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Novo rosto de Anitta reacende debate sobre padrões estéticos entre celebridades

A recente mudança no visual de Anitta voltou a colocar em pauta um tema polêmico: a padronização estética entre celebridades e influenciadores. Com nariz mais fino, olhos alongados, boca volumosa e maxilar marcado, a cantora foi comparada a Ludmilla, reacendendo a discussão sobre os limites dos procedimentos faciais.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O “novo rosto” de Anitta e as comparações

As redes sociais foram tomadas por comentários após a aparição mais recente de Anitta. Muitos fãs notaram uma suposta semelhança com Ludmilla, principalmente por conta de traços como o nariz mais fino, os olhos puxados e a boca mais volumosa.

O cirurgião plástico Luiz Haroldo Pereira avalia que a cantora pode ter feito preenchimento nas maçãs do rosto, além de intervenções nas pálpebras e no nariz:

“A afeição dela está muito mudada. Não sei se foi exatamente o que ela queria, mas de modo geral, a face toda mudou”, afirmou.

Segundo o especialista, intervenções faciais são as que mais transformam a aparência e, por isso, geram grande impacto:

“Quando o paciente opera o corpo, ele pode esconder. No rosto, tudo fica evidente. Exagerar nos procedimentos pode tirar a personalidade de alguém.”

A busca pelo “rosto perfeito”

Embora não haja indícios de que Anitta tenha usado Ludmilla como referência, o cirurgião lembra que é comum pacientes levarem fotos de celebridades aos consultórios:

“Quando comecei, há 20 anos, era comum chegar com fotos de artistas. Mas tentar copiar alguém é quase impossível. Procedimentos mal planejados podem até afetar a saúde emocional do paciente.”

Para Pereira, há uma clara tendência de padronização estética entre celebridades e influenciadores:

“Muitos querem se parecer uns com os outros. Isso cria um cenário onde a individualidade se perde e pode gerar insatisfação emocional.”

A pandemia e o boom dos procedimentos

Durante a pandemia, essa uniformização estética se intensificou. Em 2020, influenciadoras como Flayslane, Flávia Pavanelli e Gabi Prado impulsionaram a procura por procedimentos estéticos, com destaque para:

  • Rinoplastia (cirurgia no nariz), cujas buscas cresceram 78%;

  • Foxy eyes (olhos mais alongados), com aumento de 1.250% nas pesquisas.

O resultado foi a popularização de um padrão facial com:

  • Olhos amendoados;

  • Nariz fino e arrebitado;

  • Maçãs do rosto salientes;

  • Boca volumosa;

  • Maxilar bem marcado.

Esse fenômeno não é exclusivo das mulheres: homens também recorrem a preenchimentos faciais, rinoplastia e alongamento de queixo, como nos casos do DJ Alok, Lucas Gallina e Carlinhos Maia.

Kardashian effect: o rosto globalizado

Para especialistas, o chamado “rosto de influenciadora” tem forte influência das irmãs Kardashian e Jenner. Combinando traços de várias etnias — olhos puxados, lábios grossos e nariz arrebitado —, elas ajudaram a criar um padrão de beleza mundial.

Segundo a cirurgiã plástica Cíntia Benedicto Zandoná, a internet e as redes sociais desempenham um papel crucial:

“A internet difundiu globalmente ideais de beleza locais e induziu a um modelo único.”

Um relatório da ISAPS (Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética) confirma a tendência: o Brasil lidera o ranking mundial de cirurgias plásticas, com 3,1 milhões de procedimentos em 2023. Desse total:

  • 75% são cirúrgicos, com destaque para nariz e região dos olhos;

  • 25% são não cirúrgicos, como aplicação de toxina botulínica e preenchimentos faciais.

Beleza padronizada x identidade individual

O debate sobre os procedimentos estéticos vai além da vaidade: trata-se de identidade, saúde emocional e pressão social. Para especialistas, o desafio está em equilibrar autocuidado com preservação da individualidade — e as celebridades, com enorme influência, têm papel central nessa discussão.

 O “novo rosto” de Anitta trouxe à tona uma questão cada vez mais presente: a busca por um padrão de beleza global. Entre procedimentos, comparações e influência das redes sociais, especialistas alertam para os riscos da uniformização estética. Afinal, até que ponto vale perder a identidade por um rosto “perfeito”?

 

[ Fonte: G1.Globo ]

 

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