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Ciência

Não é apenas o derretimento das geleiras: cientistas descobriram o fator oculto que mais contribui para a elevação do nível do mar

Durante décadas, o derretimento das geleiras foi apontado como o principal responsável pela alta do nível dos oceanos. Mas uma nova análise revela que existe um processo menos visível e ainda mais influente. O fenômeno acontece dentro dos próprios mares e já responde por quase metade da elevação registrada nas últimas décadas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Quando se fala em aumento do nível do mar, a imagem mais comum é a de enormes blocos de gelo derretendo no Ártico ou na Antártida. Embora esse processo seja real e preocupante, uma nova pesquisa mostra que ele não é o principal responsável pelo avanço das águas observado atualmente.

Publicado na revista Science Advances, o estudo analisou décadas de registros oceanográficos e concluiu que a expansão térmica dos oceanos é hoje o fator mais importante por trás da elevação do nível médio global do mar. O resultado ajuda a solucionar uma questão que intrigava cientistas há anos: a dificuldade de explicar com precisão toda a água adicional observada nos oceanos.

O oceano está crescendo porque está mais quente

Fratura Sob O Oceano1
© Marcin Jucha – Shutterstock

A expansão térmica é um fenômeno físico simples. Quando a água aquece, suas moléculas se movimentam mais e ocupam mais espaço. Isso significa que, mesmo sem receber uma única gota adicional, um oceano mais quente passa a ocupar um volume maior.

Como os mares absorvem cerca de 90% do excesso de calor gerado pelo aquecimento global, esse efeito se tornou um dos principais motores da elevação do nível do mar.

Segundo os pesquisadores, a expansão térmica respondeu por aproximadamente 43% do aumento total registrado nas últimas décadas. O percentual supera qualquer outra fonte isolada de contribuição.

Os demais fatores identificados foram o derretimento de geleiras de montanha, responsável por 27% do aumento, seguido pela perda de gelo da Groenlândia, com 15%, da Antártida, com 12%, e pelas mudanças no armazenamento de água em terra, com 3%.

A velocidade da elevação está acelerando

O estudo também mostra que o ritmo da subida dos oceanos aumentou significativamente nos últimos anos.

Entre 1960 e 2023, a taxa média de elevação foi de 2,06 milímetros por ano. No entanto, entre 2005 e 2023, esse número praticamente dobrou, alcançando 3,94 milímetros anuais.

Embora alguns milímetros pareçam pouco, o impacto acumulado ao longo de décadas é enorme, especialmente para cidades costeiras e regiões situadas em baixa altitude.

Para chegar a essas conclusões, os cientistas combinaram dados históricos obtidos por satélites de alta precisão com medições realizadas pela rede global de boias autônomas do programa Argo, considerada uma das mais importantes ferramentas de monitoramento oceânico do planeta.

Um quebra-cabeça científico finalmente resolvido

Durante muito tempo, pesquisadores enfrentaram uma discrepância entre a elevação observada dos oceanos e a soma das contribuições calculadas individualmente para cada fator responsável pelo fenômeno.

Essa diferença gerava incertezas importantes nos modelos climáticos e dificultava projeções futuras.

Segundo John Abraham, engenheiro mecânico da Universidade de St. Thomas, nos Estados Unidos, a evolução dos instrumentos de medição foi decisiva para solucionar o problema.

De acordo com o pesquisador, sensores mais modernos, novas metodologias de análise e bases de dados mais completas permitiram fechar essa lacuna histórica de conhecimento. Agora, os cientistas conseguem explicar a elevação do nível do mar com um grau muito maior de confiança.

Um problema que continuará por décadas

Como a ciência já consegue transformar o mar em água potável
© Pexels

Talvez a conclusão mais preocupante do estudo seja que o processo possui uma forte inércia. Mesmo que as emissões globais de gases de efeito estufa fossem drasticamente reduzidas a partir de hoje, os oceanos continuariam aquecendo e se expandindo durante décadas.

As projeções indicam que esse efeito poderá permanecer ativo por pelo menos mais 50 anos, consequência do enorme volume de calor já acumulado nas águas do planeta.

Isso significa que parte da elevação futura do nível do mar já está praticamente contratada pelo sistema climático atual.

O impacto para milhões de pessoas

As consequências vão muito além das praias. O avanço gradual dos oceanos ameaça comunidades costeiras, infraestrutura portuária, áreas agrícolas e sistemas de abastecimento de água doce.

Milhões de pessoas que vivem em regiões de baixa altitude poderão enfrentar inundações mais frequentes, erosão costeira e deslocamentos populacionais nas próximas décadas.

A descoberta reforça uma mensagem importante: o aumento do nível do mar não depende

Grande parte da transformação já está acontecendo silenciosamente sob a superfície, à medida que os oceanos absorvem o calor excedente gerado pelas atividades humanas.

 

[ Fonte: National Geographic ]

 

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