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Ciência

Nova imagem revela segredos da “borboleta cósmica”

Uma das nebulosas mais impressionantes do céu ganhou uma nova fotografia — e ela é tão detalhada que deve animar qualquer fã de astronomia. O telescópio Gemini Sul, no Chile, registrou uma visão inédita da Nebulosa Borboleta, mostrando como gás e poeira se espalham em torno de uma estrela moribunda que deixou para trás um cenário digno de ficção científica.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Divulgada pelo NoirLab, a nova imagem coloca a NGC 6302 novamente no centro das atenções. A Nebulosa Borboleta, localizada entre 2.500 e 3.800 anos-luz de distância, ganhou esse apelido por exibir duas “asas” gigantes formadas por gás expelido há muito tempo. Para ter ideia da escala, um único ano-luz equivale a cerca de 10 trilhões de quilômetros.

O objeto foi escolhido por estudantes chilenos nas comemorações dos 25 anos do Observatório Gemini, e acabou chamando novamente o interesse de astrônomos profissionais e amadores. Isso porque ela é um exemplo clássico de nebulosa bipolar, um tipo de remanescente estelar com dois lobos simétricos que se estendem a partir do centro.

O papel da estrela que deu origem ao espetáculo

Nova imagem revela segredos da “borboleta cósmica”
© https://x.com/acervokatyp

No coração da Nebulosa Borboleta está uma anã branca, o núcleo quente e denso do que restou da estrela original. Antes de chegar a esse estágio, ela viveu sua fase de gigante vermelha, perdendo massa em ventos estelares irregulares. Esses gases ejetados, quando atingidos pela radiação ultravioleta da anã branca, brilham em cores diferentes dependendo da composição química — hidrogênio, oxigênio ou nitrogênio.

É esse brilho que cria o visual dramático da nebulosa e permite aos cientistas identificar como a estrela perdeu suas camadas externas e como os jatos foram moldados.

O que a nova imagem acrescenta ao estudo da nebulosa

Os instrumentos avançados do Gemini Sul vêm ampliando o interesse pela Nebulosa Borboleta, e a nova imagem revela detalhes ainda mais finos da interação entre gás e poeira. Ela ajuda a mapear diferenças de densidade, velocidade e composição dessas estruturas — pistas valiosas para entender o papel de campos magnéticos, possíveis estrelas companheiras e o processo que esculpiu as “asas” da nebulosa.

Essas observações permitem testar modelos sobre a formação de nebulosas bipolares e ajudam a reconstruir a história da estrela que um dia brilhou ali.

A nova captura do Gemini Sul reforça como cada detalhe revelado transforma nossa compreensão da vida e da morte das estrelas. Ainda há muito a descobrir — e a Nebulosa Borboleta promete continuar rendendo boas surpresas.

[Fonte: Correio Braziliense]

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