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Tecnologia

NASA realiza novo teste crucial de abastecimento da Artemis 2 após vazamento de hidrogênio — e missão histórica ainda enfrenta obstáculos técnicos

Agência espacial fará uma segunda “wet dress rehearsal” para validar o sistema de abastecimento do foguete SLS. Vazamentos de hidrogênio e falhas em equipamentos de solo reacendem lembranças dos atrasos da Artemis 1, enquanto a janela de lançamento de março se aproxima.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A preparação para a missão Artemis 2 começou com turbulência. A NASA confirmou que realizará um novo teste completo de abastecimento do foguete Space Launch System (SLS), após problemas técnicos interromperem a primeira tentativa no início de fevereiro.

O teste será decisivo para saber se a Artemis 2 poderá cumprir a janela de lançamento prevista para março — ou se repetirá os atrasos que marcaram a missão anterior.

Vazamento de hidrogênio interrompe ensaio

O primeiro ensaio geral, conhecido como wet dress rehearsal, foi encerrado prematuramente em 3 de fevereiro após a detecção de um vazamento de hidrogênio em uma das conexões do mastro de serviço traseiro (tail service mast umbilical) da plataforma móvel de lançamento.

Essas estruturas de cerca de 11 metros de altura conectam linhas de combustível criogênico e cabos elétricos ao estágio central do SLS. Técnicos substituíram dois selos internos considerados responsáveis pelo vazamento.

No entanto, durante um teste de confiança realizado em 12 de fevereiro, surgiu outro problema: um equipamento de suporte em solo impediu o abastecimento completo com hidrogênio líquido.

Segundo a NASA, um filtro possivelmente defeituoso foi substituído no fim de semana seguinte.

Por que o hidrogênio é tão problemático?

O hidrogênio líquido é um combustível extremamente eficiente, mas também notoriamente difícil de manusear. Suas moléculas são minúsculas e conseguem escapar por fissuras microscópicas em vedantes e conexões.

Além disso, o combustível precisa ser mantido a cerca de −253 °C, temperatura que pode tornar materiais mais frágeis e suscetíveis a rachaduras.

Esses desafios já haviam afetado a Artemis 1, que sofreu múltiplos adiamentos devido a vazamentos semelhantes. Na época, o SLS precisou retornar três vezes ao edifício de montagem da NASA ao longo de seis meses.

O que é uma “wet dress rehearsal”?

O ensaio geral de abastecimento é uma etapa crítica antes do lançamento. Durante o procedimento, equipes carregam os estágios principal e superior do foguete com propelentes criogênicos — hidrogênio e oxigênio líquidos — e conduzem a contagem regressiva até T-29 segundos, interrompendo o processo antes da ignição.

O objetivo é identificar falhas técnicas antes do dia do lançamento.

Mesmo com o teste parcial recente, a agência afirma ter coletado dados importantes e observado taxas de vazamento menores que as registradas anteriormente.

Pressão por um lançamento em março

A NASA trabalha atualmente com uma janela de lançamento entre 6 e 11 de março. Ainda não está claro se os ajustes realizados serão suficientes para manter esse cronograma.

O administrador da agência, Jared Isaacman, afirmou que não é surpreendente enfrentar desafios após um intervalo longo entre missões e relembrou que problemas semelhantes ocorreram antes da Artemis 1. Ele destacou que ainda há “muito trabalho pela frente” para garantir que a missão seja segura.

Por que a Artemis 2 é tão importante?

A Artemis 2 será o primeiro voo tripulado do SLS e da nave Orion. Também marcará o retorno de astronautas às proximidades da Lua pela primeira vez desde a era Apollo.

O sucesso da missão é considerado fundamental para viabilizar a Artemis 3, planejada para levar humanos novamente à superfície lunar.

Além do desafio técnico, há pressão geopolítica. A NASA disputa com a China a liderança no retorno tripulado à Lua. Ainda assim, a agência enfatiza que não pode apressar o cronograma — vidas estarão a bordo.

Próximos passos

Se o novo ensaio de abastecimento for concluído com sucesso, a missão poderá avançar para a fase final de preparação. Caso contrário, atrasos adicionais podem se tornar inevitáveis.

Depois do teste desta semana, o cenário ficará mais claro. Por enquanto, a Artemis 2 permanece em contagem regressiva — mas sob vigilância técnica rigorosa.

 

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