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Ciência

Um mundo de magma a 154 anos-luz pode ajudar a explicar como era a Terra no começo

Um mundo abrasador, com anos de apenas algumas horas, apresentou um comportamento térmico inesperado. A explicação mais provável pode mudar o que sabemos sobre planetas rochosos extremos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A cerca de 154 anos-luz da Terra existe um planeta onde a superfície pode ser quente o suficiente para derreter rochas e formar mares de magma. Até aí, nada muito surpreendente para um chamado mundo de lava. O estranho apareceu quando o James Webb mediu sua temperatura. O planeta parecia estar mais frio do que deveria. E a explicação mais provável envolve algo que, em condições tão extremas, deveria ser difícil de preservar.

Um planeta onde o ano termina antes de um dia terrestre

O mundo se chama HD 3167 b e tem cerca de 1,6 vez o raio da Terra.

Ele orbita tão perto de sua estrela que completa uma volta em apenas 0,96 dia terrestre. Em outras palavras, seu ano dura aproximadamente 23 horas.

Sua temperatura de equilíbrio é estimada em cerca de 1.780 kelvin, mais de 1.500 °C.

Isso é suficiente para fundir silicatos na superfície iluminada e transformar parte do terreno em magma.

Os astrônomos também consideram provável que o planeta esteja em bloqueio de maré. Nesse cenário, uma face permanece constantemente voltada para a estrela, enquanto a outra vive em noite permanente.

Sem uma atmosfera significativa, a diferença de temperatura entre os dois hemisférios deveria ser enorme.

Foi justamente por isso que as observações do James Webb chamaram tanta atenção.

O telescópio mediu menos calor do que os modelos previam

Os pesquisadores utilizaram o instrumento MIRI para observar um eclipse secundário, momento em que o planeta passa por trás da estrela.

Ao medir a pequena variação na luz total do sistema, é possível estimar quanto calor vem do próprio planeta.

O resultado não combinou com a expectativa de uma superfície rochosa escura e sem atmosfera.

A emissão térmica observada ficou mais de cinco desvios padrão abaixo do valor previsto para esse tipo de cenário.

Isso indica que parte da energia recebida está sendo refletida ou redistribuída antes de escapar para o espaço.

A hipótese que melhor se encaixa nos dados é a presença de uma atmosfera relativamente espessa ou refletiva, capaz de diminuir a temperatura da face diurna ou transportar calor para o lado noturno.

O verdadeiro mistério é como essa atmosfera ainda pode existir

Planetas tão próximos de suas estrelas vivem em um ambiente hostil.

Eles recebem doses intensas de radiação ultravioleta e também enfrentam partículas do vento estelar, processos que podem remover gradualmente os gases de uma atmosfera.

HD 3167 b também não é um planeta gigantesco.

Ele tem cerca de 4,8 massas terrestres, o que lhe dá menos capacidade de reter gases do que mundos muito maiores.

Ainda assim, os dados sugerem que alguma envoltória gasosa pode continuar presente.

Os cientistas ainda não sabem do que ela é feita.

O MIRI conseguiu medir o comportamento térmico do planeta, mas não possui, nesse caso, resolução espectral suficiente para identificar diretamente a composição dos gases.

Novas observações com instrumentos como o NIRSpec poderão ajudar a resolver essa parte do quebra-cabeça.

Um mundo infernal pode revelar algo sobre o início da Terra

HD 3167 b é muito diferente do nosso planeta atual.

Mas a Terra jovem também passou por fases extremas.

Durante seus primeiros milhões de anos, grandes porções da superfície provavelmente ficaram cobertas por oceanos de magma.

Por isso, entender como planetas de lava criam, perdem ou preservam atmosferas pode oferecer pistas sobre a evolução dos primeiros mundos rochosos.

Também pode ajudar a compreender em que momento ambientes extremamente quentes começam a desenvolver condições mais estáveis.

É isso que torna HD 3167 b especialmente interessante.

Segundo o estudo, ele é atualmente a super terra de período ultracurto menos irradiada com evidências de atmosfera.

O que o James Webb realmente descobriu

HD 3167 b recebe radiação intensa o suficiente para que a retenção de uma atmosfera pareça difícil, mas sua temperatura diurna é baixa demais para um planeta rochoso completamente exposto.

A explicação mais provável é que ainda exista uma atmosfera capaz de refletir ou redistribuir parte da energia recebida.

Se futuras observações confirmarem isso, o planeta poderá se tornar uma peça importante para entender onde está o limite entre mundos que perdem rapidamente seus gases e aqueles que conseguem preservá-los.

E, ao estudar um planeta coberto de magma a 154 anos-luz, os astrônomos podem acabar aprendendo algo sobre uma fase muito antiga da própria Terra.

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