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Ciência

O cloro na água pode aumentar o risco de câncer? Um estudo levanta preocupações

Embora seja amplamente utilizado para purificar a água potável, o cloro pode representar riscos para a saúde. Um estudo recente revelou uma possível ligação entre os subprodutos do cloro na água e o aumento do risco de câncer de bexiga e colorretal. Os pesquisadores alertam que os limites de segurança atuais podem não ser suficientes para proteger a população.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Um estudo que desafia conceitos estabelecidos

Desde o início do século XX, o cloro é utilizado para desinfetar a água potável, prevenindo doenças graves como cólera e febre tifoide. No entanto, novos estudos sugerem que essa solução pode ter efeitos colaterais preocupantes. Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, revisaram uma série de estudos sobre a relação entre cloro e câncer, descobrindo uma possível ligação entre a exposição a subprodutos do cloro e um aumento significativo no risco de alguns tipos de câncer.

Os subprodutos do cloro surgem quando esse desinfetante interage com compostos orgânicos presentes na água. Entre esses subprodutos, os trihalometanos (THM) se destacam. Estudos anteriores indicaram que essas substâncias podem estar associadas ao desenvolvimento de tumores em animais, mas as pesquisas realizadas em seres humanos ainda são inconclusivas.

Evidências e riscos identificados

Para atualizar a base de conhecimento, os cientistas suecos analisaram 29 estudos publicados nos últimos anos. No total, 14 tipos de câncer foram avaliados, mas apenas o câncer de bexiga e o colorretal apresentaram uma correlação significativa com a exposição aos THM.

Os dados revelam que indivíduos expostos a altos níveis de THM têm:

  • 33% mais risco de desenvolver câncer de bexiga;
  • 15% mais risco de desenvolver câncer colorretal.

Além disso, o estudo apontou que esse aumento de risco ocorre a partir de uma concentração de 41 partes por bilhão (ppb) de THM na água potável, um valor bem abaixo dos limites regulatórios atuais: 80 ppb nos Estados Unidos e 100 ppb na União Europeia.

Possíveis soluções e tecnologias alternativas

Hoje, existem métodos alternativos para a desinfecção da água que podem reduzir os riscos associados ao cloro. Algumas das opções incluem:

  • Tratamento com luz ultravioleta: uma técnica eficaz na eliminação de microrganismos sem gerar subprodutos tóxicos;
  • Filtração avançada: remoção de compostos orgânicos da água antes do tratamento com cloro, reduzindo a formação de THM;
  • Uso de ozônio: alternativa que desinfeta a água sem produzir subprodutos cancerígenos.

Os cientistas afirmam que, embora existam indícios preocupantes, os dados ainda não são suficientes para confirmar uma relação causal direta entre o cloro na água e o desenvolvimento de câncer. No entanto, eles alertam que novas pesquisas são necessárias para avaliar melhor os impactos a longo prazo.

Um alerta para regulação e segurança

A pesquisa levanta questões importantes sobre os padrões de qualidade da água e a segurança dos métodos de tratamento usados atualmente. Os limites regulatórios estabelecidos podem não ser suficientes para proteger plenamente a população da exposição prolongada aos THM.

Para Emilie Helte, cientista líder do estudo, “o que encontramos é alarmante, e mais pesquisas de alta qualidade são necessárias”. Enquanto isso, especialistas sugerem que governos e empresas de saneamento avaliem alternativas mais seguras para o tratamento da água, garantindo a proteção da saúde pública sem comprometer sua potabilidade.

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