A Nasa anunciou na segunda-feira (20) que irá reabrir o contrato principal de pouso lunar dos Estados Unidos, originalmente concedido à SpaceX, após crescentes atrasos no desenvolvimento da Starship, o módulo que levaria astronautas à Lua em 2027. A decisão marca uma guinada estratégica no programa Artemis, que busca devolver humanos à superfície lunar pela primeira vez desde 1972.
Uma nova corrida pela Lua
O chefe interino da Nasa e Secretário de Transportes dos EUA, Sean Duffy, afirmou em entrevista à Fox News que a agência agora aceitará novas propostas de empresas privadas. “Veremos companhias como a Blue Origin se envolverem — e talvez outras”, disse.
A medida ocorre em meio à pressão crescente dentro da Nasa e da Casa Branca para acelerar o cronograma do Artemis, enquanto a China avança com planos próprios de enviar astronautas à Lua até 2030. Reabrir a licitação significa, na prática, abrir espaço para uma competição direta entre Elon Musk e Jeff Bezos, os dois bilionários que disputam o domínio da nova era espacial.
Atrasos e impaciência com a SpaceX

A SpaceX venceu o contrato em 2021, avaliado hoje em US$ 4,4 bilhões (cerca de R$ 23,7 bilhões), para construir o módulo lunar baseado em sua nave Starship. Desde então, a empresa realizou 11 testes, todos com falhas parciais ou totais, em uma campanha de “teste até a falha” em seu centro de lançamentos em Boca Chica, no Texas.
Embora o veículo tenha alcançado avanços notáveis em propulsão e capacidade de carga, a Nasa se mostra insatisfeita com o ritmo do projeto e teme que o prazo de 2027 possa atrasar “por anos”. “Eles fazem coisas incríveis, mas estão atrasados”, afirmou Duffy.
O presidente Donald Trump, que retornou à Casa Branca em janeiro, tem pressionado a agência a garantir que o primeiro pouso lunar ocorra antes do fim de seu mandato, em 2029.
A Blue Origin de Bezos volta ao jogo

A rival Blue Origin, de Jeff Bezos, parece ser a principal beneficiada pela reabertura do contrato. Sua nave Blue Moon, em desenvolvimento na Flórida, já possui um acordo de US$ 3 bilhões com a Nasa para futuras missões Artemis, mas agora poderá disputar também a Artemis 3, planejada como o primeiro pouso tripulado.
A empresa havia protestado em 2021 contra a escolha exclusiva da SpaceX e passou anos fazendo lobby por uma segunda seleção, alegando que a redundância era essencial para a segurança do programa. A nova fala de Duffy, citando diretamente a Blue Origin, indica que essa pressão finalmente surtiu efeito.
Outras candidatas e pressão política
A Lockheed Martin também deve entrar na disputa. O vice-presidente de Exploração Espacial da empresa, Bob Behnken, ex-astronauta da Nasa, confirmou que sua equipe vem conduzindo “análises técnicas e programáticas significativas” para módulos lunares humanos. “Estamos prontos para atender ao pedido do Secretário Duffy e cumprir os objetivos lunares do país”, afirmou em comunicado à Reuters.
A Nasa também solicitou que toda a indústria espacial comercial apresente até 29 de outubro planos detalhados para acelerar pousos lunares e aumentar a cadência de missões. A medida reforça a tentativa da agência de diversificar fornecedores e reduzir riscos após anos de dependência da SpaceX.
Musk minimiza concorrência

Em sua rede social X (antigo Twitter), Elon Musk respondeu com ironia às notícias sobre a reabertura do contrato. “A SpaceX está se movendo como um raio em comparação com o resto da indústria espacial”, escreveu. “A Starship acabará fazendo toda a missão à Lua. Podem anotar.”
A Starship é a peça central não apenas do programa Artemis, mas também dos planos de Musk para colonizar Marte e ampliar o serviço de satélites Starlink.
O futuro do programa Artemis
O Artemis 3, missão que marcaria o retorno humano à Lua, foi planejado originalmente para 2027, mas enfrenta incertezas crescentes. Já a Artemis 2, que fará um voo tripulado ao redor da Lua, continua prevista para 2026 — e pode ser antecipada para fevereiro, segundo fontes ligadas à Nasa.
Enquanto isso, Bezos e o novo CEO da Blue Origin, Dave Limp, vêm mantendo diálogo próximo com o governo Trump. O presidente republicano, em conflito recente com Musk, vê no avanço do programa Artemis uma oportunidade simbólica: colocar novamente a bandeira americana na Lua, meio século depois da Apollo 17.
[ Fonte: CNN Brasil ]