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Ciência

Refrigerante zero é saudável? O alerta por trás dessa promessa

Trocar o refrigerante tradicional pela versão zero parece, à primeira vista, uma escolha mais “inteligente”. Menos açúcar, zero caloria, menos culpa. Mas será que isso significa mais saúde? Um novo estudo reacendeu o debate e levantou um alerta importante sobre os efeitos dessas bebidas no corpo — especialmente no fígado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Refrigerante zero não é tão inofensivo quanto parece

As versões sem açúcar estão nas prateleiras há mais de 20 anos e viraram presença constante na rotina de quem tenta emagrecer ou reduzir calorias. O problema é que a ideia de que refrigerante zero é saudável vem sendo cada vez mais questionada pela ciência.

Um estudo apresentado na Semana Europeia de Gastroenterologia apontou que o consumo frequente de bebidas adoçadas artificialmente pode aumentar em até 60% o risco de desenvolver esteatose hepática, condição conhecida como gordura no fígado. O dado chamou atenção porque esse tipo de doença costuma estar associado ao excesso de açúcar e álcool — não exatamente a produtos “zero”.

Segundo os pesquisadores, os adoçantes podem provocar alterações metabólicas, levando a picos de glicose e insulina mesmo sem a ingestão real de açúcar. O resultado? Um impacto direto na saúde do fígado.

O impacto vai além do fígado

Refrigerante zero é saudável? O alerta por trás dessa promessa
© Pexels

O fígado é só a ponta do iceberg. Especialistas alertam que o consumo regular de refrigerante zero pode afetar outros sistemas do corpo — principalmente o comportamento alimentar.

Por manter o paladar constantemente acostumado ao sabor doce, essas bebidas podem estimular a chamada compensação calórica. Na prática, a pessoa bebe algo “sem calorias”, mas acaba comendo mais doce ou mais carboidrato depois, sabotando qualquer tentativa de mudança de hábito.

“O fato de não conter açúcar nem calorias não transforma a bebida em algo saudável ou seguro”, afirma a nutricionista Fabiana Rasteiro, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Zero açúcar não significa zero problema

Outro ponto pouco discutido é que refrigerante zero continua sendo um alimento ultraprocessado. Ele não fornece vitaminas, minerais ou compostos benéficos ao organismo. Ao entrar na rotina, pode acabar substituindo opções muito mais nutritivas, piorando a qualidade geral da dieta.

Também existe a comparação equivocada com a água. Apesar de matar a sede momentaneamente, refrigerante zero não hidrata de verdade. Pelo contrário: contém corantes, aromatizantes e outros aditivos químicos que não trazem benefício algum ao corpo.

Dentes, ossos e outros efeitos colaterais

Os prejuízos não param no metabolismo. O consumo frequente dessas bebidas também afeta a saúde bucal e óssea. Por terem pH baixo e aditivos acidificados, podem causar desgaste do esmalte dentário e aumentar o risco de cáries.

No caso dos refrigerantes à base de cola, comuns no Brasil, o ácido fosfórico merece atenção. Ele pode interferir na absorção de minerais e, a longo prazo, impactar a densidade óssea, especialmente quando o consumo é elevado.

Adoçantes: vilões silenciosos?

Os adoçantes artificiais existem para manter o gosto doce sem acrescentar calorias. Eles realmente não são metabolizados como açúcar, mas isso não significa que passam despercebidos pelo corpo.

O sabor doce pode “enganar” o organismo, estimulando a liberação de insulina na expectativa da glicose que nunca chega. Evidências recentes também sugerem que esses compostos podem alterar a microbiota intestinal, afetando a forma como o corpo processa gordura e glicose.

Em 2023, a Organização Mundial da Saúde classificou o aspartame como “possivelmente carcinogênico”, embora dentro dos limites considerados seguros. A recomendação é não ultrapassar 40 mg por quilo de peso corporal por dia — um detalhe que muita gente ignora no consumo diário.

Quais alternativas fazem mais sentido?

Com ou sem açúcar, a recomendação é clara: refrigerante zero não deve ser visto como bebida saudável. Não por acaso, o Guia Alimentar para a População Brasileira nem sequer estabelece uma ingestão recomendada para esse tipo de produto.

Quem quer reduzir o consumo pode apostar em opções simples e acessíveis, como água, água com frutas, chás gelados naturais e água de coco. “A água continua sendo a melhor escolha, mas existem alternativas que não trazem os prejuízos associados aos refrigerantes”, reforça Rasteiro.

No fim das contas, o rótulo “zero” pode até enganar — mas o corpo sente. Questionar essas promessas é o primeiro passo para escolhas mais conscientes à mesa.

[Fonte: CNN Brasil]

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