Prever o campeão da Copa do Mundo parece impossível. Lesões, decisões de arbitragem, clima, pressão emocional e até sorte podem mudar completamente o destino de uma seleção. Ainda assim, um economista alemão chamou atenção nos últimos anos ao acertar os vencedores das três últimas edições do Mundial usando um modelo matemático próprio. Agora, com a Copa de 2026 se aproximando, ele voltou a fazer previsões — e o resultado surpreendeu até o próprio autor do estudo.
O modelo matemático mistura futebol, economia e até clima

O responsável pela previsão é Joachim Klement, analista de pesquisa da empresa Panmure Liberum.
Segundo ele, o sistema econométrico criado em 2014 conseguiu prever corretamente os campeões das Copas de 2014, 2018 e 2022. Isso fez com que o novo relatório sobre a Copa do Mundo FIFA 2026 ganhasse enorme repercussão.
O modelo utiliza uma combinação pouco convencional de fatores.
Além do ranking da FIFA, o estudo considera indicadores como:
- PIB per capita dos países;
- tamanho da população;
- infraestrutura esportiva;
- temperatura média das nações;
- desempenho histórico em competições.
Segundo Klement, países mais ricos tendem a possuir academias de formação melhores e estruturas esportivas mais eficientes. No entanto, ele afirma que riqueza excessiva também reduz gradualmente esse benefício.
Outro detalhe curioso envolve o clima. O economista argumenta que a temperatura ideal para o futebol gira em torno de 14 °C, fator que também influencia o desempenho médio das seleções ao longo do torneio.
O estudo aponta favoritos tradicionais, mas descarta uma repetição da Argentina
Nas projeções para a fase de grupos, o modelo indica que seleções como Brasil, Espanha, França, Argentina, Portugal e Inglaterra devem avançar sem grandes dificuldades.
Mas o relatório também faz um alerta importante sobre a atual campeã mundial.
Segundo Klement, a Argentina de 2026 não teria a mesma força apresentada na campanha vitoriosa de 2022. Por isso, o modelo descarta a seleção argentina como principal favorita ao bicampeonato.
O estudo ainda aponta que o novo formato da Copa, agora com 48 seleções, aumenta significativamente o peso do acaso nas fases eliminatórias.
Isso acontece porque haverá mais confrontos de mata-mata e mais espaço para zebras históricas, especialmente na nova fase de dezesseis avos de final.
O campeão apontado pelo modelo é considerado improvável
A parte que mais chamou atenção no relatório foi justamente a previsão do campeão.
Segundo o economista, a final será disputada entre duas seleções europeias. E o vencedor será um país que nunca conquistou uma Copa do Mundo antes.
De acordo com o modelo, Países Baixos conquistará o título após derrotar Portugal na decisão.
Caso isso aconteça, será o primeiro título mundial da história holandesa, depois das finais perdidas em 1974, 1978 e 2010.
O próprio Joachim Klement admitiu que o resultado parece “subjetivamente incorreto”, mas afirmou que os dados estatísticos continuam apontando fortemente nessa direção.
O relatório projeta ainda uma campanha surpreendente dos holandeses, eliminando seleções como Marrocos, Canadá, França e Espanha antes da final.
O estudo também prevê uma grande zebra na Copa de 2026
Outro destaque da projeção envolve Japão.
Segundo o economista, os japoneses podem protagonizar uma das campanhas mais surpreendentes da história recente do torneio.
O relatório argumenta que o novo formato da competição favorece seleções organizadas e disciplinadas, capazes de explorar jogos eliminatórios mais curtos e imprevisíveis.
Mesmo assim, Klement faz questão de lembrar que futebol continua sendo altamente influenciado pela sorte.
Segundo ele, aproximadamente 45% do resultado de uma partida depende do acaso. Por isso, o economista ironizou possíveis apostadores que pretendam usar o modelo como base para investimentos.
Além do futebol, o estudo também analisou impactos econômicos da Copa do Mundo.
Segundo o relatório, mercados financeiros costumam reagir diretamente aos resultados esportivos. Bolsas de valores locais frequentemente sobem após vitórias importantes e sofrem perdas depois de eliminações traumáticas.
O estudo aponta inclusive que o mercado americano tende historicamente a render menos durante o período do Mundial, possivelmente devido à distração dos investidores durante a competição.
No fim das contas, mesmo com toda a matemática envolvida, a previsão reacende uma velha verdade do futebol: ninguém consegue resistir ao fascínio de tentar adivinhar quem levantará a taça.
[Fonte: Perfil]