Segundo o especialista, o segredo para emagrecer não está em comer menos, mas em escolher melhor os alimentos e entender como eles impactam o metabolismo e o apetite.
O papel da leptina e por que as dietas não funcionam

O grande erro das dietas tradicionais, afirma Jenkinson, é basear-se apenas no déficit calórico aliado a exercícios moderados. Na prática, o corpo não funciona como uma conta matemática.
A leptina, conhecida como a “hormona da saciedade”, é a principal responsável por regular fome e gasto energético. Produzida pelas células de gordura, ela envia sinais ao hipotálamo para indicar que já há energia suficiente armazenada.
O problema é que o consumo elevado de açúcares, farinhas refinadas e ultraprocessados aumenta os níveis de insulina, que bloqueia a ação da leptina. Isso cria um descompasso entre o corpo e o cérebro:
- O cérebro não reconhece que o corpo já tem reservas;
- A fome aumenta;
- O metabolismo desacelera.
Jenkinson resume o mecanismo com uma analogia simples:
“É como se o marcador de combustível do carro indicasse tanque vazio quando ele está cheio.”
O “ponto de ajuste” e a influência do ambiente
Outro conceito crucial para entender o emagrecimento é o chamado “ponto de ajuste” — um valor que o cérebro tenta manter automaticamente. Ou seja, para muitas pessoas, o corpo “defende” um peso elevado como se ele fosse o ideal.
Esse ponto de ajuste é influenciado por genética e, principalmente, pelo ambiente alimentar moderno, rico em:
- Açúcares e xaropes;
- Carboidratos refinados;
- Óleos vegetais ultraprocessados.
Segundo o médico, um terço da população tem predisposição genética para ganhar peso, mas o estilo de vida moderno é o que eleva dramaticamente os índices de sobrepeso e obesidade.
O que comer para emagrecer sem passar fome
Para o Dr. Jenkinson, o segredo não está em cortar calorias nem em seguir dietas extremas, mas sim em mudar os hábitos alimentares e priorizar comida de verdade. As principais recomendações são:
- Eliminar açúcares, farináceos e óleos vegetais refinados;
- Reduzir ultraprocessados e priorizar alimentos naturais;
- Preparar refeições em casa, controlando ingredientes e porções;
- Incluir proteínas magras, vegetais frescos e gorduras boas.
Segundo o especialista, essas mudanças ajudam o corpo a restabelecer o ponto de ajuste e emagrecer sem fome, evitando aquela sensação de privação constante.
Como lidar com os desejos por comida

O Dr. Jenkinson reconhece que deixar o açúcar e os ultraprocessados pode gerar crises de abstinência, já que esses alimentos atuam no cérebro de forma semelhante a drogas. Para enfrentar os desejos, ele recomenda a técnica chamada “crave surfing” (surfando os impulsos):
- Observar como a vontade de comer sobe e desce;
- Perceber que cada pico é mais curto do que o anterior;
- Entender que a urgência passa naturalmente.
Essa abordagem reduz a dependência da força de vontade extrema e facilita a adesão a uma alimentação equilibrada.
O papel do exercício físico (e seus limites)
O especialista ressalta que atividade física é importante, mas não resolve o problema sozinha. Alguns pontos-chave:
- Para queimar 1.000 calorias, seriam necessárias cerca de 1h30 de treino intenso — algo inviável para a maioria;
- Exercícios leves, como os recomendados por guias de saúde, levam a uma perda média de apenas 2 kg por ano;
- O corpo compensa o gasto calórico aumentando o apetite ou reduzindo o metabolismo.
Por isso, o exercício deve ser visto como complemento, e não como estratégia central para emagrecer.
A chave do emagrecimento sustentável
Para o Dr. Jenkinson, a solução passa por respeitar o funcionamento natural do corpo e focar na saúde metabólica. Dietas restritivas e treinos exaustivos levam à frustração, cansaço e, muitas vezes, ganho de peso a longo prazo.
“O segredo é entender os hormônios, controlar a alimentação e mudar padrões de vida, não contar calorias”, conclui.
[ Fonte: Infobae ]