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Ciência

“O corpo não entende de comida saudável”: por que é possível engordar comendo abacate, pão integral e outros alimentos considerados bons

Comer de forma saudável é essencial para a saúde, mas isso não garante perda de peso. Segundo o especialista Aitor Zabaleta-Korta, alimentos nutritivos também podem ser altamente calóricos. Entender a diferença entre densidade nutricional e densidade calórica é o ponto-chave para quem quer emagrecer sem cair em armadilhas comuns.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A ideia de que basta “comer saudável” para emagrecer é uma das crenças mais difundidas — e mais equivocadas — quando o assunto é perda de peso. Embora alimentos naturais e integrais tragam inúmeros benefícios ao organismo, eles não estão automaticamente associados a um déficit calórico. Especialistas alertam que, sem controle das quantidades, até dietas consideradas exemplares podem levar ao ganho de peso.

O que o corpo realmente leva em conta ao emagrecer

De acordo com Aitor Zabaleta-Korta, doutor em Ciências da Atividade Física e do Esporte, o corpo humano não faz julgamentos morais sobre os alimentos. Ele não distingue comida “boa” de comida “ruim”. O que realmente importa, quando o objetivo é perder gordura, é o balanço energético: consumir menos calorias do que se gasta.

Isso significa que tanto alimentos ultraprocessados quanto ingredientes naturais podem levar ao ganho de peso se forem ingeridos em excesso. A diferença está nos impactos à saúde no médio e longo prazo — não no efeito imediato sobre a balança.

Densidade nutricional não é densidade calórica

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© X – @CatracaLivre

Um dos principais pontos destacados por Zabaleta-Korta é a confusão entre densidade nutricional e densidade calórica.
A densidade nutricional diz respeito à quantidade de vitaminas, minerais, fibras e compostos benéficos presentes em um alimento. Já a densidade calórica indica quanta energia (calorias) ele fornece por grama.

Alimentos como abacate, azeite de oliva extravirgem, castanhas e pães integrais têm excelente densidade nutricional. No entanto, também são calóricos. Consumidos sem moderação, podem facilmente gerar um superávit energético.

É possível emagrecer comendo mal? A ciência já mostrou que sim

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© Roman Odintsov

Para ilustrar esse ponto, o especialista cita um experimento que ficou famoso no meio acadêmico. O nutricionista Mark Haub, professor da Kansas State University, perdeu cerca de 15 quilos consumindo diariamente alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados e doces.

O experimento não tinha como objetivo promover esse tipo de dieta, mas demonstrar algo fundamental: o déficit calórico, isoladamente, leva à perda de peso, independentemente da qualidade nutricional da comida. Isso, claro, não significa que seja uma estratégia saudável.

Comer saudável é essencial — mas não faz milagre

Zabaleta-Korta é enfático ao alertar para um erro comum. Muitas pessoas afirmam não conseguir emagrecer mesmo mantendo uma alimentação “perfeita”. Ao analisar esses casos, o problema geralmente está na quantidade.

“Imagine alguém que toma café da manhã com abacate, usa azeite de oliva em todas as refeições e só consome pães integrais. Tudo isso é saudável. Mas, se somarmos as calorias, é muito provável que essa pessoa esteja em superávit calórico”, explica.

O resultado é simples: o peso não diminui — e pode até aumentar.

O papel da saúde a longo prazo

Apesar disso, o especialista faz um alerta importante: comer bem continua sendo a melhor escolha para a saúde. Uma alimentação baseada em produtos naturais, rica em fibras e micronutrientes, reduz o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e inflamatórias.

O ponto central é entender que saúde e emagrecimento não são conceitos idênticos. Eles se complementam, mas seguem regras diferentes. Para perder peso, o déficit calórico é indispensável. Para manter a saúde, a qualidade da dieta é fundamental.

Como equilibrar os dois objetivos

A melhor estratégia, segundo os especialistas, é combinar alimentação saudável com controle de porções e prática regular de atividade física. Não se trata de eliminar alimentos como abacate ou castanhas, mas de consumi-los com consciência.

Esses ingredientes oferecem muitos benefícios, mas também concentram calorias. Ignorar esse fato pode sabotar o emagrecimento, mesmo dentro de uma dieta considerada exemplar.

Menos ilusões, mais clareza

No fim das contas, a mensagem é direta: não existe alimento mágico. O corpo responde a números, não a rótulos como “fitness” ou “natural”. Entender essa lógica ajuda a abandonar frustrações comuns e a construir uma relação mais realista — e eficaz — com a comida, o peso e a saúde.

 

[ Fonte: Men´s Health ]

 

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