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Navio com milhares de carros é abandonado no mar após incêndio e levanta alerta global

Um cargueiro com cerca de 3 mil veículos, incluindo 800 elétricos, foi deixado à deriva no Oceano Pacífico após um incêndio incontrolável. O incidente reacende o debate sobre os perigos ocultos no transporte marítimo de EVs e os desafios que seguradoras, montadoras e armadores precisam enfrentar.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O transporte marítimo de veículos, especialmente os elétricos, entrou no radar de especialistas em segurança após mais um caso de incêndio em alto-mar. Um navio com milhares de automóveis a bordo foi evacuado no meio do Pacífico, expondo os riscos crescentes de incêndios em embarcações desse tipo. O episódio levanta dúvidas sobre a segurança e a preparação do setor para lidar com emergências envolvendo baterias de íons de lítio.

O caso do navio abandonado no Pacífico

Navio com milhares de carros é abandonado no mar após incêndio e levanta alerta global
© https://x.com/SenatorRennick

Na última terça-feira (3), a embarcação Morning Midas, que transportava aproximadamente 3.000 veículos — dos quais 800 eram elétricos —, teve um incêndio detectado em um de seus conveses enquanto cruzava o Oceano Pacífico rumo ao México. A operadora do navio, Zodiac Maritime, informou que a tripulação tentou conter as chamas, mas foi obrigada a abandonar o cargueiro diante da gravidade da situação.

A Guarda Costeira dos EUA coordenou o resgate dos 22 tripulantes, que foram levados em segurança a um navio mercante próximo. Ainda não se sabe a quem pertencem os veículos a bordo, e a Zodiac também não divulgou os nomes dos clientes afetados. O Morning Midas havia partido da cidade chinesa de Yantai no fim de maio, com passagens anteriores por Xangai e Nansha.

Os riscos invisíveis do transporte de veículos elétricos

O caso acendeu um sinal de alerta em uma indústria que já vinha monitorando os riscos relacionados às baterias de íons de lítio. Um relatório recente da Allianz apontou que o transporte de veículos elétricos representa um novo desafio para o setor marítimo: os incêndios provocados por esses veículos tendem a durar mais, atingir temperaturas extremas e serem muito mais difíceis de controlar.

Em navios fechados e com ventilação limitada, como os cargueiros de automóveis, um incêndio de grandes proporções pode se espalhar com rapidez e escapar de qualquer contenção. O fenômeno conhecido como fuga térmica (thermal runaway) transforma as baterias em fontes intensas de calor e fogo, exigindo até 30 mil litros de água para serem resfriadas.

Casos recentes confirmam o perigo. Em 2022, um navio com 4.000 veículos afundou após pegar fogo no Oceano Atlântico. No ano seguinte, outra embarcação enfrentou situação semelhante na costa holandesa, também envolvendo carros elétricos. Esses episódios têm pressionado seguradoras, montadoras e empresas de logística a reavaliar seus protocolos.

Caminhos para conter a crise

Diante do aumento dos incidentes, donos de navios e organizações de segurança vêm adotando medidas para reduzir o risco. Um grupo internacional publicou, no ano passado, diretrizes específicas sobre o combate a incêndios em navios que transportam EVs. A adoção de detectores mais sensíveis, sistemas de supressão automáticos e treinamentos específicos para tripulações são algumas das recomendações.

Apesar dos avanços, o episódio do Morning Midas mostra que ainda há muito a ser feito. O transporte marítimo de veículos elétricos continuará a crescer nos próximos anos, e com ele, a necessidade de estratégias eficazes para garantir segurança — tanto para as embarcações quanto para os profissionais que nelas trabalham.

O mar, antes apenas rota comercial, se torna agora um campo de batalha silencioso contra riscos que ainda estamos aprendendo a enfrentar.

[Fonte: Infomoney]

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