Críticas à “chantagem tarifária”
Lula afirmou que nações em desenvolvimento têm se tornado vítimas de práticas comerciais “injustificadas e ilegais”. Segundo ele, o uso de tarifas punitivas como ferramenta política ameaça instituições, restringe a soberania econômica e cria obstáculos ao comércio justo. O presidente também apontou a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) como fator que favorece esse cenário.
“O protecionismo não pode ser normalizado como arma de chantagem”, destacou Lula, pedindo medidas coordenadas entre os países do Brics para mitigar os efeitos desse tipo de política.
Apoio de Xi Jinping e críticas às guerras comerciais
O presidente da China, Xi Jinping, endossou a posição de Lula. Ele criticou o uso unilateral de tarifas, afirmando que as guerras comerciais “perturbam gravemente a economia mundial e corroem as regras do comércio internacional”. A mensagem conjunta reforça a tentativa do Brics de se apresentar como alternativa a um sistema global fragmentado por disputas de poder.
Guerras e desafios internacionais
Além do comércio, Lula abordou questões geopolíticas. Ele classificou como positivo o encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump no Alasca, considerando-o um passo rumo à paz na Ucrânia. Também condenou a decisão de Israel de assumir o controle da Faixa de Gaza e ameaçar anexar a Cisjordânia, chamando a situação de “genocídio em curso” e pedindo a suspensão imediata das ações militares.
Reforma da ONU e soberania digital
O presidente defendeu ainda a reforma do Conselho de Segurança da ONU, com inclusão de países da América Latina, África e Ásia, tanto como membros permanentes quanto temporários. Lula ressaltou a importância de uma governança digital democrática para proteger as nações contra manipulações estrangeiras: “Sem soberania digital, ficaremos vulneráveis”.

Clima e a COP em Belém
No campo ambiental, Lula reforçou o papel do Brasil como anfitrião da COP-30 em Belém. Ele sugeriu a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, capaz de integrar diferentes atores e mecanismos que hoje funcionam de forma fragmentada. Para ele, a governança climática deve ser fortalecida para responder de maneira coordenada aos desafios globais.
Um chamado ao multilateralismo
A poucos dias da 80ª Assembleia Geral da ONU, Lula intensifica o contato com líderes internacionais para marcar posição contra as tarifas impostas pelos EUA e reforçar a defesa do multilateralismo. Sua mensagem central é clara: apenas por meio da cooperação entre países será possível enfrentar a chantagem tarifária, a desigualdade no comércio internacional e os desafios globais do século XXI.
Fonte: Metrópoles