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Nike salvou a Converse da falência — duas décadas depois, o mercado pode obrigá-la a se desfazer da marca que virou ícone

O tênis que marcou uma geração enfrenta uma crise silenciosa. Entre a falta de inovação, a mudança no comportamento do consumidor e a pressão por desempenho técnico, a Converse perdeu espaço — e agora pode virar alvo de venda após anos sob o guarda-chuva da Nike.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Durante anos, poucos produtos representaram tanto uma geração quanto o clássico Chuck Taylor All Star. Onipresente nos armários, nas ruas e na cultura pop, o modelo atravessou décadas praticamente inalterado. Mas essa mesma fidelidade ao design original pode ter se transformado em um problema.

Hoje, a marca Converse vive um momento delicado. E a ironia é inevitável: após ser resgatada da falência pela Nike em 2003, agora corre o risco de se tornar um ativo descartável dentro do próprio grupo.

Uma queda que os números não escondem

Os sinais de desgaste não são apenas culturais — são financeiros. Relatórios recentes indicam que a Converse vem acumulando quedas consecutivas de receita, com retrações que chegam a mais de 30% em alguns trimestres.

Em termos práticos, isso significa um retorno a níveis de faturamento que não eram vistos há mais de uma década. Dentro da estrutura da Nike, a marca passou a representar uma fatia mínima do negócio — e, mais preocupante, tornou-se um ponto de pressão em meio à tentativa de recuperação da empresa.

O erro de confiar demais no passado

Parte do problema está na própria essência da Converse. O modelo clássico, praticamente inalterado há décadas, virou símbolo de autenticidade — mas também de estagnação.

Analistas apontam que houve uma dependência excessiva do Chuck Taylor, sem investimentos consistentes em inovação. Quando a marca tentou modernizar o produto, como na linha Chuck II (com tecnologia de amortecimento), a resposta do público foi negativa.

O resultado foi um impasse: manter o clássico e perder relevância, ou inovar e arriscar perder identidade.

O consumidor mudou — e o conforto virou prioridade

Enquanto a Converse apostava na nostalgia, o mercado caminhava em outra direção. Hoje, os consumidores valorizam cada vez mais conforto, ergonomia e desempenho técnico.

Marcas como On e Hoka cresceram justamente explorando esse novo perfil. Seus produtos oferecem amortecimento avançado, suporte e tecnologias voltadas para o uso prolongado — algo que os modelos tradicionais de lona e sola reta não conseguem acompanhar.

A mudança é clara: o tênis deixou de ser apenas um símbolo estético e passou a ser também uma ferramenta de bem-estar.

De ícone esportivo a relíquia cultural

Curiosamente, a Converse nem sempre foi apenas um item de moda. Nas décadas de 1950 e 1960, dominava o basquete profissional nos Estados Unidos, chegando a equipar a maioria dos jogadores.

Esse domínio começou a ruir quando a própria Nike revolucionou o mercado esportivo — especialmente após associar sua marca a atletas como Michael Jordan.

Sem espaço no alto rendimento, a Converse migrou para o universo casual. E agora, enfrenta dificuldades também nesse território.

O plano de resgate — ou o início do fim?

Diante da crise, a Nike já começou a agir. Cortes de custos, redução de marketing e reestruturações internas fazem parte da tentativa de reequilibrar a marca.

Ao mesmo tempo, há uma tentativa de reconexão com o esporte. A Converse voltou a investir no basquete, lançando novos modelos em parceria com atletas como Shai Gilgeous-Alexander.

Mas ainda não está claro se essa estratégia será suficiente para reverter a tendência.

Um comprador à espreita

Se a recuperação não vier, há interessados. A Authentic Brands Group, conhecida por adquirir marcas tradicionais em dificuldade, aparece como possível compradora.

A empresa já fez movimentos semelhantes com outras marcas icônicas, apostando em modelos de licenciamento para maximizar receita — muitas vezes transformando produtos em símbolos mais nostálgicos do que funcionais.

Entre a moda e a realidade

Existe hoje uma desconexão evidente entre o discurso da moda e o comportamento real do consumidor. Embora celebridades e campanhas ainda tentem impulsionar um “retorno” da Converse, os dados de mercado contam outra história.

A geração que ajudou a popularizar o modelo — especialmente os millennials — envelheceu. E com isso, suas prioridades mudaram: conforto, saúde e praticidade passaram a pesar mais do que estilo puro.

O fim de uma era?

A Converse dificilmente desaparecerá. Seu valor simbólico ainda é enorme. Mas seu papel no mercado parece estar mudando rapidamente.

O que antes era um item dominante da cultura jovem pode se tornar, cada vez mais, um produto de nicho — ou um símbolo de nostalgia.

No fim, a trajetória da Converse revela algo maior do que uma crise de marca. Ela mostra como até os ícones mais duradouros precisam evoluir. Porque, no mercado atual, nem mesmo a história é suficiente para garantir o futuro.

 

[ Fonte: Xataka ]

 

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