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Ciência

O comportamento inédito do hidrogênio que pode transformar o futuro da energia limpa

Cientistas conseguiram observar pela primeira vez o hidrogênio entrando em estado superfluido — um feito que pode abrir caminho para novas formas de transporte e armazenamento de energia limpa. A descoberta, feita em temperaturas próximas ao zero absoluto, revela um comportamento até então exclusivo do hélio.
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Nas últimas décadas, pesquisadores buscavam confirmar uma antiga teoria da física: que o hidrogênio, em condições extremas, poderia se tornar um superfluido. Agora, uma equipe do Canadá e do Japão conseguiu provar isso, e o resultado pode trazer impactos significativos para o setor energético.

O que é a superfluidez e por que ela é tão importante

O comportamento inédito do hidrogênio que pode transformar o futuro da energia limpa
© Pexels

Superfluidez é um estado físico no qual uma substância consegue fluir sem qualquer resistência — como se suas partículas não se atritassem umas com as outras. Esse fenômeno já havia sido observado no hélio, e mais recentemente em alguns gases atômicos e até em supersólidos. No entanto, o hidrogênio, o elemento mais abundante do universo, nunca havia demonstrado esse comportamento de forma direta.

O físico russo Vitaly Ginzburg havia previsto essa possibilidade ainda em 1972, mas nenhum experimento havia conseguido comprovar. Até agora.

O experimento que desafiou os limites do frio

Estudar o hidrogênio líquido é extremamente difícil: ele se solidifica a -259 °C, enquanto o estado superfluido exige temperaturas ainda mais baixas, próximas ao zero absoluto. Para contornar esse desafio, os cientistas confinaram aglomerados de hidrogênio dentro de nanogotículas de hélio, o único elemento conhecido capaz de permanecer líquido abaixo dessa temperatura extrema.

Dentro dessa estrutura, adicionaram uma molécula de metano, que foi estimulada com pulsos de laser a girar. Se o metano girasse sem resistência, isso indicaria que o hidrogênio ao redor havia se tornado superfluido. E foi exatamente isso que aconteceu quando o grupo alcançou entre 15 e 20 moléculas de hidrogênio — o ponto ideal para que o fenômeno ocorresse.

Implicações para a energia do futuro

Embora ainda não haja aplicação prática imediata, a observação do hidrogênio em estado superfluido abre portas para inovações na forma como armazenamos e transportamos esse gás — um dos pilares das tecnologias de energia limpa.

Atualmente, o hidrogênio já é usado em células de combustível, que produzem eletricidade sem emitir poluentes, apenas vapor d’água. Porém, o armazenamento e o transporte do gás ainda são grandes obstáculos. A superfluidez, ao permitir o fluxo sem resistência, pode inspirar novos métodos mais eficientes e seguros.

Essa descoberta marca um avanço crucial na física quântica e representa mais um passo rumo à consolidação do hidrogênio como alternativa viável e sustentável na transição energética global.

[Fonte: Inovação Tecnológica]

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