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Ciência

Mistério do calor da coroa solar pode estar prestes a ser resolvido

Um grupo internacional de cientistas observou pela primeira vez as chamadas ondas de Alfvén torsionais em pequena escala na coroa solar — a camada mais externa do Sol. A descoberta, publicada na Nature Astronomy, ajuda a explicar por que essa região é milhões de graus mais quente que a própria superfície solar.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Por mais que o Sol pareça familiar, ele ainda guarda mistérios que intrigan os cientistas há décadas. Um dos maiores é o calor extremo da coroa solar, que pode atingir até 2 milhões de °C — muito mais do que os cerca de 5.500 °C da superfície. Agora, um novo estudo pode ter revelado parte dessa resposta.

As ondas que aquecem o Sol

A pesquisa, liderada por Richard Morton, da Universidade de Northumbria (Reino Unido), usou o poderoso Telescópio Solar Daniel K. Inouye, no Havaí, para detectar pela primeira vez as ondas de Alfvén torsionais em pequena escala. Essas ondas são perturbações magnéticas que torcem e giram as linhas de campo do Sol, carregando energia pelo plasma.

Há décadas os cientistas suspeitavam que elas fossem responsáveis por aquecer a coroa solar, mas nunca haviam conseguido observá-las diretamente. O instrumento Cryo-NIRSP do telescópio foi essencial: ele consegue medir minúsculas variações de movimento no plasma solar, captando os deslocamentos sutis que indicam essas torções.

Morton explicou que o maior desafio foi separar os movimentos de “balanço” mais intensos da coroa para revelar o padrão torsional escondido. “Esses movimentos de torção estavam mascarados. Foi preciso desenvolver uma técnica específica para isolá-los”, disse o pesquisador.

Uma pista para o clima espacial

Com a detecção das ondas de Alfvén, os cientistas ganham uma nova ferramenta para entender como o Sol libera energia e alimenta o vento solar — um fluxo de partículas carregadas que viaja pelo espaço e pode interferir em satélites, sistemas de GPS e redes elétricas aqui na Terra.

Compreender esse processo também pode ajudar na previsão do clima espacial, algo cada vez mais importante em um planeta dependente de tecnologia. “Essas ondas podem ser o motor que mantém a coroa aquecida e o vento solar em movimento”, diz Morton.

O próximo passo da pesquisa

A equipe agora quer entender como essas ondas se dissipam dentro da coroa e quanta energia realmente transferem. O Telescópio Inouye, com seu espelho de quatro metros, continuará observando a região em altíssima resolução, permitindo medições inéditas sobre o comportamento do plasma solar.

A descoberta não apenas resolve um enigma que atravessou gerações, mas também reforça o papel da física solar na proteção das nossas tecnologias. Afinal, entender o que aquece o Sol pode ser a chave para proteger a Terra de suas tempestades.

[Fonte: Olhar Digital]

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