O cometa 3I/ATLAS despertou a curiosidade de astrônomos do mundo inteiro desde que foi identificado neste ano. Mas, no momento mais crítico de sua passagem pelo Sistema Solar interno, a NASA ficou impossibilitada de divulgar dados por causa do shutdown do governo americano. Agora, com o retorno das atividades, a agência espacial se prepara para revelar as primeiras imagens inéditas de um visitante cósmico que atravessou o periélio longe dos olhos da Terra.
O cometa em seu momento mais intenso

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já detectado em nossa vizinhança — precedido por ‘Oumuamua e pelo cometa Borisov. Ele entrou em cena com grande expectativa científica, já que seu comportamento poderia oferecer pistas sobre a composição de outros sistemas estelares.
O problema é que, entre 1º de outubro e 12 de novembro, o governo dos EUA entrou em fechamento administrativo, deixando boa parte da equipe da NASA fora de serviço. A pausa coincidiu justamente com o período em que o cometa atingiu o periélio, em 29 de outubro, seu ponto mais próximo do Sol, quando cometas costumam apresentar maior atividade.
Durante esse momento crítico, o 3I/ATLAS estava oculto atrás do Sol em relação à Terra, inviabilizando observações diretas a partir do nosso planeta.
Observações a partir de Marte
Felizmente, outras sondas estavam bem posicionadas. Em 3 de outubro, o cometa passou a apenas 30 milhões de quilômetros de Marte, onde missões europeias e americanas aguardavam a oportunidade de registrar sua passagem.
A Agência Espacial Europeia foi a primeira a divulgar imagens, captadas pelo Trace Gas Orbiter da missão ExoMars e pela sonda Mars Express. O cometa aparece como um borrão luminoso, resultado esperado para instrumentos ajustados para observar a superfície marciana, e não objetos pequenos e velozes a grandes distâncias.
Mesmo assim, os dados revelaram uma fina camada de gás ionizado ao redor do cometa — a típica coma que envolve corpos de gelo quando eles se aproximam do Sol. Ao combinar essas medições com observações terrestres, cientistas conseguiram triangular sua posição com alta precisão e refinar cálculos da trajetória.
O que a NASA deve apresentar
A agência espacial anunciará, no dia 19 de novembro, um conjunto de imagens e dados inéditos produzidos por diferentes missões. Entre eles, devem aparecer registros da câmera HiRISE, a bordo do Mars Reconnaissance Orbiter, feitos durante a aproximação do cometa.
Sites especializados, como o Science Alert, especulam que a apresentação pode incluir ainda observações feitas pelo Telescópio Espacial Hubble, pelo Telescópio Espacial James Webb e por observatórios terrestres como Gemini. A NASA, porém, não confirmou quais instrumentos participaram.
Para os cientistas, cada imagem é valiosa: objetos interestelares são extremamente raros, e cada nova observação ajuda a entender a química e a dinâmica de corpos formados em outros sistemas planetários.
Quem é o cometa 3I/ATLAS
Descoberto em 1º de julho pelo observatório ATLAS, um sistema de busca financiado pela NASA, o 3I/ATLAS veio de uma estrela ainda desconhecida. Embora não ofereça risco algum à Terra, sua aparição é considerada uma oportunidade única para estudar materiais formados fora do Sistema Solar.
Segundo a NASA, o objeto continuará visível para instrumentos científicos durante todo o período em que permanecer em nossa vizinhança cósmica, permitindo observações complementares a partir de ângulos distintos.
Quando será possível observá-lo novamente
A melhor chance para observações terrestres ainda está por vir. Em 19 de dezembro, o cometa fará sua maior aproximação da Terra, embora ainda a cerca de 270 milhões de quilômetros. No início do próximo ano, sondas próximas a Júpiter poderão registrá-lo novamente antes de ele desaparecer rumo ao espaço interestelar.
A transmissão oficial da NASA será exibida em NASA+, no site da agência, no YouTube e na Amazon Prime. O público poderá enviar perguntas com a hashtag #AskNASA.
Entre os participantes do evento estarão Amit Kshatriya, administrador associado da NASA; Nicky Fox, responsável pela Diretoria de Missões Científicas; e Tom Statler, cientista-chefe de pequenos corpos do Sistema Solar.
A expectativa é grande: cada fotografia inédita pode revelar novas pistas sobre a origem e a natureza de um dos visitantes mais raros já registrados em nossa vizinhança cósmica.
[ Fonte: DW ]