Entre painéis sobre economia, clima e geopolítica, uma declaração em Davos roubou os holofotes. Elon Musk voltou ao Fórum Econômico Mundial com previsões ousadas sobre o futuro da inteligência artificial e da robótica. Para ele, a próxima década não será apenas de avanços graduais, mas de uma mudança profunda na relação entre humanos, máquinas e trabalho — com consequências que já começam a ganhar datas.
A previsão que colocou o futuro em contagem regressiva
Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial, em Davos, o bilionário Elon Musk afirmou que a inteligência artificial deve se tornar mais inteligente do que os humanos em cerca de cinco anos. A declaração foi feita nesta quinta-feira (22) e rapidamente repercutiu entre líderes políticos, investidores e especialistas em tecnologia.
Segundo Musk, o avanço acelerado da IA abre caminho para um cenário de abundância econômica, no qual máquinas altamente capazes assumiriam tarefas hoje limitadas por escassez de mão de obra e produtividade humana. Na mesma conversa, ele foi além: previu que, no futuro, o número de robôs poderá superar a população humana.
Robôs humanoides e o plano da Tesla
A aposta de Musk não é apenas teórica. Ele destacou os planos da Tesla para transformar robôs humanoides em produtos comerciais. A empresa pretende começar a vender ao público o robô Optimus em 2027.
Hoje, o mercado global de robôs com aparência humana é relativamente pequeno, estimado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões. Mas projeções indicam que esse valor pode saltar para US$ 200 bilhões até 2035. Para Musk, esse crescimento é quase inevitável, impulsionado pelo envelhecimento da população e pela falta de jovens suficientes para funções como o cuidado de idosos.
Na visão dele, robôs poderão preencher lacunas críticas em setores essenciais, tornando-se presença comum no cotidiano.
Direção autônoma e expansão internacional
Além da robótica, Musk também comentou os próximos passos da Tesla em veículos autônomos. Segundo ele, a empresa espera obter aprovação regulatória para o sistema de direção totalmente autônoma (FSD) na Europa e na China já em fevereiro.
Essa liberação permitiria que os carros da Tesla operassem com muito mais autonomia nesses mercados, ampliando o alcance da tecnologia e fortalecendo a estratégia global da empresa. Para Musk, sistemas autônomos são parte do mesmo ecossistema que levará à abundância: máquinas inteligentes, operando em escala, com mínima intervenção humana.
Davos, alianças e mudança de tom
A presença de Musk no evento também chamou atenção pelo simbolismo. Ele já havia criticado o Fórum Econômico Mundial, descrevendo-o no passado como um “governo mundial não eleito”. Desta vez, porém, participou presencialmente e dialogou com o CEO da BlackRock, Larry Fink, sobre tecnologia e economia.
Musk apareceu em Davos logo após o discurso do presidente dos EUA, Donald Trump, de quem é aliado, apesar de uma relação marcada por aproximações e afastamentos.
Entre previsões ousadas e planos concretos, a fala de Musk reforçou uma sensação recorrente em Davos: o futuro não está distante — ele já começou a ser disputado.
[Fonte: Olhar digital]