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Ciência

Mistério resolvido? Pirâmides do Egito podem ter sido erguidas com ajuda da água

Um novo estudo está sacudindo (literalmente) os alicerces da arqueologia: cientistas franceses afirmam ter encontrado um sistema hidráulico subterrâneo que pode explicar como as pirâmides do Egito foram construídas há mais de 4.600 anos. Se a hipótese estiver certa, os blocos gigantescos que formam a Pirâmide de Degraus de Djoser, em Saqqara, teriam sido erguidos não com rampas e escravos, mas com pressão da água.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A pesquisa, liderada pelo Dr. Xavier Landreau, do Instituto Paleotécnico do CEA (França), utilizou imagens de radar por satélite e relatórios arqueológicos antigos para mapear o que parece ser um sistema hidráulico complexo sob o planalto de Saqqara — lar da primeira grande pirâmide do Egito.

Segundo Landreau, um grande muro de pedra chamado Gisr el-Mudir, localizado a oeste da necrópole, funcionava como uma espécie de barragem de contenção, capaz de armazenar e redirecionar água das enchentes. Essa água, canalizada com precisão, teria ajudado a mover os enormes blocos de calcário até o topo da estrutura.

Pirâmides erguidas “no estilo vulcânico”

Mistério resolvido? Pirâmides do Egito podem ter sido erguidas com ajuda da água
© Pexels

A equipe propõe que os egípcios usaram um método de elevação hidráulica, no qual os blocos eram impulsionados pela pressão da água — um processo apelidado pelos cientistas de “estilo vulcânico”. Canais, comportas e bacias teriam regulado o fluxo e a força da correnteza, criando um tipo de elevador natural que empurrava as pedras ladeira acima.

Curiosamente, os pesquisadores também encontraram uma estrutura ao sul da pirâmide que lembra uma estação de tratamento de água, com bacias de decantação e retenção. Esse sistema garantiria água limpa e sem sedimentos, essencial para manter o mecanismo funcionando.

Quando o deserto era verde

O estudo ainda contextualiza o cenário climático da época: o Egito vivia o fim do chamado “Período do Saara Verde”, uma era em que a região recebia chuvas intensas e possuía rios e vegetação abundantes.

O antigo riacho Uádi de Abusir teria fornecido o volume necessário de água para alimentar o sistema hidráulico. “Na Terceira Dinastia, o problema não era a falta de água, mas o excesso dela — e os egípcios souberam transformá-la em força construtiva”, explicou Landreau.

Uma revolução na história da engenharia antiga

Se confirmada, essa descoberta pode reescrever o manual da engenharia egípcia. Por séculos, acreditou-se que as pirâmides foram erguidas com rampas de areia e força humana massiva. Agora, a hipótese hidráulica sugere que os egípcios dominaram princípios físicos complexos muito antes do que se imaginava.

Os cientistas, no entanto, mantêm cautela. Mais escavações e simulações hidráulicas devem ser realizadas para verificar se o antigo Uádi de Abusir realmente teria pressão e volume suficientes para mover pedras de várias toneladas.

Se o sistema for comprovado, as pirâmides deixarão de ser apenas monumentos de pedra para se tornarem um testemunho da primeira grande engenharia hidráulica do mundo — uma façanha que pode mudar para sempre o que sabemos sobre o Egito antigo.

[Fonte: ND+]

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