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Tecnologia

O alto custo invisível da IA: o que você não sabe ao fazer perguntas para um chatbot

Cada vez que você conversa com uma inteligência artificial, há um impacto que não aparece na tela, mas pesa no planeta. Um novo estudo revela a quantidade de água doce evaporada em cada interação. Enquanto isso, o governo brasileiro tenta atrair data centers com isenção fiscal — e especialistas soam o alarme ambiental.
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Tempo de leitura: 3 minutos

 A inteligência artificial está transformando o mundo, das buscas na internet a diagnósticos médicos. Mas, por trás das respostas instantâneas de ferramentas como o ChatGPT, existe uma estrutura invisível que consome energia e, principalmente, água em volumes alarmantes. Este artigo explora os custos ambientais da IA, os planos do governo brasileiro para o setor e os riscos ignorados nesse avanço tecnológico.

Como a inteligência artificial consome água?

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© Jakub Porzycki/NurPhoto via Getty Images- Gizmodo

Plataformas de IA, como o ChatGPT, operam por meio de data centers — enormes estruturas que concentram servidores responsáveis por processar bilhões de dados. Esses equipamentos geram calor intenso e precisam de sistemas de resfriamento eficientes. A forma mais comum é o uso de água doce, que circula nos sistemas e evapora no processo.

Um estudo da Universidade da Califórnia estimou que entre 20 e 50 perguntas a um chatbot consomem, indiretamente, cerca de meio litro de água potável. Pode parecer pouco, mas o ChatGPT tem 400 milhões de usuários semanais. Se cada um fizer essa quantidade de perguntas, o total semanal de água evaporada chegaria a 200 milhões de litros — o suficiente para abastecer cidades inteiras por um dia.

O plano do Brasil para atrair data centers

De olho no crescimento desse setor, o governo brasileiro está criando incentivos fiscais para atrair data centers ao país. A proposta faz parte do Plano Nacional de Data Centers (Redata), que pretende captar até R$ 2 trilhões em investimentos na próxima década. Entre as medidas, está a isenção de impostos para equipamentos importados e exportações de serviços do setor.

O discurso oficial também destaca a matriz energética brasileira, majoritariamente hidrelétrica, como uma vantagem ambiental frente a países que dependem de combustíveis fósseis. A estratégia foi apresentada recentemente na Califórnia pelo ministro Fernando Haddad, em encontros com representantes de big techs.

As críticas ao projeto e os riscos ambientais

Apesar das promessas de sustentabilidade, o plano ainda não foi publicado oficialmente. Especialistas apontam a falta de transparência e criticam a ausência de participação do Ministério do Meio Ambiente nas discussões. A principal preocupação é com o impacto hídrico em regiões já afetadas por secas e escassez de água.

Em 2024, o Brasil enfrentou a pior seca da história recente, afetando gravemente bacias hidrográficas, especialmente no Sul do país. Mesmo assim, empresas como a Microsoft e o Google seguem ampliando seus centros de dados e aumentando o consumo de água. A Microsoft, por exemplo, admitiu que 42% da água usada em seus data centers vem de regiões sob estresse hídrico.

Existe alternativa sustentável?

Com a crescente pressão ambiental, as empresas de tecnologia estão investindo em soluções para reduzir o consumo de água. Algumas das medidas em estudo incluem:

  • Sistemas de resfriamento a ar, que dispensam o uso de água.

  • Novas tecnologias de placas de resfriamento que podem economizar até 30% da água.

  • Uso de energia solar.

  • Reutilização de água industrial em vez de água potável.

A Microsoft chegou a testar data centers submersos, mas o projeto foi encerrado. A OpenAI e outras empresas também exploram possibilidades, mas nenhuma solução de larga escala foi implementada até agora.

A necessidade de políticas públicas e fiscalização

Para especialistas como Diogo Cortiz e Rudolf Buhler, o avanço tecnológico precisa estar atrelado a exigências ambientais claras. Caso contrário, corremos o risco de trocar inovação por degradação. A IA pode até ajudar, no futuro, a encontrar soluções sustentáveis — mas até lá, a tendência é de aumento contínuo no consumo de recursos naturais.

Cortiz reforça que enquanto houver água disponível, as empresas continuarão utilizando, mesmo com mecanismos de compensação. “Precisamos cobrar regulação e políticas públicas que limitem esse uso. O futuro da tecnologia deve ser também o futuro do planeta”, conclui.

 

Fonte: G1.Globo

 

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