Sob ordens do presidente Donald Trump, a NASA está revisando seus sites para remover qualquer menção a diversidade, inclusão e outros temas relacionados. A medida segue o esforço da administração atual para desmantelar programas considerados “desperdício” de recursos, afetando diretamente a visibilidade de grupos historicamente sub-representados.
A ordem de remoção e sua execução
Em 22 de janeiro, um memorando interno foi enviado aos funcionários da NASA, exigindo a remoção imediata de termos relacionados a acessibilidade, povos indígenas, mulheres em posições de liderança e outros temas de diversidade. O comunicado enfatizava a urgência da tarefa: “Este é um pedido para largar tudo e repriorizar o seu dia”. A lista de termos a serem excluídos incluía programas de diversidade, equidade e inclusão (DEIA), grupos sub-representados, justiça ambiental e qualquer menção específica às mulheres.
Pouco depois da assinatura da ordem executiva de Trump para encerrar os escritórios DEIA no governo federal, a NASA descontinuou seus programas de diversidade e cancelou contratos relacionados. Janet Petro, administradora interina da agência, justificou a decisão em um memorando: “Esses programas dividiram os americanos por raça, desperdiçaram o dinheiro dos contribuintes e resultaram em uma discriminação vergonhosa”.
Impacto nos avanços de diversidade da NASA
Antes dessas medidas, a NASA era reconhecida como um dos melhores empregadores dos EUA em termos de diversidade, segundo uma avaliação de 2023. O quadro de funcionários da agência é composto por aproximadamente 35% de mulheres e 30% de minorias, de acordo com um relatório de 2021 do Escritório do Inspetor-Geral da NASA. No entanto, um relatório de 2024 revelou que, apesar dos esforços para promover a inclusão, houve pouco progresso no aumento da representação de mulheres e minorias na força de trabalho e nas posições de liderança.
Omissões históricas e alterações nos sites
Como parte dessa reestruturação, a NASA removeu de seus sites artigos que celebravam conquistas importantes. Um exemplo é a exclusão de uma matéria de 2023 que mencionava a turma de astronautas de 1978, que incluiu a primeira mulher, o primeiro negro e o primeiro asiático-americano a integrarem o programa espacial. Até 29 de janeiro, a página já não estava mais disponível, retornando uma mensagem de erro, segundo o site SpaceNews.
Além disso, palavras como “inclusivo” foram substituídas por “justo”, enquanto o termo “inclusão” foi completamente omitido das páginas da agência, conforme relatório da 404 Media.
Consequências para a ciência e a sociedade
Para cumprir as ordens, a NASA também suspendeu o trabalho de diversos comitês de astrofísica e ciências planetárias, enquanto avalia o impacto da eliminação dos programas DEI em suas atividades. Essas mudanças geram preocupações sobre o futuro da inclusão na ciência e o reconhecimento de contribuições históricas de grupos sub-representados.
O retrocesso nas iniciativas de diversidade na NASA levanta questões sobre o compromisso da agência com a igualdade e o impacto dessas decisões na inovação e colaboração científica, fundamentais para o avanço da exploração espacial.