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Ciência

Misterioso osso peniano de cachorro pintado de vermelho é encontrado em poço romano antigo

O surpreendente artefato pode ser evidência de rituais de fertilidade — ou apenas um dos mais estranhos amuletos da sorte da história.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Encontrar ossos em poços de pedreiras romanas antigas não é incomum — mas descobrir um osso peniano de cachorro pintado à mão, sim.

A bioarqueóloga Ellen Green, da Universidade de Reading, no Reino Unido, desenterrou um baculum canino pintado — o osso peniano do cachorro — datado de mais de 2.000 anos. O osso foi encontrado em um poço romano do século I a.C. em Surrey, Inglaterra, entre outros restos esqueléticos. Segundo o Live Science, os arqueólogos acreditam que o artefato possa ter sido usado em rituais de fertilidade ou como amuleto da sorte. Green detalhou o achado em um estudo publicado em 25 de dezembro no Oxford Journal of Archaeology.

Os arqueólogos descobriram o poço romano de 4 metros de profundidade (13,1 pés) — uma antiga pedreira — em 2015, em um local chamado Nescot, próximo à cidade de Ewell. Durante as escavações, encontraram centenas de restos esqueléticos humanos e animais. Foram identificados mais de 280 animais domésticos, incluindo cães, porcos, bois, ovelhas, cabras e cavalos. A maioria não apresentava sinais de abate, doenças ou queimaduras. Entre esses animais, quase 200 eram cães — mas apenas um de seus ossos penianos estava pintado.

A análise do pigmento misterioso

Green usou fluorescência de raios X — uma técnica não destrutiva que determina a composição elementar de um objeto — e descobriu que a tinta vermelha era composta por óxido de ferro, um composto químico cuja cor varia do amarelo-claro ao vermelho intenso.

A pesquisadora propôs duas hipóteses para a coloração:

  1. O osso foi diretamente pintado com ocre vermelho, tingindo-o.
  2. O baculum foi envolto em um tecido tingido com ocre, que se decompôs e manchou o osso.

O ocre é um pigmento natural composto principalmente de óxido de ferro.

Um artefato único e enigmático

No entanto, os pesquisadores não encontraram outros ossos pintados nem artefatos metálicos que pudessem ter causado a coloração com ferrugem. Além disso, não havia ocorrência natural de ocre vermelho no local da escavação. Assim, Green concluiu que alguém deliberadamente pintou o osso peniano com ocre vermelho antes de jogá-lo no poço, o que torna o artefato uma descoberta verdadeiramente singular.

“Não encontrei nenhum outro exemplo de uso de ocre vermelho em ossos durante o período romano, nem durante a Idade do Ferro britânica,” disse Green ao Live Science. “É um artefato muito único de um local muito singular, mas, no fim das contas, é um verdadeiro mistério.”

Possíveis significados: ritual ou amuleto da sorte

Embora Green tenha identificado como o osso foi pintado, o motivo permanece incerto. No estudo, ela sugere que o artefato pode ter sido usado em rituais, destacando a associação já conhecida entre cães e a fertilidade na Britânia romana.

Além disso, no mundo romano mais amplo, o falo simbolizava sorte e proteção contra o mau-olhado. “Este é o único exemplo que encontrei de um pênis real possivelmente usado como objeto ritualístico,” acrescentou Green ao Live Science.

Outras culturas e simbolismos fálicos

Embora este exemplo romano seja raro, outras culturas utilizaram ossos penianos em rituais. Os Saami, do norte da Escandinávia, decoravam tambores sagrados com bacula de ursos. Povos indígenas do Alasca poliam ossos penianos de ursos-polares para usá-los como cabos de facas. Essas tradições apontam para um simbolismo mais amplo, em que genitais representavam poder, fertilidade, proteção e, possivelmente, sorte.

O poço e o contexto ritualístico

O poço em Nescot foi utilizado como local de sepultamento nove vezes ao longo de aproximadamente 50 anos, após ter sido desativado como pedreira. O estudo sugere que o local tinha uma função ritualística mais ampla. Isso se evidencia pela presença de muitos animais jovens e de animais nascidos durante a primavera e o verão, o que pode indicar uma conexão com rituais de fertilidade agrícola.

Conclusão: um novo nível de simbolismo antigo

Green afirmou ao The Independent que a “associação de poços rituais com fertilidade não é novidade”, mas este achado certamente leva o simbolismo fálico antigo a um nível inédito.

Talvez esteja na hora de aposentarmos o chaveiro de pé de coelho.

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