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Ciência

Nem todo cachorro sente frio do mesmo jeito: veterinários explicam quando o casaco deixa de ser luxo e vira proteção necessária

Com a chegada dos dias mais gelados, cresce a dúvida entre tutores sobre a necessidade de agasalhar os cães. Especialistas afirmam que a resposta depende de fatores como raça, idade, saúde e até umidade do ambiente. Em alguns casos, ignorar os sinais pode trazer riscos reais para os animais.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Quando as temperaturas começam a cair e o vento frio toma conta das ruas, muitos tutores se perguntam se os cães realmente precisam de roupas de inverno ou se o próprio pelo já basta para protegê-los. A resposta, segundo veterinários, está longe de ser simples. Embora alguns cães tolerem bem o frio, outros podem sofrer bastante com mudanças bruscas de temperatura — especialmente durante ondas mais intensas de outono e inverno.

O uso de casacos para cães deixou de ser apenas um acessório estético e passou a ser encarado como uma medida preventiva em determinadas situações. Tudo depende das características físicas do animal, da sua condição de saúde e até do clima da região onde vive.

Nem todos os cães suportam o frio da mesma maneira

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© Pexels

Veterinários da rede norte-americana VCA Hospitals afirmam que cães pequenos, de pelo curto, filhotes e animais idosos estão entre os grupos mais vulneráveis às baixas temperaturas. O risco aumenta consideravelmente quando os termômetros ficam abaixo dos 7 °C, especialmente em ambientes úmidos, com vento constante ou presença de chuva.

Em cidades mais frias, a sensação térmica pode impactar os cães da mesma forma que afeta os humanos. Tremores, dificuldade para caminhar, choramingos e resistência para sair de casa são sinais importantes de desconforto térmico. Nesses casos, os especialistas recomendam o uso de roupas adequadas para ajudar na conservação do calor corporal.

A clínica veterinária Small Door Vet destaca que cães com pouca gordura corporal enfrentam ainda mais dificuldade para manter a temperatura do corpo em ambientes próximos de 0 °C. Isso inclui animais magros, idosos ou algumas raças naturalmente mais esguias.

Raças de pelo curto exigem atenção redobrada

A estrutura física de cada raça influencia diretamente sua resistência ao frio. Cães como Chihuahua, Dachshund, Whippet e Galgo possuem pelagem fina e menos proteção natural contra temperaturas baixas. Já raças desenvolvidas para regiões frias, como Siberian Husky, Alaskan Malamute e Chow Chow, contam com uma densa camada dupla de pelos, capaz de funcionar como isolamento térmico natural.

Segundo o veterinário Jolee Stegemoller, filhotes e cães idosos também merecem cuidado especial porque possuem maior dificuldade para regular a temperatura corporal. Além disso, doenças crônicas como artrite, diabetes e problemas cardíacos podem aumentar a sensibilidade ao frio e tornar o uso de casacos praticamente indispensável em dias mais rigorosos.

Casaco demais também pode virar problema

Apesar da popularização das roupas para pets, veterinários alertam que nem todo cão precisa usar abrigo. Em animais saudáveis e adaptados naturalmente ao frio, o excesso de proteção pode causar desconforto, ansiedade e até superaquecimento.

Os especialistas recomendam observar o comportamento do animal antes de insistir no uso da roupa. Se o cão apresentar respiração acelerada, salivação excessiva ou tentar retirar a peça constantemente, é sinal de que o casaco pode estar incomodando.

Uma dica simples usada por veterinários é observar a própria sensação térmica do tutor: se o frio está intenso para humanos, há grandes chances de o cão também sentir desconforto — especialmente se ele pertencer aos grupos mais sensíveis.

Como escolher a roupa ideal para proteger o cão

O casaco ideal precisa ser confortável e funcional. Segundo o Taconic Veterinary Center, a peça deve proteger áreas importantes como pescoço, peito, lombo e barriga sem limitar os movimentos do animal.

Também é importante evitar roupas com botões, zíperes expostos ou peças pequenas que possam ser arrancadas e engolidas. Tecidos impermeáveis ajudam bastante em regiões úmidas ou chuvosas, enquanto modelos muito apertados podem dificultar a circulação e causar irritação na pele.

Veterinários ainda reforçam a importância da higiene. Casacos usados diariamente acumulam sujeira, umidade e fungos com facilidade, especialmente durante o inverno. Por isso, a lavagem frequente é fundamental para evitar problemas dermatológicos.

Frio extremo ainda exige outros cuidados

Mesmo usando casaco, os cães não devem permanecer por longos períodos expostos ao frio intenso. Hospitais veterinários como o West Park Animal Hospital alertam para riscos de hipotermia e até congelamento em situações extremas.

As patas merecem atenção especial. Sal, gelo e produtos químicos utilizados em algumas cidades para derreter neve podem provocar feridas e irritações nas almofadas plantares. Passeios mais curtos e supervisionados ajudam a reduzir esses riscos.

No fim das contas, o mais importante é entender que não existe uma regra universal. Alguns cães enfrentam o inverno sem dificuldade, enquanto outros precisam de proteção adicional para manter o bem-estar. Mais do que acompanhar tendências ou modas pet, a recomendação dos veterinários é simples: observar cada animal individualmente e agir de acordo com suas necessidades reais.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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