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Ciência

O coração mata uma pessoa a cada 90 segundos no Brasil – apesar disso, muitas mulheres ainda ignoram sintomas que podem indicar um infarto

A forma diferente como esses sinais aparecem nelas, somada ao estilo de vida moderno e fatores de risco crescentes, tornam a conscientização uma das maiores armas contra a mortalidade cardiovascular.
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Tempo de leitura: 4 minutos

As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil, superando o câncer e os acidentes. Mesmo com avanços na medicina, o desafio permanece em reduzir os números alarmantes. Especialistas destacam que a prevenção, aliada ao reconhecimento precoce dos sintomas — especialmente entre mulheres —, é essencial para salvar vidas. Entender os riscos e agir cedo pode fazer toda a diferença.

Os sinais que muitas mulheres ignoram

O coração mata uma pessoa a cada 90 segundos no Brasil - apesar disso, muitas mulheres ainda ignoram sintomas que podem indicar um infarto
© Pexels

Enquanto os homens costumam apresentar dor forte no peito irradiando para braço, pescoço ou mandíbula, os sintomas femininos são mais sutis e facilmente confundidos. Fadiga intensa, falta de ar, náuseas, dor nas costas ou desconforto abdominal podem ser sinais de infarto que acabam negligenciados.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, muitas mulheres colocam a própria saúde em segundo plano, priorizando família e trabalho. Essa atitude, somada ao caráter atípico dos sintomas, faz com que busquem ajuda tarde demais, aumentando o risco de complicações graves. Médicos reforçam a necessidade de avaliar cuidadosamente qualquer manifestação suspeita.

O impacto dos fatores de risco combinados

A cardiologista Olga Ferreira de Souza, da Rede D’Or, destaca que a doença cardiovascular está ligada a múltiplos fatores. Hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, estresse, tabagismo e até questões emocionais como depressão interagem de forma complexa, aumentando os riscos.

Além disso, algumas condições são exclusivas das mulheres, como alterações hormonais durante a menstruação, gestação e menopausa. Esses aspectos elevam a probabilidade de desenvolver problemas cardíacos e exigem acompanhamento médico ainda mais atento ao longo da vida.

Longevidade: um desafio e uma oportunidade

O aumento da expectativa de vida no Brasil trouxe novas questões para a cardiologia. Viver mais significa conviver com doenças relacionadas ao envelhecimento, como arritmias e degeneração de válvulas cardíacas. A fibrilação atrial e a estenose da válvula aórtica, por exemplo, tornam-se mais comuns após os 70 anos.

A especialista ressalta que hábitos saudáveis adotados desde cedo fazem toda a diferença. Pacientes idosos que praticam atividade física, mantêm boa alimentação e passam por reabilitação cardiovascular enfrentam cirurgias e tratamentos de forma muito mais resistente, com menores taxas de complicações.

Infartos cada vez mais precoces

Se por um lado cresce o número de idosos chegando aos 90 anos com boa qualidade de vida, por outro há um aumento preocupante de infartos em pessoas com menos de 50 anos. Dados da Rede D’Or mostram que, em São Paulo, a média de idade de quem sofre um infarto é de apenas 59 anos, menor do que em outras regiões do país.

O estilo de vida moderno é apontado como uma das principais causas. Estresse crônico, excesso de tecnologia, falta de intervalos entre atividades, alimentação rápida e sedentarismo criam um ambiente propício para doenças cardiovasculares em adultos ainda jovens. A produção elevada de hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina, contribui diretamente para aumentar a pressão arterial e danificar o coração.

O perigo do cigarro eletrônico

Embora o tabagismo tradicional tenha diminuído, o cigarro eletrônico, popular entre os jovens, já preocupa os cardiologistas. Apresentado como alternativa “mais segura”, o vape mostrou-se altamente prejudicial não só para o coração, mas também para os pulmões, podendo causar fibrose e pneumonias graves.

Olga alerta que o cigarro eletrônico deve ser tratado com a mesma seriedade — ou até mais — do que o cigarro convencional. Sua aparência inofensiva e sabores variados mascaram os danos severos que provoca no organismo.

Prevenção como arma principal

Apesar dos riscos, os especialistas são claros: é possível reverter parte desse cenário. A prevenção é a ferramenta mais poderosa contra as doenças cardiovasculares. Isso inclui manter uma dieta equilibrada, praticar exercícios regularmente, evitar cigarro e álcool em excesso, controlar o estresse e realizar exames periódicos para monitorar pressão, colesterol e glicemia.

A cardiologia moderna já reduziu taxas de mortalidade nas últimas décadas, mas ainda há muito a avançar. Conscientizar sobre os sinais atípicos em mulheres, combater hábitos nocivos e adotar rotinas saudáveis são passos fundamentais para reduzir o número de mortes.

Um alerta que pode mudar vidas

Os especialistas ressaltam que frases como “não é nada” não devem fazer parte do vocabulário quando o assunto é coração. Descartar sintomas sem investigação é perigoso e pode custar vidas. Para as mulheres, o desafio é redobrado: além de reconhecer sinais diferentes, é preciso dar prioridade à própria saúde.

No fim, a mensagem é clara: o coração não espera. Quanto mais cedo for feita a prevenção e maior for a atenção aos sintomas, mais chances teremos de reverter os números assustadores e garantir que a vida siga batendo forte — no ritmo certo.

[Fonte: UOL]

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