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Ciência

Por que a maioria das dietas falha e o que comer para emagrecer de forma sustentável, segundo cirurgião bariátrico

A maioria das dietas falha porque ignora o verdadeiro mecanismo que regula o peso corporal: as hormonas, e não apenas a contagem de calorias. É o que defende o Dr. Andrew Jenkinson, cirurgião bariátrico do University College London Hospital, em entrevista à revista Science Focus.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Segundo o especialista, o segredo para emagrecer não está em comer menos, mas em escolher melhor os alimentos e entender como eles impactam o metabolismo e o apetite.

O papel da leptina e por que as dietas não funcionam

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© Towfiqu barbhuiya-Unsplash

O grande erro das dietas tradicionais, afirma Jenkinson, é basear-se apenas no déficit calórico aliado a exercícios moderados. Na prática, o corpo não funciona como uma conta matemática.

A leptina, conhecida como a “hormona da saciedade”, é a principal responsável por regular fome e gasto energético. Produzida pelas células de gordura, ela envia sinais ao hipotálamo para indicar que já há energia suficiente armazenada.

O problema é que o consumo elevado de açúcares, farinhas refinadas e ultraprocessados aumenta os níveis de insulina, que bloqueia a ação da leptina. Isso cria um descompasso entre o corpo e o cérebro:

  • O cérebro não reconhece que o corpo já tem reservas;

  • A fome aumenta;

  • O metabolismo desacelera.

Jenkinson resume o mecanismo com uma analogia simples:

“É como se o marcador de combustível do carro indicasse tanque vazio quando ele está cheio.”

O “ponto de ajuste” e a influência do ambiente

Outro conceito crucial para entender o emagrecimento é o chamado “ponto de ajuste” — um valor que o cérebro tenta manter automaticamente. Ou seja, para muitas pessoas, o corpo “defende” um peso elevado como se ele fosse o ideal.

Esse ponto de ajuste é influenciado por genética e, principalmente, pelo ambiente alimentar moderno, rico em:

  • Açúcares e xaropes;

  • Carboidratos refinados;

  • Óleos vegetais ultraprocessados.

Segundo o médico, um terço da população tem predisposição genética para ganhar peso, mas o estilo de vida moderno é o que eleva dramaticamente os índices de sobrepeso e obesidade.

O que comer para emagrecer sem passar fome

Para o Dr. Jenkinson, o segredo não está em cortar calorias nem em seguir dietas extremas, mas sim em mudar os hábitos alimentares e priorizar comida de verdade. As principais recomendações são:

  • Eliminar açúcares, farináceos e óleos vegetais refinados;

  • Reduzir ultraprocessados e priorizar alimentos naturais;

  • Preparar refeições em casa, controlando ingredientes e porções;

  • Incluir proteínas magras, vegetais frescos e gorduras boas.

Segundo o especialista, essas mudanças ajudam o corpo a restabelecer o ponto de ajuste e emagrecer sem fome, evitando aquela sensação de privação constante.

Como lidar com os desejos por comida

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© Unsplash

O Dr. Jenkinson reconhece que deixar o açúcar e os ultraprocessados pode gerar crises de abstinência, já que esses alimentos atuam no cérebro de forma semelhante a drogas. Para enfrentar os desejos, ele recomenda a técnica chamada “crave surfing” (surfando os impulsos):

  • Observar como a vontade de comer sobe e desce;

  • Perceber que cada pico é mais curto do que o anterior;

  • Entender que a urgência passa naturalmente.

Essa abordagem reduz a dependência da força de vontade extrema e facilita a adesão a uma alimentação equilibrada.

O papel do exercício físico (e seus limites)

O especialista ressalta que atividade física é importante, mas não resolve o problema sozinha. Alguns pontos-chave:

  • Para queimar 1.000 calorias, seriam necessárias cerca de 1h30 de treino intenso — algo inviável para a maioria;

  • Exercícios leves, como os recomendados por guias de saúde, levam a uma perda média de apenas 2 kg por ano;

  • O corpo compensa o gasto calórico aumentando o apetite ou reduzindo o metabolismo.

Por isso, o exercício deve ser visto como complemento, e não como estratégia central para emagrecer.

A chave do emagrecimento sustentável

Para o Dr. Jenkinson, a solução passa por respeitar o funcionamento natural do corpo e focar na saúde metabólica. Dietas restritivas e treinos exaustivos levam à frustração, cansaço e, muitas vezes, ganho de peso a longo prazo.

“O segredo é entender os hormônios, controlar a alimentação e mudar padrões de vida, não contar calorias”, conclui.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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