de Washington que estuda o tema, a microaposentadoria se diferencia do sabático tradicional. “No sabático, a empresa concede o tempo. Aqui, a decisão parte da própria pessoa e não há garantia de retorno.” A pausa pode durar alguns meses e acontece normalmente entre empregos ou por vontade própria — e geralmente envolve um bom planejamento financeiro.

Schabram observa que esse tipo de decisão é mais comum entre jovens com certa estabilidade econômica, mas destaca que o número de adeptos vem crescendo, especialmente após a pandemia.

Menos medo do imprevisível

Sandra De La Cruz, de 25 anos, economizou cerca de 12 mil dólares e tirou quatro meses de folga em 2015. Em vez de comprar uma casa, como sugeriam seus pais, preferiu viajar pela América do Sul. “Era a única fase da vida em que eu podia largar tudo sem afetar ninguém”, disse. Foi uma das épocas mais felizes de sua vida — e, ao retornar, logo conseguiu novo emprego na construção civil.

Já Isabel Falls, aos 27 anos, pediu demissão em 2023 para reencontrar sua “bússola interior”. Viajou com orçamento de mochileira, explorou outras possibilidades profissionais e hoje trabalha como freelancer para uma agência de viagens, morando temporariamente no México. “Ganho menos, mas me sinto viva”, disse. Seu objetivo já não é acumular para se aposentar cedo, mas viver bem agora.

Uma resposta à cultura do trabalho excessivo

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© Unsplash

Para muitos especialistas, o aumento da microaposentadoria é uma reação direta à cultura norte-americana de priorizar o trabalho acima de tudo. “Há quem diga que os europeus fazem isso todo ano e chamam de férias de verão”, brinca Christopher Myers, da Universidade Johns Hopkins.

Mas o movimento vem se tornando mais comum também nos EUA, com jovens menos dispostos a permanecer anos na mesma empresa. As pausas oferecem benefícios reais, como mais confiança, clareza mental e limites mais saudáveis com o trabalho.

Algumas empresas e ONGs já estão de olho na tendência e estudam incorporar políticas de pausa prolongada para atrair talentos.

Um novo olhar sobre a vida e o trabalho

Marina Kausar gastou metade de suas economias, viajou para o Paquistão e passou um tempo inédito com a família. De volta a Houston, começou a dar aulas de yoga, organizou sua casa e retomou a prática de corrida. Meses depois, conseguiu um novo emprego com salário maior que o anterior.

“Hoje não me sinto tão estressada. Acho que é porque tive esse tempo para me reconectar”, contou. Sua história, como a de tantos outros jovens, mostra que parar — mesmo que por pouco tempo — pode ser o melhor impulso para seguir em frente com mais propósito e leveza.

 

Fonte: Infobae

 

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